segunda-feira, 11 de abril de 2011

Acaba por vir "na linha" dos últimos 30 anos de políticas agrícolas da UE...

Da União Europeia poderá estar para chegar uma medida verdadeiramente devastadora da nossa economia, do nosso património cultural e natural: uma Lei que regulamenta e certifica todas as Sementes.
 
Mais do que querer ser contra a certificação, o que realmente é grave é a muito residual margem que é deixada às culturas regionais.
 
Na prática, os agricultores não podem semear a partir das suas próprias sementes! Tudo passará por apertados processos de certificação que, na prática, concentrarão tudo em sementes homologadas por meia dúzia de empresas do ramo, assente em espécies convencionais. 
 
Já vimos isto no passado e já sabemos como acaba: acaba-se a pequena agricultura, acaba-se as culturas locais, tudo ficará normalizado.
 
O comércio de sementes não pode acabar como o resto da nossa agricultura, numa altura em que a agricultura local e de proximidade, potencialmente biológica e diversa, via uma oportunidade para renascer.
 
Esperam-se protestos, esperamos que firmes e consequentes junto do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Agricultura Urbana em Congresso, por estes dias

IMAGEM AQUI
 
Depois de anos e anos, gozando Gonçalo Ribeiro Telles por defender hortas nas Cidades (ou que os relvados fossem substituidos, sempre que possivel, por prados e predados por...ovelhas, em vez do corta-relvas), eis que um Município em Portugal (o Seixal) organiza um congresso internacional sobre o tema.

Com a crise em pano de fundo, percebe-se como importante é aplicar medidas de planeamento ambiental no território, que geram a chamada "RESILIÊNCIA" no território, constituíndo mecanismos de redução de despesa e capacitação das populações para reduzir gastos em deslocações, em energia e ainda custos financeiros associados.
 
Mais importante teria sido aplicar estas políticas como mecansimos de transição, para que agora estivessemos preparados com...RESILIÊNCIA.
 
Mas assim não foi, como todos sabemos, e será certamente agora, em tempos de crise, que uma transição, mais abrupta do que o desejável e mais dolorosa do que o necessário, se terá que fazer.
 
PS: não deixa de ser curioso constatar que há sempre quem aproveite os conceitos para os "adaptar" às circunstâncias. Agricultura urbana é uma ferramenta que, integrada no território, constitui um mecanismo activo de resiliência. Em Toronto, por exemplo, a agricultura urbana aparece fortemente associada à construção de novos edifícios, em terraços, num "evento" chamado "Cidade Cenoura". Será a agricultura urbana a "cenoura" para mais construção?

terça-feira, 5 de abril de 2011

Apontamentos em tempos de austeridade

A despesa em Espaços Verdes:

Foto do Projecto da Quinta do Zé Pinto (no Facebook)

Em Campolide (Lisboa), 3 hectares de zona verde são uma resposta barata, eficaz, funcional e...até divertida para a crise financeira. Apesar de ridicularizados pela opinião pública quando, no Verão, de cereais de Verão se tratava (no caso girassóis), no Outono / Inverno é sempre mais fácil achar-se que se está verde...

Fazer do conceito de espaços verdes jardins floridos e relvados é, actualmente, impossivel. Impossível porque não há verba para essa construção, uma vez que estará cativa a problemas mais urgentes e mais prementes. Impossível porque cada metro quadrado de novo espaço verde significa um custo permanente desde o momento da inauguração.

Ainda há quem goze o Prof. Ribeiro Telles pelas Hortas Urbanas em vez de jardins e pelos rebanhos de ovelhas em vez de corta-relvas?


Transportes públicos e a revisão do défice de 2010"

"É preciso chegar à Refer, CP ou Metro do Porto e ver o serviço que prestam e qual é serviço público, porque nem todo o é. Depois, é necessário ver quanto custa e se estamos dispostos a pagar o preço [que pedem], porque podemos não estar", avançou no Clube dos Pensadores, em Gaia.  AQUI

O transporte público cumpre um papel fundamental nas sociedades modernas. Não podemos ficar espantados se em termos contabilisticos der prejuízo.
Isto porque as vantagens (o equivalente a parte da receita) está nas poupanças que os cidadãos fazem ao utilizá-los.
 Vejamos algumas "receitas" directas e indirectas para o Estado pela utilização de transportes públicos:

1. Menor endividamento das famílias por compra de carro próprio, gasolinas, oficinas, portagens, seguros, acidentes, etc, libertando investimento para outras áreas.

2. Menor carga viária, logo menor investimento do Estado em vias, logo menos despesa.

3. Menos custos com acidentes viários, congestionamentos, logo  poupança na saúde e na segurança social para o Estado. Poupanças de todos por chegarmos a horas ao trabalho. (nota: em dia de greve do metro de LIsboa, bem se percebe as vantagens do transporte público!...)

