terça-feira, 17 de maio de 2011
Andava aos poucos a encher a mão: e aqui estão!
sexta-feira, 13 de maio de 2011
No comboio descendente, conversas à rasca e gerações à rasca
No comboio descendente:
O mal dos transportes públicos será sempre, a meu ver, não a qualidade do serviço, conforto ou pontualidade, mas sim algumas das conversas que temos que suportar dos vizinhos incógnitos que nos acompanham em viagem.
Outro dia, em tom largamente ampliado, uma mulher conversava abertamente com o seu ex-marido sobre o estado das suas vidas.
" - és feliz agora com ela, eu sei, e eu cá me vou aguentando (...)"
Em silêncio, a carruagem seguia aterrada o evoluir dos pormenores e dos detalhes da civilizada conversa...
Eu mudei de carruagem!
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Conversas à rasca:
Mas, ainda ontem, dois jovens universitários, do ISEG percebi, discutiam no comboio e de forma intensa, não a situação económica do País, não o seu futuro, não os estudos, mas sim a festa da semana passada, a festa do fim de semana passado, a festa do próximo fim de semana, a festa do mês que vem, enfim, as festas!
" - epá, vem lá, apanhas uma "buba" num instante e barata. Os "shots" são 1 euro apenas!!"
" - nãã...a sério? Eu tou sem guita!!"
" - epá, empresto-te, vais lá, apanhas a "piela" e "bazas"!!"
Mas o pior desta conversa estava para vir...
" - epá, a "Rita" faliu-me que adorou uma festa em Aveiro!!"
" - tás a gozar: então a "gaja" engravidou nessa festa. Não me admira que tenha gostado"
O tom leviano desta afirmação fez-me levantar instantaneamente do meu lugar e mudar-me para a outra ponta da carruagem!
Como é possível este tipo de discurso, esta absoluta falta de respeito para com os sentimentos, para com os valores mínimos da vida privada e da vida em comunidade?
Como é possível discutir-se desta forma, em voz alta, num espaço cheio de gente, com todos a ouvirem esta falta de nível, com todos a saberem que engravidar numa festa foi como "apanhar uma buba", foi ter "gostado mesmo muito da festa", com todos a saberem que afinal 90% das preocupações destes jovens serão as festas, as "mocas", as "bubas",...
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Gerações à rasca:
Vejo com muita apreensão o nível da linguagem e as preocupações, sobretudo de muitos jovens, aliado à desqualificação geral do ensino e a degradação dos valores da vida colectiva.
Muitas praxes durante meses a fio, muitas festas,muitas "bubas", muitos "gadjets", tão poucas preocupações!
Estas gerações querem ir de carro para a Universidade, vão de carro sair à noite e se possível estacionam por baixo da discoteca, têm 1 ou 2 telemóveis mas queixam-se muito do seu futuro e do seu País.
O futuro, se vai fazer-se com estas gerações, deixa-me mesmo muito preocupado.
Oxalá esteja enganado!
terça-feira, 10 de maio de 2011
Visitas aos centros comerciais caem 11,2 por cento
domingo, 8 de maio de 2011
"A Rua da Estrada" II
Quem tudo quer mostrar, nada consegue!
Depois da "A Rua da Estrada" de Álvaro Domingues, passei a olhar para estes fenómenos de outra forma.
Esta foto é no Concelho de Albufeira, Algarve.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Esta então toda a gente vê!
Este Shopping nasceu literalmente no meio de nada!
Enquanto era construído, o dinheiro dos contribuintes financiava uma complexa rede viária para se poder aqui chegar. Dizem que é o maior da Europa.
É a ideia de um mundo próprio que levita sobre um território qualquer, não interessa qual, onde se chega só de carro, muito dificilmente de transporte público e nunca a pé.
Não sei bem onde fica, nunca lá fui e não pretendo ir.
Este tipo de estruturas nestes locais é, a meu ver, uma das causas da ruína das Cidades e do comércio de rua (tradicional ou moderno), é a negação do urbanismo e um enorme gerador de tráfego.
Assisti a uma conferência do Prof. Augusto Mateus em Lisboa em que afirmou não ver futuro neste tipo de estruturas e acreditar na renovação e na retoma das cidades e da rua.
Estes anúncios em estações de comboio já me soam a desespero...
domingo, 1 de maio de 2011
Bem observado! E explica muita coisa...
Este aparente "pormenor" é um "por maior", já que sabemos que os membros do Governo, regra gera,l não andam de transportes públicos, os Directores Gerais, Gestores públicos e privados idem. Enfim, serão certamente os "maiores" defensores do transporte público, claro está, o meio de transporte "mais eficaz", "amigo do ambiente", mas no fundo, no fundo...é-o para os outros!
À porta da administração do metropolitano, da Carris, da CP, parques de estacionamento privativo reservados para a "administração" revelam bem que nem as chefias destas mesmas empresas na realidade os usam...
