terça-feira, 1 de maio de 2012

Quando recuperar uma Aldeia do passado pode ser um projecto do futuro

Em Mafra, a 30 minutos de Lisboa, de repente o subúrbio acaba e começa o campo.
Bucólico? Também. 
Mas sobretudo integrado, equilibrado, limpo. 

A "Aldeia da Mata Pequena", sobranceira sobre encostas de carvalhais, agora transformada num projecto turistico, para se visitar, mas para se viver. Pode dormir-se lá e er uma experiência de aldeia.

http://www.aldeiadamatapequena.com/langPT/02casas/index.php 

A Arquitectura evolui. 
Esta aldeia restaura para manter intacta a Aldeia, na sua dimensão e com as suas características.
É possível aliar uma arquitectura contemporânea com arquitectura tradicional, de forma sustentável e equilibrada. 

Mas arquitectura contemporânea não pode ser entendida como a negação da arquitectura tradicional, como algo que surge como um novo "conceito" de arquitectura, como um desvario formalista massificado sem princípios funcionais e sem um fim em si. 

Arquitectura contemporânea tem que ser uma re-intepretação da arquitectura local, tornando-a ajustada às novas necessidades funcionais e respondendo às novas exigências da vida quotidiana, que anteriormente não faziam parte das necessidades dos edifícios e do urbanismo, bem como superar a dimensão da eficiência energética.

Como estou farto de ver "caixotes-brancos" de norte a sul do País, edifícios em betão armado, ineficiente energeticamente, sem termos a percepção se estamos no Norte ou no Sul, descontextualizados e não integrados no terreno, gerando muros de suporte desnecessários e outras fracturas, que diria serem "expostas". 
Tudo porque o Arquitecto quis marcar a sua posição e ..."deixar marca".

São muito poucos os arquitectos que conseguem articular arquitectura tradicional e contemporânea, criando uma leitura dinâmica da nossa cultura. Mas existem. 
Sim, é possível.

Esta Aldeia da Mata Pequena tem muita graça pela sua micro-escala e quase se torna um "case-study" de uma aldeia saloia totalmente preservada. 
Vale a pena conhecer.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A caminho do fim da Biodiversidade

Esta imagem é brutal. 
Em menos de 100 anos perdemos a grande maioria das variedades de cultivares. E continua a decrescer.

Discute-se e atribui-se patentes de sementes. 
Manipula-se o património genético de uma variedade e dá-se-lhe o nome de uma marca, dá-se a uma empresa. 
A variabilidade genética é sinónimo de "vida". É sinónimo de resiliência. É sinónimo de diversidade.

Estamos a caminhar para uma Sociedade "de plástico", formatada, estereotipada. 
E nunca assim foi na História da Humanidade. 
Um dia, quando só existir uma variedade de tomate e a mesma for ameaçada por algum agente. 
Acabou-se?

Os políticos não deviam discutir isto, a nível global, nas conferências e nas cimeiras?

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Cidade Sustentável pode ser de todos, da Esquerda e da Direita

Imagem do SITE

A campanha autárquica em Londres está aí.

Ao contrário de cá, em que os políticos na generalidade tratam o Ambiente como um assunto de "2ª linha" após satisfação de "outras" questões consideradas prioritárias, comprometendo-se apenas o essencial para não se prejudicarem, em Londres até a questão específica da bicicleta é incontornável.

Há sempre no ar a questão: "e a bicicleta, é uma cauda da esquerda ou da direita"?

Quando pensamos em ideologias, e se tentarmos encaixar o Ambiente, o direito ao Espaço Público em detrimento do predomínio do automóvel, parece-me sensato dizer que é de esquerda. No entanto, é claro que em Portugal as grandes medidas progressistas em matéria ambiental foram tomadas por Governos de Direita, só para me lembrar de Gonçalo Ribeiro Telles, Carlos Pimenta ou Macário Correia.

Num contexto de poupança e racionalidade nos recursos, numa estratégia de promoção da reabilitação urbana, de optimização do sistema de transportes, na promoção da eficiência energética, na qualificação do comércio de proximidade, estas causas da sustentabilidade só não são de direita se a direita não quiser. Ou não souber.

quarta-feira, 28 de março de 2012

"detido e acusado de ser mau pai por levar as filhas à escola de bicicleta"

Este artigo é pungente.
"Espanha: detido e acusado de ser mau pai por levar as filhas à escola de bicicleta"

São várias as soluções para levar os míudos à escola.
Uma delas, muito popular, são estes "triciclos" que circulam em vários formatos e adaptações pelas ruas da Cidade.


