sábado, 8 de outubro de 2011
Cargo Bikes
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Bicicletas tomam conta do centro de Londres (VÍDEO RTP)
quarta-feira, 6 de julho de 2011
"Estacionamento em Lisboa: o pau e a cenoura"

Circulam em Lisboa cerca de 700 mil carros por dia. Não há espaço para todos estacionarem. Tão simples como isto. E a verdade é que os carros estacionados por todo o lado estão a destruir a qualidade de vida dos cidadãos. A cidade não pode continuar a ser colonizada por carros, usurpando todo o espaço público que deveria estar reservado a jardins, passeios, esplanadas.
Os cidadãos têm direito a bons transportes públicos, a preços económicos, confortáveis e pontuais. Não têm direito a ir de casa ao trabalho e do trabalho a casa no seu próprio carro e a ocupar os centros das cidades com o seu automóvel. Isso é um luxo. E os luxos pagam-se. E pagam-se caro. Na verdade, acho que o estacionamento no centro de Lisboa, para não moradores, continua a ser demasiado barato (e a fiscalização devia ser bem mais severa). Vão de carro pelas grandes artérias das principais cidades europeias. Tentem estacionar por lá e verão que vos passa logo a vontade.
Dito isto, esperava duas coisas da mesma autarquia que tomou esta decisão: que se tivesse manifestado ruidosamente contra o anúncio da privatização de rotas da Carris, Metropolitano de Lisboa e CP e contra o aumento previsto para as tarifas dos transportes públicos; e que se comprometesse destinar os rendimentos do estacionamento para o financiamento dos transportes coletivos, como acontece em algumas cidades europeias. Para exigir civismo é preciso dar alternativas. E para mudar comportamentos não basta punir ou cobrar. É preciso dar incentivos. A Câmara de Lisboa mostrou o pau. Falta mostrar a cenoura. A reação de quem viveu a anos a ocupar de borla um espaço que é de todos com o que apenas a si pertence criou esta ideia de que o estacionamento gratuito é um direito. Não é. E ainda virá o dia em que, como acontece em Londres, se paga para trazer um carro para a cidade e que esse dinheiro serve para financiar o transporte coletivo. Talvez aí se perceba que o transporte público, esse sim, é que é que é para todos. E talvez então o aumento das suas tarifas cause a revolta que merecia.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Quando a circulação automóvel fala mais alto, a cabeça é que paga!
Vejo muita gente e muitos blogs "contra o automóvel" com discursos muito meritórios e empenhados na defesa do espaço pedonal.
Olham para uma qualquer rua e só vêm problemas e defeitos. Nada contra a crítica.
Mas pior, nunca há melhorias, mesmo quando existem...
Dizer mal em blogs é menos difícil do que corrigir comportamentos crónicos!
É que na prática temos que distinguir o bom do óptimo e saber procurar concensos, senão a crítica em "todas as direcções" não leva a nada. É pura perda de tempo e dinheiro!
O Blog "A nossa Terrinha" terá que descer literalmente " à terra" se não se quiser esgotar com críticas demolidoras inconsequentes. Solução não as avança, não diz quanto custam. Nem imaginam o que custa lutar contra o automóvel. Pensam que é simples?
Não acreditam? Ora vejam:
Só para terem uma noção, ponham os olhos nas reacções da Assembleia Municipal de Lisboa ao evento que devolveu a Avenida da Liberdade aos peões por 1 dia e que teve mais de meio milhão de pessoas a circular alegremente por onde, lembra-nos a história, foi o Passeio Público, e por onde se fazem inúmeras manifestações, que igualmente "cortam" o tráfego.
Vejam quem vota a favor do que aqui se diz...
O "Sr. Automóvel" é isto mesmo! Vejam as votações em sintonia para três moções diferentes, que une o PPM aos "Verdes", une o PSD ao BE.
Cada um tem os seus motivos para votar contra, mas o espaço automóvel livre para circular de carro é o motivo sempre presente!
Uns sugerem que fosse na Bela-Vista, outros lamentam que esta avenida "de passagem" fique interdita, outros lamentam que seja um supermercado a financiar a acção.
Mas, apesar de meio milhão de pessoas a pé, todos lamentam a tal "falta de mobilidade"!
Blog "A Nossa Terrinha": Sejam benvindos à "nossa" terrinha!
Se quiserem concentrar esforços e contribuir para a mudança a favor do peão, não mudem a essência dos vossos posts nem as críticas.
Mudem sim os objectivos porque o alvo não é, infelizmente, quem pensam...
(Nota: os negritos e sublinhados abaixo são da minha responsabilidade)
Moção do PPM: FECHO AVª DA LIBERDADE - MEGAPIQUENIQUE
A Avª da Liberdade é umas das artérias mais importantes da cidade de Lisboa, fundamental para a circulação de automóveis, transportes públicos e pessoas. Uma das Avenidas com mais turismo da cidade.
Considerando que:
1 - A realização do mega Piquenique Continente, nesta Avenida, foi autorizado pela Câmara Municipal de Lisboa.
2 – Desde dia 15 de Junho que só se circula pelas faixas laterais, causando enormes problemas de trânsito, prejudicando milhares de lisboetas.
3 - Foi vedado o corredor central aos Taxistas e só autorizado aos transportes da carris, causando um enorme transtorno a esta classe de trabalhadores.
4 – A realização deste evento na Avenida da Liberdade, por mais contrapartidas que ofereça não justifica os transtornos causados, pois Lisboa tem ao dispor outros locais mais apropriados para este tipo de acções.
5 – A Câmara Municipal de Lisboa, mais uma vez secundariza os interesses da cidade em prol de um impulso publicitário a uma marca.
Vem por isso o Grupo Municipal do PPM propor que a Assembleia Municipal, na sua reunião ordinária de 21 de Junho de 2011, delibere, criticar totalmente, junto do executivo camarário, o local onde foi realizado o Mega Piquenique Continente, prejudicando e desrespeitando, assim milhares de pessoas.