Os nossos Media acusaram o País de deixar que os "Senhores do FMI", coitados, andassem quase 2km a pé entre o Hotel na Avenida da Liberdade e a Praça do Comércio! Coitados!...
Pergunto-me se isto não explicará muita coisa por cá...
quinta-feira, 28 de abril de 2011
A vida que temos e os prados "carbónicos"
Se aceitarmos a abstracção que constitui simplificar todos os processos de dinâmicas energéticas ao CO2, sabendo distinguir que reduzir CO2 num processo normalmente é também reduzir a ineficiência energética, mas que por vezes essa questão não é tão linear do ponto de vista da eficiência (ex: P: o que capta mais CO2, um eucaliptal ou um sobreiral? R: o eucaliptal. P: Mas e em termos de dinâmica global? R: ...), poderemos ver com bons olhos a maioria das acções que visam a redução carbónica.
Mas, por de trás do CO2 está, tantas vezes, o discurso das energias limpas, ou seja, energias que não emitam carbono, incluindo o "limpo" nuclear. Daí que o nuclear subverta, pela sua aparente "limpeza carbónica", o processo energético global, já que permite, sem emissões "na fonte" manter os processos energéticos ineficientes.
Já sem falar dos perigos do nuclear, por estes dias sobejamente conhecidos pelas piores razões, o caminho a seguir terá que ser eficiência energética e energias renováveis, mas tendo em conta que muito provavelmente o balanço (energias renováveis - gastos energéticos) não permite continuar a ter a vida que temos.
Perguntam-me: Para continuar a vida "que temos", prefere centrais nucleares ou centrais a carvão? Centrais a Carvão, certamente, mas começo a pensar que é quase inevitável não começarmos a questionar o estilo de vida que levamos, que conduz a uma reflexão mais vasta que passa, por exemplo, por analisar os modos como é contabilizada a nossa produção interna (PIB), ou seja, mais produção melhor desempenho.
Mas, o descrescimento sustentável teria muitas vantagens em ser colocado em cima da mesa, implicando até começar a analisar e avaliar o desempenho produtivo através de outras variáveis. Fazer uma estrada ou uma casa, por mais ineficiente que cada uma dessas estruturas represente, significam bem mais para o "crescimento / facturação" nacional do que, por exemplo, semear prados que captam muito CO2, não pelo CO2 em si mesmo, mas porque se trata apenas de acelerar o processo normal do ciclo carbónico de fazer crescer matéria orgânica, que no caso concreto acaba com pastos naturais para gados autóctones, a carne do futuro, não estabulada, saudável e que deve ser consumida em menores quantidades e menos vezes por semana.
Eis pois um processo em que a ideia do CO2 vem a calhar.
IMAGEM E PROJECTO EXTENSITY AQUI
ARTIGO AQUI
"Pastagens ajudam clima
27.04.2011
Ana Fernandes
Por estes dias, extensas áreas do Alentejo, Ribatejo e Beira Interior tingem-se de roxo. Mas para além das razões estéticas, estes campos prestam um enorme serviço ao país: retêm carbono da atmosfera, contribuindo para que Portugal cumpra o compromisso de Quioto. Hoje já abrangem o equivalente a três vezes a cidade de Lisboa e daqui a dois anos prometem ser o dobro.
O projecto Terra Prima – Fundo Português de Carbono nasceu em 2009 e assenta num novo conceito de pastagens, desenvolvido por David Crespo, que criou um sistema que mistura 20 espécies de sementes diferentes, que se complementam e maximizam. Com estas pastagens, os agricultores ganham em diversas frentes – além de serem altamente nutritivas para os animais, sequestram carbono, aumentam a matéria orgânica no solo evitando-se assim a desertificação que avança em várias regiões do país e ainda são uma arma contra os incêndios pois interrompem o contínuo dos matos e arbustos.
Mas é sobretudo o seu valor na luta contra as alterações climáticas que se revelou compensador. O seu êxito – consegue reter cinco toneladas de dióxido de carbono por hectare por ano – levou a que o projecto fosse financiado pelo Fundo Português de Carbono, que apoia investimentos que permitam reduzir as emissões. Os agricultores são assim recompensados pelo contributo que dão para que o país cumpra Quioto, recebendo 150 euros por hectare.
O projecto da empresa Terra Prima, que resultou de um spin-off do Instituto Superior Técnico, conta já com 500 agricultores e 27 mil hectares de implementação, prevendo-se que atinja o dobro da área nos próximos dois anos. Na próxima sexta-feira é apresentado oficialmente em Portalegre.
O Fundo Português de Carbono é um dos instrumentos que contribui para o esforço português para cumprir as metas de Quioto. Além deste, que financia projectos nacionais e internacionais que permitam reduzir as emissões nacionais, há ainda o Programa Nacional para as Alterações Climáticas - que estabelece as políticas sectoriais para reduzir as emissões - e o Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão - que estabelece o limite de emissões a que cada indústria tem de obedecer. "





