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segunda-feira, 12 de março de 2012

O festival dos AVACs, a propósito da renovação do Parque Escolar

Imagem de referência como conceito formal actual de arquitectura contemporânea, AQUI


Muito interessante e incisivo o artigo de Daniel Oliveira no Expresso denominado "A mentira de Nuno Crato sobre a auditoria à Parque Escolar".


Vou resumir o comentário político ao facto de ser a favor que se invista no Ensino Público, ao facto de que o Parque Escolar (propriamente dito, não a empresa) sofriam e ainda sofrem das consequências de um abandono de décadas e ao facto de lamentar que não tenham sido feitos os concursos públicos que, entre outras coisas, permitiam um acesso mais democrático à obra pública, mas também tinham como resultado maior concorrência e maior retorno financeiro resultado dessa mesma concorrência.

Vou-me focar num detalhe (ou talvez não) que o artigo revela:
Vejamos esta frase: "a mudança de legislação, por imposição comunitária, em matéria energética e ambiental, representaram um sobrecusto entre 15% a 25% no total das empreitadas. E a um esforço energético duas a três vezes superior ao anterior, o que é preocupante e, contra o qual, a Parque Escolar já terá feito várias propostas."

Vale a pena determo-nos nesta questão: as exigências energéticas obrigam a uma deturpação do devem ser os objectivos ambientais: primeiro apostar-se na inércia térmica, depois nas energias renováveis.
O que aconteceu nas escolas foi pura e simplesmente inverter a questão e apostar em potentes sistemas de ar condicionado, com subidas astronómicas de consumo energético.
Um "tiro no pé", pelos vistos até questionado (e ainda bem) pela própria Parque Escolar, mas não por muitos dos arquitectos que, podendo interpretar a lei, preteriram de apostar na inércia térmica e na eficiência energética, em nome de "obras de arte" de betão armado e vãos envidraçados altamente consumidores de energia.
A maioria dos edifícios que vi são "caixotes" brancos com envidraçados, sem telhado e sem mecanismos de

Gostava de ver uma auditoria a esta questão, que mais do que uma questão política, é um aspecto eminentemente técnico mas que espelha muito do que o nosso País tem sido em matéria urbanistica.
Esta auditoria é importante porque com a subida dos preços da energia, muitas escolas ponderam não ligar o ar condicionado no Verão, por falta de verba.
Ora, cabia ao arquitecto, mesmo que obrigado a munir o edifício dos fantásticos sistemas de ar condicionado, garantir a resiliência do edifício, ou seja, o seu funcionamento em caso de ausência de funcionamento do AVAC.
Esta auditoria devia identificar e responsabilizar quem podia e não propôs, ou quem propôs e não foi aceite e porquê e quanto custa estas decisões. E não vale dizer "desenhei aquilo porque assim como assim a legislação obrigava ao AVAC".
Não serve de desculpa, antes pelo contrário.

No meio de tanta legislação, uma coisa é certa: o arquitecto tem muita manobra para aumentar a resiliência do edificado.
E tem que a explorar ao limite. Não é deve, tem mesmo.

sábado, 30 de julho de 2011

Freiburg, Germany: A model sustainable city


in http://www.grist.org/slideshow/2011-07-29-freiburg-a-model-city-in-germany/3

Se puder, visitarei este Cidade. Está marcada!
O último grande projecto em Freiburg é a reconversão da antiga Base Militar Francesa "Vauban" num Eco-Bairro. Vale a pena espreitar aqui.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Era uma vez uma Avenida que perdeu 2 faixas de rodagem


Once upon a time...


Era uma vez uma Avenida que, até 2009, tinha 4 faixas de rodagem, muito estacionamento e muito, mas muito pouco espaço pedonal. (foto aqui). A Avenida, de tão larga que era, permitia velocidades de via rápida e os peões atravessam enormes passadeiras que, de tão largas tão largas que eram, mais pareciam pontes de aventura sobre rios caudalosos...





Então, em 2009 a Câmara Municipal local achou que talvez fosse demasiado espaço para tanto carro e tão pouco para peões, árvores e ciclistas e decidiu intervir, reduzindo faixas de rodagem, plantando árvores, fazendo os autocarros estacionar na via e requalificando e disciplinando o estacionamento.