E a votação foi:
Moção nº 3 - Aprovada por Maioria na Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de Lisboa
realizada em 21 de Junho de 2011, com a seguinte votação:
Votos a Favor: PSD / PCP / CDS-PP / BE/ PPM /PEV
Votos Contra: PS / 3 IND
Abstenções: MPT/ 3 IND
Moção do BE: Contra privatização do Espaço Público em Lisboa
com "Mega Pic Nic" do Continente
Considerando que:
1. A Câmara Municipal de Lisboa decidiu arbitrariamente cortar o trânsito na Avenida da Liberdade durante 4 dias para a realização de "Um Mega-Picnic", um evento comercial que transforma uma das principais artérias da cidade num centro comercial a céu aberto
do Grupo Continente.
2. Não é aceitável que, sob um pretexto que ainda está por provar de que este evento promoveria a produção nacional -, se venha agrilhoar qualquer espaço público da cidade em geral e muito menos uma das suas principais artérias, a Avenida da Liberdade,
limitando o acesso ao espaço em causa e dificultando a mobilidade
de milhares de cidadãos ao local e zonas limítrofes.
3. Esta iniciativa de privatização do espaço público é um atentado ao
interesse público de livre usufruto de uma zona nobre da cidade de
Lisboa
4. Infelizmente, esta situação não constitui nenhum precedente porque
ela encadeia-se já numa prática política frequente do executivo
liderado por António Costa, tal como já sucedeu com o Jardim
da Estrela, a Praça das Flores, alem da Praça do Comércio e do
largo Rossio a serem também cedidos a outras marcas para fins
meramente comerciais.
5. A gestão da Câmara Municipal de Lisboa no que toca a ocupação
do espaço público por iniciativas privadas revela uma falta de
respeito para com os cidadãos que são o seu dono e principal
utente.
6. A ideia de que as instituições podem decidir a ocupação do espaço
público por operadores privados sem ter em conta as expectativas,
a opinião e os direitos dos cidadãos é um atropelo à gestão
democrática do espaço público.
7. O que esta iniciativa demonstra é que o presidente da CML, Dr.
António Costa tem negligenciado por completo o princípio da
auscultação e da participação dos cidadãos que devem ser o traço
principal da governação municipal moderna.
8.É imperativo que a autarquia inverta esta prática autoritária
de decisão, e promover o debate com todos, de modo a que a
realização de iniciativas com vantagens mútuas e justificadas na
base do interesse público e colectivo seja o princípio norteador da
governação da cidade.
O Grupo Municipal do Bloco de Esquerda propõe à Assembleia
Municipal de Lisboa, reunida no dia 21 de Junho de 2011,
delibere:
Repudiar a politica de privatização do espaço público, nomeadamente,
as suas zonas mais nobres e censurar a Câmara Municipal de Lisboa
pela reincidência nesta estratégia política.
E a votação foi:
Moção nº 7 - Aprovada por Maioria na Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de
Lisboa realizada em 21 de Junho de 2011, com a seguinte votação:
Votos a Favor: PSD / PCP / CDS-PP / BE/ PPM / PEV/ 2 IND
Votos Contra: PS/ 3 IND
Abstenções: MPT/ 1 IND
MOÇÃO CDS/PP "Mega Piquenique na Avenida da Liberdade"
Realizou-se no passado Sábado, uma acção de marketing organizada pelos Hipermercados Continente (Grupo Sonae), Câmara Municipal de Lisboa e a Confederação de Agricultores de Portugal (CAP), intitulada "Mega Pic-Nic".
O evento consistiu numa mega-horta, com amostras de produtos hortícolas e de animais, todos eles portugueses, bem como espaços de lazer e um concerto.
A cedência da Avenida da Liberdade, uma das zonas mais nobres da Cidade, é um desrespeito do Município pela História e pela Cultura, fazendo de uma artéria que é espaço público uma cedência a privados para uma acção de marketing.
O trânsito esteve condicionado durante 5 dias, provocando o caos a todos aqueles que utilizam esta passagem.
Aos moradores, os lugares de estacionamento foram sonegados sem aviso e apresentação de alternativas; aos comerciantes tornou-se quase impossível efectuar receitas nestes dias dadas as dificuldades de acesso a muitos dos estabelecimentos.
O Município defende a importância do evento com as contrapartidas do Continente ao
Município, através do arranjo dos espaços verdes da Avenida da Liberdade, espaço esse já em manutenção através de concurso promovido pela Câmara Municipal, e da criação de uma horta comunitária em Campolide.
A opção mediática de ocupar a Avenida da Liberdade é irresponsável e inaceitável, ainda mais tendo em conta que o Município votou o Parque da Bela Vista a um espaço de espectáculos, fechado ao público e que já foi palco não só de eventos musicais mas também de um piquenique organizado pelo Modelo, também pertencente ao Grupo Sonae.
A acrescentar a este desrespeito pelo Património, a organização montou um mega-palco junto ao Monumento de Homenagem à Restauração da Independência Portuguesa, na Praça dos Restauradores, violando a legislação de protecção do património classificado.
Face ao exposto, a Assembleia Municipal de Lisboa, reunida a 21 de Junho de 2011,
delibera:
1. Protestar contra a iniciativa da Câmara Municipal, de utilização da Avenida
da Liberdade, área em vias de classificação pelo IGESPAR, para acções de
marketing que não dignificam o seu património cultural e histórico, que
procedem a constrangimentos graves na mobilidade e que desrespeitam
moradores e comerciantes desta zona de Lisboa;
2. Exigir que a Câmara Municipal de Lisboa informe esta Assembleia do valor real
das contrapartidas, em que moldes foram negociadas e a estimativa de valores
de receitas para o Município taxas e licenças, em particular as respeitantes à
ocupação de via pública, publicidade e de ruído.
