domingo, 28 de fevereiro de 2010

Carta a Pedro Marques Lopes

Caro Dr. Marques Lopes,

Sou Duarte d´Araújo Mata.
Não me conhece, mas pelo seu perfil público tomo a liberdade de o contactar via e-mail.

Costumo acompanhar com atenção a sua argumentação no "Eixo do Mal" com muito interesse. Penso que tem boa presença e consegue explanar bem as suas ideias e opções. Pelo menos até ontem dia 27/02/2010.

Ontem, perante a discussão do tema das cheias da Madeira, e perante variada informação que agora vem a público sobre a catástrofe "anunciada", refere o Dr. Pedro Marques Lopes que não são "meia dúzia" que aparecem "agora"que vão contrariar a ideia que tem que o Dr. Alberto João Jardim costuma "decidir normalmente bem".
Custa entender esta sua argumentação! Tem a impressão que Jardim decide bem? Perante factos objectivos, em vez de ponderar essa crença, põe em causa os tais factos?
Não só não são "meia dúzia" os técnicos e políticos que isto vêm alertar como não aparecem agora apenas depois da catástrofe. Já antes falavam nesta questão, como o programa "Biosfera" da RTP em 2008 é disso exemplo. Antes da catástrofe. Muito antes. Há outras fontes para além deste Programa, como muito bem sabe, designadamente um conhecido artigo, recentemente revelado, de um silvicultor já falecido, Cecílio Gomes da Silva, no DN da Madeira em 1985.

O desrespeito ambiental não são crenças. São coisas mensuráveis! E têm repercussões sempre dramáticas, inclusivé ao nível económico.

Se há coisa para que esta catástrofe poderia servir seria para lançar de vez a discussão deste flagelo que é o desordenamento do território. Seria mais importante que negar o que aconteceu ou julgar que é devido a chuvas intensas somente ou tentar reduzir a um debate "político" irrelevante e inconsequente.

Até hoje nunca tinha reparado qualquer posicionamento seu assente na crença contra a explicação ou pelo menos a justificação da ponderação de argumentos.
E fiquei muito desiludido, acredite. Pelo precedente.

Deixo-lhe outra fonte de inspiração, de alguém que apareceu muito antes desta e de outras catástrofes semelhantes em Portugal: Gonçalo Ribeiro Telles:

http://bioterra.blogspot.com/2009/06/arquitecto-goncalo-ribeiro-telles-em_6603.html


Compreenda o meu à vontade de o contactar,
Aceite os meus cumprimentos
Duarte d´Araújo Mata
Arquitecto Paisagista

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Está quase, em Carcavelos

Na Rebelva - Carcavelos, está quase pronto o projecto que coordenei com uma equipa de vários colegas, a Ana Paiva, a Inês, o Rui, A Marta e o Fernando, que foi gerido na fase projectual pela Câmara Municipal de Cascais e construída depois pela EMAC.

Após meses de projecto e vários meses de obra, o resultado agrada-me! Trata-se de uma intervenção de requalificação dos espaços exteriores, infelizmente quase sem tocar nas ruas e no espaço viário de forma a reduzir a velocidade automóvel, que introduz fortemente os conceitos da racionalização da manutenção como ponto de partida para o desenho de projecto. Ou seja, as opções de projecto assentam em pressupostos de poupança de água, maior resistência da vegetação e dos materiais e na possibilidade de redução drástica de homens/hora na manutenção.

Através da criação de remates orgânicos que resolvem os pisoteios, o espaço define e trabalha as áreas de recreio activo através de um campo de jogos tradicionais, um campo de futebol em relva, e formaliza a maioria das áreas relativas a zonas verdes de enquadramento.

Há áreas de pracetas intimistas, onde as pequenas estadias e a vegetação mediterrânica tocam a casa e chamam à conversa dos vizinhos.

Há também pracetas que miram a Paisagem a Nascente. Há um percurso pedonal e ciclável norte-sul que permite um atalhar para a estação de comboios. Finalmente, um espaço de hortas comunitárias, uma das minhas grandes esperanças nesta intervenção, que tem gerado enorme interesse dos futuros interessados.


Está quase pronto!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Mas que "abutre"!...

Para o geógrafo Raimundo Quintal, "mais laurissilva significará menor risco de aluvião" e a recuperação da floresta indígena, para além dos benefícios no domínio da biodiversidade, garantirá uma maior infiltração de água e uma protecção mais eficaz dos solos. Além disso, para minimizar os efeitos das cheias, diz ser necessária uma gestão cuidada dos canais de escoamento e políticas urbanas que impeçam a instalação de explorações agrícolas, habitações e armazéns nos leitos de cheia. Até porque "parte do que agora aconteceu é o resultado de 33 anos de Madeira "nova" - uma Madeira sem modelo, sem planeamento e governada para ganhar eleições".