Mas, eis que o problema do estacionamento, muito apregoado em falta no local, e a fluidez de tráfego, esse conceito tão decisivo no nosso País de rotunda e que tanto alcatrão move (o dia-a-dia de tantos e tantos cidadãos que precisavam daquela pequena via rápida como alternativa à 2ª circular), eis que preocupou tanta e tanta gente que, logo se insurgiu contra a obra e pôs mesmo "mãos-à-obra", que em ano eleitoral não havia tempo a perder...


Havia até uns que, até eram a favor de tudo o que estava a ser feito, mas mesmo esses eram a favor de tudo o que era feito, desabafavam que eram contra a forma como estava a ser feito...


Eis que a obra se fez, com algumas peripécias e entrevistas de quem programou o caos e a desordem, agora que os carros iriam fazer filas intermináveis, de horas e horas...


Juntamente com a obra, entrou em funcionamento o sistema de tarifação do estacionamento à superfície, incluindo a criação de zonas de estacionamento só para residentes...




E, eis que, a fluidez do tráfego se resolveu pelas vias rápidas existentes em toda a envolvente!

E o estacionamento em falta, afinal, se tratava de quem, querendo ir ao Centro Comercial ou ao futebol, achava que seria mais simples e mais barato parquear por aqui...


Como por magia, os moradores estacionam dentro do bairro e na avenida os lugares se encontram afinal...vazios!?


Mas, surpresa! Mesmo ao lado destes lugares vazios, onde em tempos houve um campo de jogos e as crianças brincavam e jogavam à bola, a Junta de Freguesia proporciona agora um Parque de Estacionamento privativo (não tarifado!...), que faz lembrar o que foram muitas e muitas Praças da nossa Cidade, algumas emblemáticas, como a Praça do Comércio!

E de repente, a Avenida de 4 faixas, agora só de 2 faixas, flui normalmente, há estacionamento disponível para quem precise, as árvores ainda pequenas crescem e a ciclovia lá vai, aos poucos, servindo curiosos e novos utilizadores, ligando já Benfica até ao Parque das Nações.

E como acabará esta História da Avenida do Colégio Militar?

quinta-feira, 31 de março de 2011

A satisfação de um projecto que funcionou!



Os tempos são para fazer projectos como este em S.João da Rebelva, Carcavelos, no Concelho de Cascais.
Lembro-me de ter avançado com esta ideia um pouco a medo... A aceitação das pessoas e dos políticos foi total, desde a 1ª hora.

Com este exemplo que a reportagem demonstra, fica o repto a todos os meus colegas arquitectos paisagistas: façam projectos que sirvam as pessoas, ecológicos, baratos e funcionais.
Não há outro caminho!
Chega de estereótipos, de projectos que só se lêem em planta. Chega de soluções dispendiosas na construção e de manutenções incomportáveis.
Os espaços verdes sustentáveis são uma saída para a crise!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sobre um desenho urbano simples e eficaz

Há quem pense que para fazer desenho urbano de acalmia de tráfego é preciso primeiro entortar eixos de via, tornar tudo assimétrico e irregular, por vezes descaracterizando completamente o arruamento com curvas e contracurvas, obstáculos e sinais.

Por vezes, basta adoptar alguns conceitos bem simples para tudo ser coerente e eficaz. Vejamos um excelente exemplo, no Porto:

Faixa de rodagem estreita, passeios largos e desimpedidos e árvores fora do espaço pedonal, entre os lugares de estacionamento, chegadas o mais possivel ao eixo de via, permitindo crescer sem impedimentos e acentuar a acalmia de velocidade de quem circula.


Manter o passeio à cota, obrigando o veículo a subir à cota do passeio e descer do outro lado. Não há dúvidas de quem foi considerado prioritário neste cruzamento. Isto adequa-se em ruas locais em que se pretenda velocidades muito baixas e onde assim se permite, sem cortar a rua, o acesso a moradores e comerciantes.

Atente-se nesta sequência. O Jipe aproxima-se e vai virar à esquerda. Ao contrário do habitual, aqui terá que perceber se está em condições de virar, pois terá que ultrapassar espaço pedonal. É o fim da "passadeira" onde se morre enganado a pensar que se está seguro. E tudo funciona.
Se o Jipe não pudesse virar, aguardava na via até o poder fazer em segurança. Sabe bem que atropelar um peão num passeio seria trágico.