E a votação foi:
Moção nº 9 - Aprovada por Maioria na Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de
Lisboa realizada em 21 de Junho de 2011, com a seguinte votação:
Votos a Favor: PSD / PCP / CDS-PP / BE/ PPM / MPT / PEV / 2 IND
Votos Contra: PS / 3 IND
Abstenções: 1 IND
Pronto, e a vida é assim!...
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Porque é que o PAN não é, pelo menos para já, um Partido Ecologista
IMAGEM Lameiros: AQUI
Já aqui dei conta de que "os Verdes" não são e não servem como bandeira da ecologia política. Considero até que, o facto de nunca terem ido a votos sozinhos, fizeram um mau serviço à Ecologia Política em Portugal: desacreditaram-na, tornaram-na pequena e sectária, numa espécie de "satélite" que congrega apenas as sensibilidades do Ambiente, exactamente o problema que a Ecologia Política nunca pode fazer, já que ela própria deve e pode constituir doutrina política.
Falei no post anterior porque é que o MPT, ao migrar em definitivo para a direita do espectro político, não pode representar a ecologia política.
Agora apareceu o PAN, o Partido dos Animais e da Natureza.
Inicialmente dos animais, e depois também da Natureza, o PAN escolheu como centro do seu Programa a protecção animal. E só depois as pessoas...
A provar isso mesmo basta ler o Programa Político e contar as medidas de bem-estar animal (36) e as medidas de protecção social: apenas...7!
Sou a favor da protecção animal, e concordo com muitas das medidas anúnciadas pelo PAN, e até acrescento a colocação em causa de boa parte do triste espectáculo que nos é oferecido pelos animais em jaulas nos Zoos das nossas Cidades...curiosamente o PAN, nas suas 36 medidas, nada disse sobre isso! Os Zoos, em plano Século XXI, permitem aprisionar todo o tipo de animais selvagens e torná-los figurantes, normalmente com ar triste e muito abatido, para os urbanos verem!
Numa época de internet, plasmas, 3D, i-phones e visitas virtuais, os Zoos, mesmo para os defensores dos animais são, pelos vistos, aceitáveis? Regista-se!
(nota intercalar, para o papel excelente dos Zoos na recuperação de animais doentes ou feridos ou para auxiliar a salvaguarda das espécies em perigo de extinção. Para mim, o único critério admissível para um Zoo moderno.)
Mas os partidos ecologistas devem apresentar-se, acima de tudo, com uma preocupação Humanista. A espécie humana não está ao mesmo nível dos animais e as Paisagens que temos e que queremos ecológicas e em equilíbrio ecológico, só o podem fazer se estiverem assentes numa lógica agro-pecuária. A humanização das Paisagens, entendida infelizmente como a degradação das mesmas pela urbanização, sobre-exploração ou contaminação, deve ser sim entendida como o equilíbrio entre o Homem e o Meio.
Como se mantêm os nossos lameiros se não existirem animais? Cresce o mato? Corta-se com maquinaria a gasóleo?
E os montados? Servem só para a cortiça? E as bolotas não podem servir para o gado que pasta ao ar livre, de forma sustentável e que mantém um ecossistema único?
E o papel das raças autóctones de gado no moldar e conservar de forma eficiente as nossas Paisagens?
E o papel da actividade cinegética, quando devidamente regulamentada e, infelizmente, diria no contexto actual, mais "domesticada", na regulação das cadeias alimentares e da Biodiversidade?
Temos um problema hoje de excesso de carne, de uma alimentação excessivamente proteica, desequilibrada, do "bife com batatas" dia sim, dia não, do colestrol e da gordura. Mas, assim como um dono de um animal de estimação não pode ser confundido com alguém que permite que o seu animal suje a via pública, comer carne não pode significar apoiar os aviários industriais, o transporte de animais sem respeito, os antibióticos e rações sintéticas, as descargas sem lei.
O respeito pelos animais deve fazer-se dentro do contexto do respeito pela Paisagem, como Unidade macro de equilíbrio ecológico.
Só defender os animais e acrescentar depois "e da Natureza" é um passo em falso, e a meu ver não responde às questões que a Ecologia Política pode dar perante os problemas do dia-a-dia dos cidadãos, do País e rumo a um futuro melhor.
E tenho pena de, num mesmo post, ter que referir e logo três partidos, ditos "verdes" e não conseguir concordar com nenhum deles!
Nota: Lendo o Programa do PAN, medida a medida, muitas são as concordâncias.
Quem sabe se esta sensibilidade, que pela primeira vez se apresenta a eleições, é compatível com desafios de compromisso num âmbito de um campo ideológico ecologista.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Era uma vez uma Avenida que perdeu 2 faixas de rodagem
Juntamente com a obra, entrou em funcionamento o sistema de tarifação do estacionamento à superfície, incluindo a criação de zonas de estacionamento só para residentes...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Fechar algumas linhas férreas não deixa de ser a coerência absoluta

Agora, ninguém anda nalgumas linhas férras. Pudera! Meia dúzia de comboios velhos e barulhentos por dia, a serpentear a 40km/h por traçados antigos e aldeias desertas.
Mas devia ser o início de um novo ciclo de aposta numa rede ferroviária nacional moderna e competitiva que ligue cidades e capitais de distrito. Uma aposta numa nova ferrovia, moderna, útil e competitiva, que ligue directamente cidades e que permita chegar a todas as Capitais de Distrito. É um novo futuro que se exige.
*Lamento o tom diria "paternalista" de alguns (urbanos) ecologistas a defender a manutenção de certas linhas férreas que já ninguém usa, com traçados sinuosos, velocidades comerciais mínimas e horários pouco mais que escassos.