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Duarte d´Araújo Mata

De um "abutre" para Alberto João Jardim

Depois de ter assistido ontem apenas a 2 minutos da entrevista de Alberto João Jardim à jornalista Judite de Sousa na RTP, fiquei a saber que pertenço ao grupo dos "abutres" e do grupo dos que tenta deitar abaixo a obra "bem feita" da "autonomia" para aproveitamentos políticos.
 
Fiquei a saber que só as ditas obras da "autonomia" ficaram de pé (excepto algumas pontes, estradas, casas e caves de centros comerciais)...
 
Foi a Madeira de Alberto João Jardim que ficou a nú com a enxurrada.
 
Via "Âmbio", fica uma proposta do programa "Biosfera" da RTP que dedico inteiramente a Alberto João Jardim. Não que ele precise deste material porque também já o vi nestes dias a decidir, em frente aos Media, mais um viaduto. Mas pelo menos para todos quantos vivam e trabalhem na Madeira poderem saber que há "outros" caminhos para o progresso.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

(Via âmbio): O Profeta e a Madeira

"(...)
O Presidente do Governo Regional, evidentemente nega qualquer responsabilidade, atribuindo toda a situação ás brincadeiras de deuses aborrecidos. Quem critica é obviamente «canalha» e «gente frustrada»: http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=163722

Via Arrastão, deixo uma parte de um texto escrito pelo Eng. Silvicultor Cecílio Gomes da Silva no "Diário de Notícias" da Madeira .

"Oxalá que nunca se diga que sou profeta. Mas as condições para a
concretização do pesadelo existem em grau mais do que suficiente.

Os grandes aluviões são cíclicos na Madeira. Basta lembrar o da Ribeira da Madalena e mais recentemente o da Ribeira de Machico. Aqui, porém, já não é uma ribeira, mas três, qualquer delas com bacias hidrográficas mais amplas e totalmente desarborizadas. Os canais de dejecção praticamente não existem nestas ribeiras e os cones de dejecção etão a níveis mais elevados do que a baixa da cidade. As margens estão obstruídas por vegetação e nalguns troços estão cobertas por arames e trepadeiras. Agradável à vista mas preocupante se as águas as atingirem. Estão criadas todas as condições, a montante e a jusante para uma tragédia de dimensões imprevisíveis (só em sonhos)."

13 DE JANEIRO DE 1985

texto completo:
http://arrastao.org/sem-categoria/oxala-que-nunca-se-diga-que-sou-profeta/
(...)"

Parte da nossa vida é uma Password

Não tinha ainda passado por esta sensação estranha que é ter uma boa parte da nossa vida associada a um mundo virtual.
Talvez uma espécies de "second life".
A verdade é que à medida que vamos construindo o nosso universo "Google", associando mails, perfis, documentos, backups, históricos, sites, blogs, etc, uma coisa é certa: convém conseguir entrar neste nosso mundo!
Caso não o consigamos, a sensação é mais ou menos semelhante a vir à rua em roupa interior (nunca o faria!) pôr o lixo e deixar fechar a porta de casa com a chave lá dentro e pensar que só de manhã conseguiriamos voltar a entrar!
O "Google" é uma instituição que está presente nas nossas vidas mas não tem um balcão, um rosto, uma morada. Como diria o outro: " anda por aí".
Enviamos um mail de ajuda e esperamos dando um mail alternativo. Preenchemos formulários e esperamos. Recusam-nos a chave de casa. Insistimos em provar que a casa em nossa. Pedem-nos que descrevamos a nossa gaveta, que digamos quantas camisas temos e quantas têm gola. Descrevemos. Eles sabem o que temos na nossa gaveta da roupa e vão investigar de forma automática. Recusam. Perguntam-nos quando comprámos as camisas. Não me lembro bem. Mas eles sabem! Deito-me angustiado com a ideia de ter morrido uma parte de mim inesperadamente, sem avisar, a 23 de Fevereiro de 2010.
Durmo ao frio na rua com a roupa do corpo. Dormir na rua é incómodo e o sono demasiado leve e sobressaltado.
Acordo de manhã. Vejo no mail alternativo que, depois de várias insistências, admitem que a casa é minha!
Dão-me uma nova chave e tudo!
Abro a porta e entro. Está lá tudo!
Tomo banho, visto-me, desfarço as olheiras e saio para o trabalho.
 
Afinal, ainda não foi ontem.

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Duarte d´Araújo Mata

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ainda as linhas de água, mas agora em Lisboa

Créditos da fotografia:
 
Rua de São José, em Lisboa, na manhã de 23 de Fevereiro de 2010, conforme assinalado em:
 
 
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