E novamente o passeio para os peões.
Eficaz e simples!
Elementar meu caro Watson!

sábado, 27 de novembro de 2010

Do projecto à realidade: Parque Hortícola inaugurado em Carcavelos

Hoje foi um grande dia para mim como arquitecto paisagista.
Pude assistir à inauguração do Parque Hortícola chamado de "Horta Comunitária do Bairro de S. João" na Rebelva, Carcavelos, concelho de Cascais.

Englobado na requalificação dos espaços exteriores daquele Bairro, cujo projecto que tive o privilegio de coordenar, surgiu a meio do processo a ideia de tornar uma parte da área em espaço agrícola. Impulsionado pela Junta de Freguesia de Carcavelos e mais tarde pela Agenda Local 21 de Cascais, o projecto arranca hoje com a totalidade dos talhões entregues aos "hortelãos" e com uma lista de espera de mais de 50 pessoas só naquele bairro.
A Agenda Local 21 vai dar formação às pessoas e destacou técnicos para acompanharem estes projectos.

Carlos Carreiras, Vice-Presidente da CM Cascais inaugurou a obra chamando a atenção no seu discurso para a importância destes espaços em meio urbano nos tempos que correm, lembrando justamente Ribeiro Telles e toda a sua vida de dedicação a esta (e outras causas) ecológicas. E tem toda a razão. Os espaços verdes têm que deixar de ser sumidouros de recursos financeiros, áreas tantas vezes inúteis, "regalos" para a vista de uns, uma dor de cabeça para quem os tem que manter ou pagar que seja mantido. E com falta de orçamento, teremos mesmo que nos virar para esta tipologia.

Mas não apenas as Hortas Urbanas tem defendido Ribeiro Telles. Se ouvíssemos tudo o que Ribeiro Telles defende e tem defendido para o território, naturalmente que hoje a nossa capacidade de choque perante a crise seria seguramente diferente.
Afastámo-nos da terra, vivemos de sonhos e a crédito, vivemos de sonhos artificiais, assentes numa sociedade esbanjadora de recursos e de energia.
Construímos demais, construimos mal, hipotecámo-nos a comprar casas caras e em cima de leitos de cheia e solos agrícolas, pagámos uma impressionante rede de estradas que faz funcionar tudo isto e hoje em crise voltamos a olhar para o nosso mundo, mas de outra maneira.
Talvez a crise tenha vindo para nos ajudar. Para nos ajudar a pensar e a gerir melhor o nosso dinheiro.

Ontem ouvi o Prof. Augusto Mateus alertar nesta conferência para estas questões, para a necessidade da saída da crise passar por exemplo para o regresso à rua como local de comércio, pelo que pude comentar informalmente com o Professor no final que, para mim, há economistas que cada vez mais me parecem ecologistas. Será assim? A economia hoje em dia, em tempos de crise, aproxima-se do pensamento ambiental, da poupança de recursos?
Na mesa da conferência as tradicionais garrafas de água foram substituídas por jarros de água da torneira...

Mas voltando ao tema: Hoje, em que um projecto sustentável acaba como projecto e uma nova vida deste espaço começa, resta-me ter confiança no futuro e deixar os parabéns aos técnicos e também aos políticos que permitiram que tudo isto acontecesse.
Sim, alguém fez uma coisa certa. Um político, seja de que partido for, fez e com notório orgulho, uma coisa certa.
É de apoiar e é de divulgar, para que amanhã haja mais e melhor.
Parabéns!

domingo, 21 de novembro de 2010

Pelas ECOPISTAS de Portugal

Já vamos tendo as nossas Ecopistas!
O Património ferroviário desactivado é absolutamente valioso e com um potencial imenso do ponto de vista turistico.

Tendo participado nos Estudos das ligações Chaves - Vila Real (70km) e Sever do Vouga - Vouzela, rapidamente compreendi que os traçados ferroviários em presença não correspondem (na sua maioria das vezes), nem de perto nem de longe, às exigências de funcionamento que uma ligação em comboio exige nos dias de hoje.
É que os percursos sinuosos e os múltiplos apeadeiros, na maioria em ex-aldeias (hoje lugares semi-desertos de gente), constituiria motivos para a sua não utilização.
É pois mais que certo a sua transformação em Ecopistas, caminhos culturais para circulação de bicicleta ou a pé, com potencialidades turisticas enormes!
A infra-estrutura está lá e a atracção que pode proporcionar nos dias de hoje significa grandes oportunidades ao mundo rural para gerar actividade económica e emprego.