Defender a manutenção do que existe é defender o tradicional e o bucólico, mas para os outros.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Sobre um desenho urbano simples e eficaz
Por vezes, basta adoptar alguns conceitos bem simples para tudo ser coerente e eficaz. Vejamos um excelente exemplo, no Porto:
Faixa de rodagem estreita, passeios largos e desimpedidos e árvores fora do espaço pedonal, entre os lugares de estacionamento, chegadas o mais possivel ao eixo de via, permitindo crescer sem impedimentos e acentuar a acalmia de velocidade de quem circula.
Manter o passeio à cota, obrigando o veículo a subir à cota do passeio e descer do outro lado. Não há dúvidas de quem foi considerado prioritário neste cruzamento. Isto adequa-se em ruas locais em que se pretenda velocidades muito baixas e onde assim se permite, sem cortar a rua, o acesso a moradores e comerciantes.Atente-se nesta sequência. O Jipe aproxima-se e vai virar à esquerda. Ao contrário do habitual, aqui terá que perceber se está em condições de virar, pois terá que ultrapassar espaço pedonal. É o fim da "passadeira" onde se morre enganado a pensar que se está seguro. E tudo funciona.
Se o Jipe não pudesse virar, aguardava na via até o poder fazer em segurança. Sabe bem que atropelar um peão num passeio seria trágico.




E novamente o passeio para os peões.
Eficaz e simples!
Elementar meu caro Watson!
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
GLOSSÁRIO PARA SABER LIDAR COM CIDADÃOS “AUTOMOBILISTAS 100%”
GLOSSÁRIO PARA SABER LIDAR COM CIDADÃOS “AUTOMOBILISTAS 100%”
Como surge este Glossário?
Este documento surge após anos de anotações de situações e acontecimentos nas mais variadas áreas e em diversos contextos, onde é possível detectar-se o automóvel como a razão das decisões e dos comportamentos. Trata-se de anotar um "tique" da Sociedade.
Para quem é este Glossário?
Este documento é para todo e qualquer cidadão que tenha que lidar com “Automobilistas 100%” no seu dia, seja ele peão, técnico, ou mesmo automobilista. Pode ser importante saber interpretar conversas e saber estar contextualizado.
O que é um “Automomobilista 100%”?
O “automobilista 100%” difere do automobilista convencional pois este sub-tipo de automobilista assume comportamentos pró-automobilisticos crónicos, com repercussões em vários campos da nossa vida. Caracteriza-se por uma pessoa que geralmente possui carta de condução desde os 18 anos e que vê o carro como meio de transporte natural para qualquer local em qualquer circunstância, não admitindo qualquer alternativa nem querendo conhecer outras opções. Intrasigente na sua opção do carro, ultrapassa o simples automobilista pois modifica a sua vida quotidiana, o tipo de casa e a localização, os locais onde se diverte, a escolha do restaurante, onde faz as compras, a escola dos filhos, as férias sigente na sua posição.
Adquire diversas formas, abrangendo todas as tendências políticas, desde pessoas de direita à extrema esquerda, desde pessoas com elevada qualificação, gestores e donos de empresas, até estudantes, desempregados, deputados, engenheiros, arquitectos ou trabalhadores indiferenciados.
Quando em posições de poder, como donos de empresas ou deputados, ministros ou autarcas, ou então com poder de decisão através de decisões no planeamento urbano, como sendo engenheiros ou arquitectos, podem tornar-se perigosos, pois impõem ao resto da sociedade as suas vontades através das suas decisões, sejam benefícios fiscais aos automóveis de empresas, financiamento continuado da rodovia ou investimentos geradores de tráfego, designadamente a decisão de deslocalização de empresas para ao pé de nós rodoviários.
São particularmente activos porque estão naturalmente organizados e em sintonia mesmo sem se organizarem formalmente ou mesmo sem grande articulação.
Um automobilista é sempre um “Automobilista 100%”?
Não. O automobilista comum é um cidadão que usa o veículo por necessidade, quer por razões profissionais, mas queconhece e admite alternativas. Não constitui um perigo para o resto da sociedade porque não impõe um “modelo rodoviário” aos restantes cidadãos nas suas decisões. Sempre que pode o automobilista comum prefere o transporte público, tem prazer a andar a pé e escolhe a bicicleta como meio de locomoção.
Há “Automobilistas 100” que degeneraram de automobilistas comuns. Raramente se verifica o contrário.
Cuidado! / Warning!
Se for um “Automobilista 100%” deverá tomar precauções na consulta deste documento, sobretudo se estiver convencido de que é um simples automobilista comum. Não nos responsabilizamos por desilusões nem por enervamentos que daqui possam advir.
A
Acalmia de Tráfego – Lombas e Radares, colocados em “pontos negros”. Servem para se travar 10 metros antes ou, no caso das lombas, para se avaliar e procurar locais mais gastos onde não seja necessário abrandar.
ACP – Automóvel Club de Portugal. Associação defensora do automóvel contra os outros meios de transporte.
Aeroporto – Local onde se apanha aviões e onde não se pode chegar de bicicleta por causa das bagagens pesadas.
Andar a pé – Aplica-se ao peão. Pode aplicar-se também ao acto de se transportar durante um dia de forma diferente, nomeadamente à boleia ou de taxi.
Automóvel – Veículo motorizado de 4 rodas. Considerado como bem de primeira necessidade e mecanismo imprescindível para todas as deslocações.
Autocarro – Transporte colectivo para utilização da “população” em geral, normalmente associado a um espaço pouco moderno, apinhado e mal-cheiroso. Veículo barulhento e poluente a precisar de se actualizar.
Alfa-Pendular – Diferente de Comboio (ver definição de Comboio). Comboio rápido, confortável, seguro e limpo, que anda a 220km/h sem ser multado e onde se pode utilizar o Portátil nas viagens e alugar um carro no final.
A5 – Serve para justificar atrasos ocasionais em reuniões com outros automobilistas.