4. Menos poluição atmosférica, logo poupanças na saúde e no restauro de património.

5. Libertação de espaço público para outros investimentos, com influência na requalificação urbana e no comércio de proximidade.


Estamos a entrar em tempos perigosíssimos para os cortes contabilisticos. O ordenamento do território, o ambiente, o transporte público, no fundo a sustentabilidade ambiental, contabilisticamente, estarão por estes dias muito expostos a cortes por via do facto de  representarem despesas. Há que perceber que há poupanças a vários níveis que em muito compensam os gastos.
E não ver isso será, isso sim, gravíssimo. As crises podem servir para mudarmos de rumo, não para acentuar os erros.

quinta-feira, 31 de março de 2011

A satisfação de um projecto que funcionou!



Os tempos são para fazer projectos como este em S.João da Rebelva, Carcavelos, no Concelho de Cascais.
Lembro-me de ter avançado com esta ideia um pouco a medo... A aceitação das pessoas e dos políticos foi total, desde a 1ª hora.

Com este exemplo que a reportagem demonstra, fica o repto a todos os meus colegas arquitectos paisagistas: façam projectos que sirvam as pessoas, ecológicos, baratos e funcionais.
Não há outro caminho!
Chega de estereótipos, de projectos que só se lêem em planta. Chega de soluções dispendiosas na construção e de manutenções incomportáveis.
Os espaços verdes sustentáveis são uma saída para a crise!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Nós, o lixo

Imagem: "Bartoon" de 30/03/2011
 
Começo seriamente a admirar os países que consideraram "lixo" estas agências de notação financeira que escolhem alvos precisos para os predarem, chantagearem e explorarem.
Ontem a Grécia, depois a Irlanda, agora nós e amanhã a Espanha, que está já assustada. Eles sabem que são os próximos...
A Bélgica e o Reino Unido? Não, eles são "diferentes", apesar dos défices elevados!
 
Há tempos um economista avisava que estas agências tratam de forma diferente os Países do Norte dos do Sul da Europa, por razões de... "credibilidade"...
 
Desejo, mas infelizmente não espero, que Portugal um dia chame "lixo" a esta chantagem, se calhar apoiado em outros "alvos" semelhantes e que adopte uma postura "Islandesa", decidindo não pagar, por exemplo. Se tomar a decisão sózinho não conseguirá, mas se forem 3 ou 4 Países em conjunto, porque não?
Temos que começar a pensar em não fazer cimeiras em Berlim, mas sim em Atenas, Dublin ou Madrid.
 
Mas isto não desculpa claro termos que racionalizar o nosso estado, torná-lo funcional e eficiente. Não podemos, como certas sensibilidades insistem, em não querer mudar de vida, em querer manter tudo exactamente na mesma, como se nada se passasse. Para isso tivemos a URSS e o bloco de Leste.
Um dia, não havia mais dinheiro para pagar a ninguém. Caiu tudo. E foi a miséria.
 
Também sei que atitudes drásticas vão gerar turbulência nos períodos sub-sequentes.
Vai haver falhas, privações e angústias.
 
Mas, por este caminho, será diferente?

domingo, 27 de março de 2011

Fui aprender a poupar, aqui mesmo ao lado







Regressado do Velo-City 2011, em Sevilha.

Uma cidade que. em 4 anos (!) construiu 120km de infra-estrutura ciclável e que passou de 0.2% de utilização para 6.8% quotidiana. Yes, they can!

Mais do que o exemplo de Sevilha, que apesar do aumento significativo de bicicletas mantém o seu carácter rodoviário e uma má qualidade genérica do espaço público extra bairro histórico, ficou na mente os vários exemplos partilhados por muitas cidades que puxam os seus Países para cima, fazendo poupanças extraordinárias...em estradas e espaços viários!

Mais espaço público e menos carros é mais rapidez e eficiência na mobilidade.
Mais espaço público em vez de só carros é mais gente a comprar local e a revitalizar as ruas.
Mais espaço público em vez de tantos carros é mais empresas e pessoas a voltarem aos centros, é mais eficiência no planeamento, é menos subúrbios sombrios, é mais eficiência no aproveitamento de redes de infra-estruturas existentes e menos dinheiro gasto a construir novos arruamentos, novas redes de águas e drenagem, é menos despesas de manutenção.

Yes, they can! Em Espanha mais de 11.000 pessoas já trabalha diariamente em sistemas de bicicletas de uso partilhado, esperando-se que o número alcance as 78.000 até 2020.

