terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Democracia e Estado de Direito (mas só quando as decisões nos interessam...)

 
Sobre a greve na CP:
 
"O tribunal arbitral só decretou serviços mínimos para os suburbanos de Lisboa e Porto, que abrangem 25 por cento da circulação habitual – mas mesmo esses podem não se realizar, como sucedeu na última semana." in Público.
 
Isto é a democracia à Portuguesa, ou seja, só quando cónvém: Mais uma vez, o Sindicato não respeitou as ordens do tribunal para os serviços mínimos. CONFERIR AQUI
Uma vergonha!...
 
O direito à greve é fundamental ser respeitado, mas há serviços básicos que têm que manter serviços mínimos - Hospitais, Transportes -. Se os Hospitais respeitam, porque não o fazem os Transportes?

PS: Se não fosse a minha bicicleta estava tramado...


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Crónica de uma desgraça ambiental e económica anunciada

Imagem AQUI
 
 
 
Sobre o Alqueva:
 
"o modelo só é sustentável se houver uma gestão integrada das valências agrícola, energética e turística"
(...)
 
"O problema é que "estamos a falar de agricultores habituados à agricultura de sequeiro", refere Pedro Silva, coordenador do estudo da KPMG."
(...)
 
"Sejamos claros", observa o ministro da Agricultura, António Serrano, chamando a atenção para um facto incontornável: "Sem apoios do Estado, não há regadio que seja viável", garante, chamando a atenção para o investimento "brutal", superior a dois mil milhões de euros, que, numa perspectiva económica e financeira, não serão recuperados "nem daqui a 40 ou 50 anos."
(...)
 
"Para mitigar os resultados financeiros negativos resultantes do baixo consumo de água, causa directa do tipo de culturas que Alqueva suporta actualmente, "evidencia-se a necessidade" de potenciar a gestão integrada da valia agrícola, energética e turística."
(...)

Ao mesmo tempo, o estudo defende que seja a "EDIA a fazer a gestão global do perímetro de rega", competindo aos agricultores pugnar para aderirem a culturas que consumam "muita água", propõe Pedro Silva.
(...)
 
 
Resumindo: O Alqueva é insustentável, não tem retorno económico para o fim que foi criado, é um desastre ambiental promotor de alterações climáticas e gerador de pedras de Biodiversidade, gerando poluição aquífera. Sendo o Alentejo um território apto a culturas de sequeiro, sendo a água um auxiliar à produção e não a fonte principal, sugere-se que a vertente turistica seja incorporada no processo, como aliás já vem acontecendo através de aldeamentos e campos de golfe.
Muito bizarro é este estudo referir, em nome dos gastos de água, que caberá aos agricultores optarem por culturas mais gastadoras de água!




domingo, 6 de fevereiro de 2011

Já falta gás ao repuxo!

Um dia apareceu de repente, no meio da baía de Paço d´Arcos, um peculiar anúncio a uma marca de bebidas, uma "gargalo" de garrafa envolvendo o repuxo existente.
Pela surpresa e ousadia, pode-se até dizer que foi uma ideia boa, com graça. Foi.

Mas, passados muitos meses, ali se mantém. Pergunta-se: era uma iniciativa para a eternidade? Foi ao abrigo de um Protocolo ou paga as taxas de publicidade? Quanto pagará? Não deveria ser temporário?

Como já não tem mais graça, estava bem na hora de o remover!


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Agricultura "Humana"

É costume chamar-se agricultura urbana a toda a agricultura feita, mais ou menos de forma expontânea, no meio urbano.
Na verdade, como é o caso que a foto explicita, entre a CRIL e a Estrada da Circunvalação, acontece uma agricultura, mais do que urbana, verdadeiramente..."humana"!
Uma vala pluvial marca uma linha de água torrencial, cujas paredes foram trabalhadas à mão com pedra solta e madeiras e, nas suas "margens", verdadeiros "terraços aluvionares" são cultivados palmo a palmo.
O esquema de gestão da água é verdadeiramente extraordinário: Barris reaproveitados de óleos ou tintas armazenam a água da chuva, quando cai. Espantalhos e casas de ferramentas feitos de resíduos. Com a colocação dos paineis sonoros, está criado uma micro-Paisagem, resguardada da envolvente.
 