O grande erro foi acabar com as ligações de comboio a cidades como Viseu, Chaves ou Bragança, sem se ter proporcionado a alternativa ferroviária ajustada aos dias de hoje.
De Chaves a Vila Real, passando por Vidago, Pedras Salgadas e Vila Pouca de Aguiar o comboio foi-se (e bem!), mas outra linha deveria ter vindo. Mas não veio.
Veio sim a A24. Esse é que o erro. Um grande erro! Ter vindo a Auto-Estrada mas não o comboio. Porquê?

Conheci parte da Ecopista de Évora, ramal de Mora, entre Évora e Arraiolos (21km)
Poucos utilizadores. Muito poucos.
A infra-estrutura é razoável, nada de especial.
Não o teria projectado, assim tão minimalista, nem deixaria de reforçar o pavimento nalguns troços em que, pura e simplesmente, não se precaveu a transformação da estrutura de balastro permeável num pavimento mais impermeável. Em saibro, o pavimento por vezes a degradar-se não esconde com problemas de drenagem e crescimento de arbustos que extravasam os taludes para o espaço canal.
Estações e apeadeiros abandonados, a cair, com graffitis e sujos. Não estão aproveitados!
Paineis de informação escassos e no Concelho de Arraiolos, nem mapa têm!
Não há uma única torneira para se beber água.
Mas faz-se, sem interrupções. E isso é o que mais importa nestas coisas. As melhorias que venham depois!

Faltará garantias que as dezenas de caçadores armados não nos confundam com coelhos. Impressionante, a cada quilómetro um agrupamento pronto a disparar, é um risco para o viajante ciclista em época de caça. Este é o País em que se pode caçar em todo o lado, como se sabe.

Faltará sem dúvida dinamizar-se o aproveitamento turistico das estações e outro património ferroviário, se possivel para equipamentos de dormida e comida.
Há um vasto património para ser aproveitado. A REFER já fez a sua parte na reactivação de algumas destas linhas e o projecto, a nível nacional, não envergonha ninguém, mesmo comparando com Espanha.
Resta agora mais informação e mais envolvimento no aproveitamento destas estruturas pelas autarquias e agentes económicos locais.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Os Cidadãos e a Participação Pública

Créditos da foto: lisboacustozero.blogs.sapo.pt/10460.html

Tenho assistido em Lisboa com muito interesse ao aparecimento de alguns movimentos de cidadãos que, aqui e ali, contestam algumas intervenções, quase sempre no espaço público e nos espaços verdes.

Ao contrário de um passado ainda recente, em que Lisboa investia tudo em asfalto, túneis, betão e florezinhas coloridas na Avenida da Liberdade, temos agora, finalmente, a aposta na requalificação de variados espaços verdes da cidade. O actual orçamento municipal espelha isso nas muitas rúbricas dedicadas ao investimento numa quantidade notável de praças, miradouros e jardins de referência, até hoje decadentes ou em abandono crescente.

Algumas das obras já concluidas deixam patente a lógica escolhida: dar vida e dignidade a estes espaços, respeitando seu o carácter.

Eis que, e ao contrário do que acontecia no passado, a intervenção de requalificação de alguns jardins tem maior oposição agora de alguns do que teve toda a última década de abandono descarado destes espaços, fazendo-me perguntar onde estariam alguns destes movimentos nessa altura e o que os motiva agora.

Com uma energia nunca vista em casos semelhantes, onde ao contrário dos choupos meio-podres do Principe Real, se cortaram sim dezenas de árvores de grande porte e em perfeitas condições na R. Joaquim António de Aguiar para fazer-se um túnel, sem reposição das mesmas, alguns cidadãos listam agora uma quantidade enorme de queixas, que começa com a própria contestação ao acto de requalificação destes jardins (!) e termina com suspeições sobre a evolução técnica da pavimentação proposta, à lista de espécies, passando um atestado de incompetência aos técnicos responsáveis que considero revoltante e insuportável.

Ainda bem que não sou eu o técnico projectista destas intervenções e ter que assistir, dentro da hierarquia, a este espectáculo de suposições e atestados de incompetência!

Isto tudo para dizer que, da falta de participação pública que muito prejudicou o País, passou-se de imediato para uma escalada descontrolada, em que a cidadania activa ficou pelo caminho, dando lugar sim a cruzadas muitas vezes apenas político-partidárias, em que a legitimidade dos actos de políticos eleitos são contenstados perante as crenças e os anseios de algumas pessoas organizadas.