Não haja dúvidas: equilibrar o orçamento só se faz com Cidades equilibradas, não necessariamente em cortar um pouco em tudo para que tudo fique na mesma.
Senão, podem mudar de Governos as vezes que quiserem que isto não mudará.
Eu disso não tenho dúvidas...

terça-feira, 22 de março de 2011

Não cortar as 2 pernas, nem tirar as 2 rodas, senão...

Enviaram-me este e-mail:


"Estudo do Economista Álvaro Santos Pereira,

Professor da Simon Fraser University, no Canadá. *

Portugal tem hoje 349 Institutos Públicos, dos quais 111 não pertencem ao sector da Educação. Se descontarmos também os sectores da Saúde e da Segurança Social, restam ainda 45 Institutos com as mais diversas funções.

Há ainda a contabilizar perto de 600 organismos públicos, incluindo Direcções Gerais e Regionais, Observatórios, Fundos diversos, Governos Civis, etc.) cujas despesas podiam e deviam ser reduzidas, ou em alternativa – que parece ser mais sensato – os mesmos serem pura e simplesmente extintos.

Para se ter uma noção do despesismo do Estado, atentemos apenas nos supra-citados Institutos, com funções diversas, muitos dos quais nem se percebe bem para o que servem.

Veja-se então as transferências feitas em 2010 pelo governo socialista de Sócrates para estes organismos:

ORGANISMOS

DESPESA (em milhões de €)

Cinemateca Portuguesa

3,9

Instituto Português de Acreditação

4,0

Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos

6,4

Administração da Região Hidrográfica do Alentejo

7,2

Instituto de Infra Estruturas Rodoviárias

7,4

Instituto Português de Qualidade

7,7

Administração da Região Hidrográfica do Norte

8,6

Administração da Região Hidrográfica do Centro

9,4

Instituto Hidrográfico

10,1

Instituto do Vinho do Douro

10,3

Instituto da Vinha e do Vinho

11,5

Instituto Nacional da Administração

11,5

Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural

12,3

Instituto da Construção e do Imobiliário

12,4

Instituto da Propriedade Industrial

14,0

Instituto de Cinema e Audiovisual

16,0

Instituto Financeiro para o Desenvolvimento Regional

18,4

Administração da Região Hidrográfica do Algarve

18,9

Fundo para as Relações Internacionais

21,0

Instituto de Gestão do Património Arquitectónico

21,9

Instituto dos Museus

22,7

Administração da Região Hidrográfica do Tejo

23,4

Instituto de Medicina Legal

27,5

Instituto de Conservação da Natureza

28,2

Laboratório Nacional de Energia e Geologia

28,4

Instituto de Gestão do Fundo Social Europeu

28,6

Instituto de Gestão da Tesouraria e Crédito Público

32,2

Laboratório Militar de Produtos Farmacêuticos

32,2

Instituto de Informática

33,1

Instituto Nacional de Aviação Civil

44,4

Instituto Camões

45,7

Agência para a Modernização Administrativa

49,4

Instituto Nacional de Recursos Biológicos

50,7

Instituto Portuário e de Transportes Marítimos

65,5

Instituto de Desporto de Portugal

79,6

Instituto de Mobilidade e dos Transportes Terrestres

89,7

Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana

328,5

Instituto do Turismo de Portugal

340,6

Inst. Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação

589,6

Instituto de Gestão Financeira

804,9

Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas

920,6

Instituto de Emprego e Formação Profissional

1.119,9

TOTAL.........................

5.018,4

- Se se reduzissem em 20% as despesas com este – e apenas estes – organismos, as poupanças rondariam os 1000 milhões de €, e, evitava-se a subida do IVA.

- Se fossem feitas fusões, extinções ou reduções mais drásticas a poupança seria da ordem dos 4000 milhões de €, e não seriam necessários cortes nos salários.

- Se para além disso mais em outros tantos Institutos se procedesse de igual forma, o PEC 3 não teria sequer razão de existir."

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Não posso deixar de criticar o "menu" de cortes que aqui são propostos!

É o perigo de deixar os economisrtas gerir o País (sózinhos): Corta-se a direito! 20% aqui, funde-se ali e já está, poupa-se logo "xx" milhões! Está resolvido, que simples!

O problema está em que há sitios em que se deve cortar 20%, outros deve-se extinguir mas há outros em que é inevitável aumentar.

Ninguém tem dúvidas que há "gorduras" no Estado. Mas não podemos deixar que o contexto de dificuldades permita uma "agenda" de cortes cegos.

Faz lembrar o poster do BE em que, muito bem, se percebe que se cortarmos 20% de uma bicicleta, no caso as 2 rodas, os 80% que restam pura e simplesmente não funcionam. Será que é isso que alguns pretendem?

IMAGEM AQUI













 
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