Área de Serviço – Local normalizado e estereotipado para convívio de automobilistas na beira das vias rodoviárias, onde se pára para beber café em copos de plástico a 1.00EUR e onde se pode comprar jornais e ir à casa de banho.
Andar de bicicleta – Actividade de veraneio ou férias. Ocasionalmente aplica-se aos fins-de-semana e exige uso de capacete.
B
Baixa-Chiado - Área Histórica de Lisboa onde se tem restringido o tráfego automóvel de atravessamento e onde se prevê aumentar passeios e melhorar o comércio de rua, mas onde não se percebe como se os automóveis não poderão estacionar à porta da loja.
Bicicleta – Equipamento de recreio e férias. Associa-se obrigatoriamente a uso do capacete e a dias de sol.
Bairro – Área da Cidade contendo várias “Ruas Locais”. (ver definição de Rua Local).
Buraco na Via – Deficiência na via automóvel, com carácter urgente na sua reparação.
Buraco no Passeio – Muitas vezes causado pelo peso dos veículos quando estacionados sobre os passeios, merecem ser reparados assim que possível.
C
Camioneta – O mesmo que autocarro, mas para circular fora da Cidade ou no percurso Cidade-Periferia.
Comboio – Meio de transporte que circula sobre carris e que não se utiliza porque ninguém construiu parques de estacionamento na envolvente às estações. Apinhado e inseguro, está normalmente associado ao não-cumprimento de horários. Pode descarrilar. Não inclui o Alfa-Pendular.
Congestionamento de tráfego – Fatalidade normal e admissível do quotidiano que se verifica nas vias rápidas, estradas e ruas, e que se resolve com mais túneis, viadutos, alargamento de vias e novas variantes. Pode ser utilizado normalmente para justificar atrasos a reuniões com outros automobilistas.
Comércio de Rua – Lojas em zonas residenciais ou comerciais onde outrora se comprava, mas onde não há estacionamento próximo e gratuito.
Combustível – Bem de primeira necessidade e que deveria ser vendido a 0,50EUR por Litro se o Governo não fosse explorador e injusto com os cidadãos.
Centro Comercial – Espaço coberto, confortável e seguro, frequentemente localizados longe de tudo mas próximo de nós de auto-estradas, onde se pode comprar estacionando o automóvel nas caves por baixo do edifício e subir de escada rolante ou elevador.
Ciclista – Utilizador de bicicleta durante as férias, em espaços sem carros, designadamente ciclovias.
Ciclista Urbano – Pessoa invulgar, com uma vida “diferente” e tempo livre. Aventureiro. Aquele que arrisca. Pode associar-se a alguém pobre ou a estudante. Mais compreensível se Estrangeiro.
Ciclovia – É o espaço destinado a ciclistas em actividades de lazer ou veraneio, em ambiente de Praia ou Campo.
Código da Estrada - Define as regras da Estrada garantindo que a mesma é primeiro que tudo para automóveis e só depois para os outros.
CRIL – Auto-Estrada alternativa à 2ª circular
CREL – Auto-Estrada alternativa à CRIL.
D
Descapotável – Carro desportivo sem tecto. Ambicionado por jogadores de futebol e alguns advogados e médicos de meia-idade.
E
Estar “a pé” – o mesmo que estar sem carro, por avaria ou reboque. Pode ser utilizado para sugerir uma boleia a outro automobilista.
Espaço “Drive in” – Equipamento muito moderno e bem planeado onde se pode comprar sem sair do automóvel, sem ser preciso estacionar nem ter que pôr sequer um pé no chão.
Entrecampos – Rotunda de Entrecampos. Ex-Praça.
Eléctrico – Carro Eléctrico. A solução para se poder continuar a andar de automóvel e manter o estilo de vida quando o petróleo acabar ou for incomportável.
F
Faixa BUS – Espaço exclusivo para autocarros e camionetas, mas onde se pode circular normalmente sempre que houver demasiado tráfego nas outras vias e sempre que se quiser virar à direita a pelo menos 200 metros.
G
Garrafão – Garrafa grande, normalmente para colocação de vinho ou azeite. Mar de asfalto na zona sul antes da Ponte 25 de Abril.
GPS – Tecnologia de georreferenciação, desenvolvida inicialmente com fins militares mas rapidamente transformada em mais um auxiliar do automóvel.
H
Híbrido – Automóvel que gasta menos combustível que os outros se for utilizado na Cidade, sobretudo em congestionamentos de tráfego e no “pára-arranca”.
I
Ir “na Desportiva” – ir de transportes públicos a um local, mas muito ocasionalmente, normalmente aos fins-de-semana ou férias.
Ir “pôr moedas no parquímetro” – Genericamente aplica-se a quem tem o carro estacionado no parquímetro e o tempo está ultrapassado. Argumento para interromper reuniões ou chegar atrasado quando em presença com outros automobilistas. Não é substituível por atrasos verdadeiros devido a paragens do metropolitano ou no autocarro, apenas admissíveis para valores inferiores a 10 minutos e utilizados uma vez sem repetição.
IC19 – “Ás de trunfo” utilizado em atrasos injustificáveis de mais de meia-hora em reuniões com outros automobilistas. Pode ser usado com frequência pois é sustentado por grande credibilidade pública e mediática.
J
L
Lugar para estacionar – Espaço público viário ou nos passeios, medido em metros quadrados e onde seja possivel colocar um veículo. Quando definido denomina-se “Lugar de estacionamento”.
Lugar de estacionamento – Espaço definido através de sinalização vertical e horizontal destinado a parquear o automóvel. Pode ser tarifado ou gratuito.
Lugar de Garagem – Equipamento valorizador da Habitação ou do Escritório. Considerado Bem de primeira necessidade no que respeita à Habitação, podendo existir naturalmente até 4 lugares por fogo nas novas habitações ou em obras de requalificação. Sinónimo de importância social quando associado ao local de Emprego.