Continuo à espera que cidadãos venham exigir a plantação das árvores derrubadas pela construção da Radial de Benfica ou do Túnel do Marquês ou de tantas obras viárias inúteis que se fizeram em Lisboa.
Mas não. É um estranho caso este em que a revolta acontece sobre os choupos do Principe Real, primeiro "históricos", depois "classificados", seguidamente "centenários" e por fim apenas de "grande porte" e com 28 anos, foram derrubados sem o aviso prévio que, obviamente, mereciam e deveriam ter tido.

Há hoje cidadãos que consideram legítimas as opiniões que contestem as intervenções em curso em Lisboa, catalogando de "fretes" as que as apoiam, independemente do grau de qualificação de quem as emite.

Neste sentido, faltando sustentação na argumentação, há cidadãos que se limitam a dizer que "não querem assim", mas incapazes de dizer como queriam que se fizesse, catalogando de "oportunistas" e "coniventes com o poder" os que, ao contrário deles, assumem tomar posições pró-activas na gestão de dinheiros públicos em pról dos anseios das populações.

Pelo caminho dizem que ouviram, que viram, que alguém disse, alguém viu, alguém ouviu dizer, que esta decisão foi assim ou não foi assado porque o "político A" ou "B" impôs, deliberou, obrigou. E conseguem uma notável projecção mediática, saindo quase diariamente na imprensa, num tempo em que os jornais, rádios e a TV quase só publicam o que levante polémica e não a necessária clarificação e objectividade, mas que não trás consigo audiências.

O caminho da cidadania activa não é linear, porque a própria acção dos partidos se confunde localmente com movimentos de cidadãos. Há pois que gerar mais e melhores regras, que objectivem a participação, que legitimem os tempos e as formas de actuação e que definam os actores, distinguindo uns de outros.
Cidadania é responsabilidade e não irresponsabilidade.
Cidadania é actuar para melhorar e não gerir agendas mediáticas.
Cidadania é poder intervir no tempo devido e no campo de actuação determinado pela Lei, tendo informação e agindo com transparência, legitimidade e já agora capacidade técnica.

Esta definição de regras tem que passar necessariamente também por regulamentos municipais que definam claramente as regras de participação. É urgente.

Por fim, um desejo quase em forma de apelo, a que o acompanhamento dos processos passe a ser pautado pela focalização na Unidade. E a Unidade de análise do espaço público em Lisboa ou em qualquer outro local não é "a árvore", mas sim a Unidade ecológica e funcional no seu todo. É muito mais que árvores, uma a uma. É das unidades da Estrutura Ecológica que falo, as mesmas que podem contribuir, ou não, para o funcionamento ecológico da Cidade e para o seu desempenho energético e ambiental.

É a esse nível que os cidadãos informados devem focar a sua atenção. Assim o queiram, claro!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Está quase, em Carcavelos

Na Rebelva - Carcavelos, está quase pronto o projecto que coordenei com uma equipa de vários colegas, a Ana Paiva, a Inês, o Rui, A Marta e o Fernando, que foi gerido na fase projectual pela Câmara Municipal de Cascais e construída depois pela EMAC.

Após meses de projecto e vários meses de obra, o resultado agrada-me! Trata-se de uma intervenção de requalificação dos espaços exteriores, infelizmente quase sem tocar nas ruas e no espaço viário de forma a reduzir a velocidade automóvel, que introduz fortemente os conceitos da racionalização da manutenção como ponto de partida para o desenho de projecto. Ou seja, as opções de projecto assentam em pressupostos de poupança de água, maior resistência da vegetação e dos materiais e na possibilidade de redução drástica de homens/hora na manutenção.

Através da criação de remates orgânicos que resolvem os pisoteios, o espaço define e trabalha as áreas de recreio activo através de um campo de jogos tradicionais, um campo de futebol em relva, e formaliza a maioria das áreas relativas a zonas verdes de enquadramento.

Há áreas de pracetas intimistas, onde as pequenas estadias e a vegetação mediterrânica tocam a casa e chamam à conversa dos vizinhos.

Há também pracetas que miram a Paisagem a Nascente. Há um percurso pedonal e ciclável norte-sul que permite um atalhar para a estação de comboios. Finalmente, um espaço de hortas comunitárias, uma das minhas grandes esperanças nesta intervenção, que tem gerado enorme interesse dos futuros interessados.


Está quase pronto!

 
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