O potencial destas dezenas de braços que, sem condições, tiram proveito de palmos de terra mostram bem a discrepância entre o comum desenho de espaços verdes, desenhados em atelier para serem mantidos por uma qualquer empresa de jardinagem, de forma mais ou menos automática e tantas vezes sem daí haver um aproveitamento total do espaço (na óptica das necessidades dos cidadãos).
Não defendo uma agricultura urbana desqualificada, no limite do desumano, como não defendo que as pessoas tenham que lavar as suas roupas em lavadouros públicos de água gelada (ou em ribeiras) ou outras situações semelhantes.
Mas que há que aproveitar e tirar partido desta força humana imensa disponivel para os nossos espaços verdes! Disso não há qualquer dúvida.
 

Dedicada a todos os meus amigos e conhecidos licenciados explorados a recibos verdes, numa qualquer empresa perto de si

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fechar algumas linhas férreas não deixa de ser a coerência absoluta


IMAGEM AQUI


A propósito da notícia "Portugal perdeu 43 por cento dos passageiros de comboio em 20 anos" em:


Nada mais coerente!

Milhões para auto-estradas e zero para comboios nas últimas décadas.
Agora, ninguém anda nalgumas linhas férras. Pudera! Meia dúzia de comboios velhos e barulhentos por dia, a serpentear a 40km/h por traçados antigos e aldeias desertas.
Neste estado até eu defendo que se devem fechar!*

Mas devia ser o início de um novo ciclo de aposta numa rede ferroviária nacional moderna e competitiva que ligue cidades e capitais de distrito. Uma aposta numa nova ferrovia, moderna, útil e competitiva, que ligue directamente cidades e que permita chegar a todas as Capitais de Distrito. É um novo futuro que se exige.
Agora, não é fechar só porque dá prejuízo. Não é só fechar porque sim. Porque dar prejuízo até as as estradas que fazemos dão, e cujos custos indirectos nunca chegam a ser contabilizados.

*Lamento o tom diria "paternalista" de alguns (urbanos) ecologistas a defender a manutenção de certas linhas férreas que já ninguém usa, com traçados sinuosos, velocidades comerciais mínimas e horários pouco mais que escassos.
Defender a manutenção do que existe é defender o tradicional e o bucólico, mas para os outros.
Isso não. Haja coerência.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sobre um desenho urbano simples e eficaz

Há quem pense que para fazer desenho urbano de acalmia de tráfego é preciso primeiro entortar eixos de via, tornar tudo assimétrico e irregular, por vezes descaracterizando completamente o arruamento com curvas e contracurvas, obstáculos e sinais.

Por vezes, basta adoptar alguns conceitos bem simples para tudo ser coerente e eficaz. Vejamos um excelente exemplo, no Porto:

Faixa de rodagem estreita, passeios largos e desimpedidos e árvores fora do espaço pedonal, entre os lugares de estacionamento, chegadas o mais possivel ao eixo de via, permitindo crescer sem impedimentos e acentuar a acalmia de velocidade de quem circula.


Manter o passeio à cota, obrigando o veículo a subir à cota do passeio e descer do outro lado. Não há dúvidas de quem foi considerado prioritário neste cruzamento. Isto adequa-se em ruas locais em que se pretenda velocidades muito baixas e onde assim se permite, sem cortar a rua, o acesso a moradores e comerciantes.

Atente-se nesta sequência. O Jipe aproxima-se e vai virar à esquerda. Ao contrário do habitual, aqui terá que perceber se está em condições de virar, pois terá que ultrapassar espaço pedonal. É o fim da "passadeira" onde se morre enganado a pensar que se está seguro. E tudo funciona.
Se o Jipe não pudesse virar, aguardava na via até o poder fazer em segurança. Sabe bem que atropelar um peão num passeio seria trágico.








E novamente o passeio para os peões.
Eficaz e simples!
Elementar meu caro Watson!
 
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