Logradouro – Espaço não edificado do lote, tendencialmente verde e permeável. Espaço disponível para acrescentos ao edificado, designadamente impermeabilização com estacionamentos privativos.
Lisboa – Capital do País. Cidade com orografia acentuada, também conhecida como “das 7 colinas.”
M
Mafra – Cidade a Noroeste de Lisboa, a hora e meia de distância em transporte público, sem comboio, transformada recentemente em dormitório, designadamente com a construção de várias auto-estradas.
Marquês de Pombal – Mega-Rotunda rodoviária com uma estátua no centro. Final do Túnel do Marquês.
Metro – Comboio subterrâneo, mais limpo, moderno e pontual que o autocarro, que se usa para quando se tem que ir durante o dia ocasionalmente ao Marquês de Pombal, ao Saldanha ou à Baixa.
Motorista – Condutor de veículos automóveis, geralmente de alta cilindrada, para transportar cidadãos com cargos diferenciados.
N
Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) – Equipamento para aterragem de aviões e que exigirá mais milhões de Euros de Investimento numa nova travessia sobre o Tejo.
O
Oficina – Clínica do automóvel onde se paga fortunas anuais para o automóvel estar saudável.
P
Paragem de autocarro – Local desqualificado, exposto e desabrigado, revestido a publicidade para ser vista por automobilistas e onde outros apanham o autocarro ou a camioneta e que é melhor respeitar e não estacionar.
Parque de estacionamento – Bem de primeira necessidade na Cidade contemporânea. Auxiliar precioso do automobilista no acesso a equipamentos. Deve localizar-se preferencialmente no sub-solo dos equipamentos, servido por elevador. Pode evitar se a sua utilização se à superfície existir “Lugar para estacionar”.
Passeio – Local para circulação de peões. Serve para estacionar caso não tenha pilaretes. Espaço de paragem para carga e descarga quando a paragem em 2ª fila não seja possível, por afectar a fluidez do tráfego.
Passadeira – Local onde os peões devem atravessar depois de olharem cuidadosamente e garantirem que não vem um automóvel. Serve para rápidas paragens para carga e descarga desde que utilizando os quatro piscas. Local onde os peões frequentemente se “atiram” para a estrada, colocando em risco a segurança pública de todos.
Pilarete – Ferro a 100,00EUR cada e que impede mesmo o estacionamento sobre os passeios.
Ponte Vasco da Gama – Auto-Estrada de 15km sobre o Rio Tejo, atravessando Zona de Protecção Especial do Estuário e que permitiu o “desenvolvimento” urbanístico dos Concelhos de Montijo e Alcochete.
Ponte Algés-Trafaria – 4ª Travessia do Tejo para ligar a CRIL ao IC32.
Praça de Espanha – Nó Rodoviário com relvados no meio onde é impossivel atravessar a pé sem ter que correr.
Q
R
Rotunda – Equipamento que permite resolver congestionamentos identificados e ligados a cruzamentos definidos.
Rua - Estrada mas com passeios e casas dos lados.
Rua pedonal – Interrupção da circulação e da fluidez natural. Espaço onde infelizmente é proibido circular de automóvel e onde há esplanadas e pessoas a passear.
Rua Local – Rua de Bairro. Atalho para acelerar sempre que as Ruas Colectoras e Distribuidoras estiverem congestionadas.
Rádio – Equipamento de audição contendo um conjunto de estações emissoras com interesses e gostos muito variados, mas cuja característica comum é direccionar as suas programações para quem circula no veículo, esquecendo todos os outros cidadãos.
Revisão anual do veículo – O verdadeiro "Dia sem carro”.
S
Saldanha – Nó viário. Ex-Praça.
Semáforos – Equipamentos reguladores dos cruzamentos, onde se pode passar com o verde, acelerar com o amarelo e se tem mesmo que parar com o vermelho.
Segurança Rodoviária – Conjunto de regras automobilisticas ensinadas a crianças ou adultos peões, de forma a não constituir perigo acrescido para os automobilistas.
SCUT – Auto-Estradas, frequentemente paralelas a outras que se paga portagem, e onde se deveria circular a custo zero para o utilizador, se o Governo não fosse explorador e injusto com os cidadãos.
T
Taxi – Transporte privado alternativo ao carro quando avariado ou rebocado. Equipamento que permite evitar o uso do transporte público nos dias “sem carro”.
“Tagus-Park” – Parque Tecnológico algures entre Oeiras e o Cacém, sem transportes públicos e com a acessibilidade rodoviária custeada integralmente pelos contribuintes, para resolver os congestionamentos que se verificaram após o início do seu funcionamento. Centro da Área Metropolitana de Lisboa nos dias úteis entre as 09:00h e as 19:00h.
Terreiro do Paço - Praça Central de Lisboa, antes um óptimo parque de estacionamento.
Todo-o-Terreno – Automóvel originalmente vocacionado para auxílio a trabalhos agrícolas. Adaptado na Cidade a subir lancis de passeios com altura impossivel para o automóvel comum, permitindo estacionar em qualquer circunstância.
Transportes Públicos – Meios de deslocação para os que não têm alternativa, nomeadamente jovens, idosos e pobres em geral.
Túnel, Viaduto e Variante – Infra-estruturas extraordinárias e úteis que tornam as viagens muito mais rápidas. Modelos a desenvolver em muitos locais onde se verificam congestionamentos mesmo que não haja orçamento público nem justificação. Pode fazer-se por concessão com um privado.
Túnel do Grilo – Local unicamente conhecido por automobilistas e por animadores radiofónicos, algures na CREL.
Túnel do Marquês - Ex-Libris da mobilidade automóvel que representa o sinal da cooperação inter-municipal já que foi paga integralmente pelos cidadãos de Lisboa mas permitir aos cidadãos de Oeiras e Cascais chegar 10 minutos mais cedo de carro ao Centro de Lisboa, enquanto não congestionar e obrigar a construir outro túnel atravessando uma colina da Cidade.
U
Urbano – estilo de automóveis ligeiros capazes de manobrar rapidamente em ruas estreitas e estacionar em qualquer lado.
V
Velocidade 50 km/h – velocidade máxima teórica nas Cidades, a respeitar quando haja policia ou radares nas proximidades.
Velocidade 30 km/h – O mesmo que “pisar ovos”. Circulação reservada a ruas congestionadas.
X
Y
W
Z
Zonas 30km/h – sem tradução legível em 2010 junto de automobilistas 100%
domingo, 5 de dezembro de 2010
TVI: Lisboa e a bicicleta "em alta" na Cidade
Em Lisboa muito se fez já desde os tempos em que a bicicleta na cidade era uma miragem "impossivel", coisa de utópicos sonhadores, numa cidade de "colinas" ao contrário das cidades planas como Amesterdão, onde "aí sim faz sentido".
A bicicleta entrou na Cidade. Entrou, deixando as pantufas à porta e calçando as botas de biqueira de aço.
Não porque tenha destruído algo, mas porque não perguntou aos automobilistas, mais uma vez, se eram "eles" ou "nós" na Cidade. Exigiu o seu espaço e consegui-o.
Em 2007 avisou que ia mesmo entrar. E entrou.
Apresentou a sua estratégia: fazer rapidamente uma Rede de Percursos que seja compreendida pelos Lisboetas como útil, confortável e apelativa, centrada em ligações nas zonas planas da Cidade e ligando os principais equipamentos colectivos e interfaces de transportes. Uma rede para terminar com a desconfiança e com o preconceito. O Mapa é claro: Fez-se parcialmente a rede. Uma parte ainda falta terminar.
Quase 6 MEuros de investimento, boa parte recorrendo a financiamentos europeus e contrapartidas de empresas e instituições.
No final desta fase haverá uma Rede de Percursos dedicada "verde",porque também eles ligam zonas verdes - Monsanto ao Parque da Bela-Vista, Corredor Verde Monsanto Parque Eduardo VII, a espinha do Parque Periférico com a Quinta da Granja, dos Parques dos Olivais ao Parque da Bela-Vista, dos Olivais ao Rio, do Estádio Universitário ao Campo Grande e do Campo Grande à Mata de Alvalade e daí ao Parque da Bela-Vista e ao Rio.
E é já notório o aumento dos ciclistas de uso quotidiano. Utilizadores que aproveitam esta rede "verde" para se deslocar para os empregos.
Mas sejamos claros: para que a bicicleta se afirme de forma duradoira, há outros trabalhos que precisam de ser feitos.
A porta, essa, está escancarada.
A bicicleta tem futuro, tem cidadania, tem gente! Há "Lobby" agora!
Há compreensão da opinião pública para a bicicleta.
A bicicleta é aceite pelos planeadores, pelos projectistas, pelas empresas, pelos transportadores e pela opinião pública.
O trabalho que falta fazer, e para o qual não há tempo a perder são as Zonas 30km/h nos Bairros, colocando a bicicleta a partilhar o espaço com os automóveis, são as faixas BUS+BIKE - espaços partilhados pelos ciclistas e o transporte público em espaços bem dimensionados para que caibam ambos - são as "Bike-Box" nos cruzamentos semaforizados para a bicicleta partir à frente dos carros, são as medidas de acalmia de tráfego um pouco por toda a Cidade e são todas as medidas que directa e directamente retirem tráfego da Cidade.
A bicicleta agradece as pistas de bicicleta para "sair da garagem" mas o futuro será sempre na estrada.
Muitos perdem o seu precioso tempo a criticar o que se fez em Lisboa pela bicicleta até agora, mas parecem esquecer o que ainda falta fazer e exigir que se faça ou, por vezes, quando até lhes cabe o papel de poder vestir o fato-de-macaco e pôr "mãos-à-obra", torná-lo efectivo!
Já aqui há muito tempo afirmei-me esperançado sobre o que falta fazer-se pela bicicleta realmente se faça.
Continuo esperançado, apesar de nada ter mudado desde aí.
domingo, 21 de novembro de 2010
Pelas ECOPISTAS de Portugal
O Património ferroviário desactivado é absolutamente valioso e com um potencial imenso do ponto de vista turistico.
Tendo participado nos Estudos das ligações Chaves - Vila Real (70km) e Sever do Vouga - Vouzela, rapidamente compreendi que os traçados ferroviários em presença não correspondem (na sua maioria das vezes), nem de perto nem de longe, às exigências de funcionamento que uma ligação em comboio exige nos dias de hoje.
É que os percursos sinuosos e os múltiplos apeadeiros, na maioria em ex-aldeias (hoje lugares semi-desertos de gente), constituiria motivos para a sua não utilização.
É pois mais que certo a sua transformação em Ecopistas, caminhos culturais para circulação de bicicleta ou a pé, com potencialidades turisticas enormes!
A infra-estrutura está lá e a atracção que pode proporcionar nos dias de hoje significa grandes oportunidades ao mundo rural para gerar actividade económica e emprego.
O grande erro foi acabar com as ligações de comboio a cidades como Viseu, Chaves ou Bragança, sem se ter proporcionado a alternativa ferroviária ajustada aos dias de hoje.
De Chaves a Vila Real, passando por Vidago, Pedras Salgadas e Vila Pouca de Aguiar o comboio foi-se (e bem!), mas outra linha deveria ter vindo. Mas não veio.
Veio sim a A24. Esse é que o erro. Um grande erro! Ter vindo a Auto-Estrada mas não o comboio. Porquê?
Conheci parte da Ecopista de Évora, ramal de Mora, entre Évora e Arraiolos (21km)
Poucos utilizadores. Muito poucos.
A infra-estrutura é razoável, nada de especial.
Não o teria projectado, assim tão minimalista, nem deixaria de reforçar o pavimento nalguns troços em que, pura e simplesmente, não se precaveu a transformação da estrutura de balastro permeável num pavimento mais impermeável. Em saibro, o pavimento por vezes a degradar-se não esconde com problemas de drenagem e crescimento de arbustos que extravasam os taludes para o espaço canal.
Estações e apeadeiros abandonados, a cair, com graffitis e sujos. Não estão aproveitados!
Paineis de informação escassos e no Concelho de Arraiolos, nem mapa têm!
Não há uma única torneira para se beber água.
Mas faz-se, sem interrupções. E isso é o que mais importa nestas coisas. As melhorias que venham depois!
Faltará garantias que as dezenas de caçadores armados não nos confundam com coelhos. Impressionante, a cada quilómetro um agrupamento pronto a disparar, é um risco para o viajante ciclista em época de caça. Este é o País em que se pode caçar em todo o lado, como se sabe.
Faltará sem dúvida dinamizar-se o aproveitamento turistico das estações e outro património ferroviário, se possivel para equipamentos de dormida e comida.
Há um vasto património para ser aproveitado. A REFER já fez a sua parte na reactivação de algumas destas linhas e o projecto, a nível nacional, não envergonha ninguém, mesmo comparando com Espanha.
Resta agora mais informação e mais envolvimento no aproveitamento destas estruturas pelas autarquias e agentes económicos locais.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
TGV para Madrid? Rapidamente e em força
A propósito da "simpática" e quase certa "descomprometida" disponibilidade da Siemens para "financiar" o TGV
"Siemens disponível para financiar o Governo português na construção do TGV" 
A minha opinião quanto ao TGV, independemente destes financiamentos propostos, é esta:
1) Para Madrid, o TGV deveria ser já, rapidamente e em força, para reduzir o tráfego aéreo Lisboa-Madrid que gera dezenas de vôos diários e 4 milhões de passageiros por ano, acabando por ser uma fatia considerável dos o próprio aeroporto de Lisboa. Aproveitando-se os 80% a fundo perdido da União Europeia ao abrigo das Redes Transeuropeias (RTE) na qual o eixo Lisboa-Madrid fazem parte, seria quase escandalosos não os aproveitar. As alternativas ferroviárias são 10h de comboio a custos nunca inferiores a 80EUR ida e volta. Para mim TGV Lisboa-Madrid, ainda para mais em tempos de crises, deveria ser um projecto incontornável.
Para Bagão Félix a questão é mais simples: TGV não, porque é mais barato ir de Low Cost...É mais barato enquanto o tráfego aéreo não pagar o real preço do seu impacte ambiental. Pagando o verdadeiro preço e sendo o Jet-Fuel um recurso mais raro, a questão mudará de figura.
O TGV pode, por isso, ser um investimento muito rentável no médio-prazo, para cenários realistas dos custos do tráfego aéreo.
O investimento previsto, incluindo a 3ª travessia é estimado em 2.400 Milhões de euros.
2) TGV para o Porto parece-me, por outro lado, totalmente dispensável para já. Habitual "fã" do Alfa-Pendular, que dura pouco mais de 3,5h de distância e pratica em vários troços 220km/h, para quê gastar 3.800 Milhões de euros!? Para poupar uns minutos?
E o TGV vai parar entre Lisboa e o Porto ou vai directo? Se parar terá eficiência temporal? E se não parar terá eficiência financeira?
Se por causa da crise se corta em todas as despesas, mesmo aquelas que possam ter cabimento e poder gerar mais-valias (neste caso económicas, sociais e ainda ambientais, já que é comboio em vez de avião), então não haverá saída para a crise!
IMAGEM AQUI
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Lisbon Cycle Chic
foto: LISBON CYCLE CHIC:
http://www.lisboncyclechic.com/?p=424
Andar de bicicleta no quotidiano é uma mudança de atitude, para muitos, quase impossivel. Lisboa sempre foi motivo de discussão sobre a possiblidade ou não de usar a bicicleta. Em 2007 decidiu-se avançar com uma forte política para o uso da bicicleta.
Muito se discute sobre as decisões mais adequadas para aumentar o uso de ciclistas, e para os fazer circular em segurança.
Sempre defendi uma rede fundamental de Percursos Cicláveis dedicados (em espaço próprio), ganhando espaço de cidadania e fazendo massa crítica.
A bicicleta passou em Lisboa de utopia a uma possibilidade real. De possibilidade a realidade falta ainda outro tanto.
Mas já se fez metade do caminho!
Eu acredito que a bicicleta será uma realidade. Esta senhora prova isso mesmo! A FOTO mostra a utilização de uma das recentes ciclovias de Lisboa (Benfica - Telheiras), onde ainda ontem, em menos de 5 minutos, vi 5 ciclistas, e nenhum deles a fazer desporto. Quando foi inaugurada tenho zero ciclistas. É natural, embora muitos tenham denegrido a importância desta opção, que passou ainda por reduzir de 4 para 2 faixas de rodagem o tráfego nesta via.
Para esta senhora, a decisão de andar de bicicleta fez-se, quase de certeza, pela possibilidade que este percurso lhe proporcionou.
Mas esta senhora não tem, nem terá, pistas cicláveis para chegar a todo o lado. Terá pois que andar com os carros em muitas situações. Para isso, restringir o tráfego é fundamental e, muito importante, reduzir-lhe a velocidade.
E depois educação e civismo.
É importante que as pessoas percebam que podem andar na estrada, em condições de pouco tráfego e velocidades reduzidas.
Em paralelo ao trabalho das ciclovias, tem que ser feito o trabalho de compatibilização dos ciclistas na estrada. É urgente que se faça!
As zonas 30 e a circulação na faixa BUS podem ser impulsos decisivos e têm que acontecer.
Não há tempo a perder. De que estamos à espera?