Em Copenhaga até visitei recentemente esta oficina da Nihola Bikes.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Previsão de tráfego superada

Esta ponte pedonal e ciclável em Copenhaga, inaugurada em 2006, previa 5.000 ciclistas por dia.
 
O número em 2011 é de...15.000 ciclistas por dia. 3 vezes mais!
 
Temo-nos habituado a assistir em Portugal ao investimento em infra-estruturas rodoviárias sobredimensionadas, assentes em cálculos de tráfego rodoviário sobrestimado, que depois não chega a acontecer. Um desperdício de recursos financeiros e com grandes impactes ambientais.
 
Em Portugal construir-se infra-estruturas dedicadas para peões e bicicletas é visto sempre no campo do "lazer", depois de satisfeitas as outras necessidades...
 
Este exemplo de Copenhaga, com 36% de viagens em bicicleta todos os dias mostra que para se obterem resultados é preciso investir. A Cidade é a mesma há décadas, mas o número de viagens não pára de aumentar.


 

quarta-feira, 21 de março de 2012

O peso da energia

Trago boas notícias!
 
www.cm-lisboa.pt) que prevê o aluguer de frota eléctrica para a CML foi aprovada na Assembleia Municipal de Lisboa.
A proposta prevê reduzir o número de veículos em 118, alugando apenas 45.
A mobilidade eléctrica para mim parece-me nesta altura uma muito boa solução sobretudo para frotas de empresa que mantêm os veículos em grande rotação e que dependem destes para o seu funcionamento e logística quotidianas. O facto dos veículos estarem em permanente utilização, aliada ao facto de poderem ser carregados na via pública, mas também em espaços particulares das próprias instituições, torna o investimento interessante a amortizável, já que os veículos menos dependentes dos combustíveis fósseis.
Aliás, a redução de frota, no caso da CML, é muito relevante: A Câmara Municipal de Lisboa já reduziu em mais de 50% a sua frota automóvel desde 2005.
 
 
"Lisboa: Câmara avança com aluguer de menos carros elétricos para reduzir custos"
 
 
 
E o assunto está mesmo na ordem do dia
 
"Preço dos combustíveis vai continuar a subir"
 
 
 
 
IMAGEM AQUI
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 12 de março de 2012

O festival dos AVACs, a propósito da renovação do Parque Escolar

Imagem de referência como conceito formal actual de arquitectura contemporânea, AQUI


Muito interessante e incisivo o artigo de Daniel Oliveira no Expresso denominado "A mentira de Nuno Crato sobre a auditoria à Parque Escolar".


Vou resumir o comentário político ao facto de ser a favor que se invista no Ensino Público, ao facto de que o Parque Escolar (propriamente dito, não a empresa) sofriam e ainda sofrem das consequências de um abandono de décadas e ao facto de lamentar que não tenham sido feitos os concursos públicos que, entre outras coisas, permitiam um acesso mais democrático à obra pública, mas também tinham como resultado maior concorrência e maior retorno financeiro resultado dessa mesma concorrência.

Vou-me focar num detalhe (ou talvez não) que o artigo revela:
Vejamos esta frase: "a mudança de legislação, por imposição comunitária, em matéria energética e ambiental, representaram um sobrecusto entre 15% a 25% no total das empreitadas. E a um esforço energético duas a três vezes superior ao anterior, o que é preocupante e, contra o qual, a Parque Escolar já terá feito várias propostas."

Vale a pena determo-nos nesta questão: as exigências energéticas obrigam a uma deturpação do devem ser os objectivos ambientais: primeiro apostar-se na inércia térmica, depois nas energias renováveis.
O que aconteceu nas escolas foi pura e simplesmente inverter a questão e apostar em potentes sistemas de ar condicionado, com subidas astronómicas de consumo energético.
Um "tiro no pé", pelos vistos até questionado (e ainda bem) pela própria Parque Escolar, mas não por muitos dos arquitectos que, podendo interpretar a lei, preteriram de apostar na inércia térmica e na eficiência energética, em nome de "obras de arte" de betão armado e vãos envidraçados altamente consumidores de energia.
A maioria dos edifícios que vi são "caixotes" brancos com envidraçados, sem telhado e sem mecanismos de

Gostava de ver uma auditoria a esta questão, que mais do que uma questão política, é um aspecto eminentemente técnico mas que espelha muito do que o nosso País tem sido em matéria urbanistica.
Esta auditoria é importante porque com a subida dos preços da energia, muitas escolas ponderam não ligar o ar condicionado no Verão, por falta de verba.
Ora, cabia ao arquitecto, mesmo que obrigado a munir o edifício dos fantásticos sistemas de ar condicionado, garantir a resiliência do edifício, ou seja, o seu funcionamento em caso de ausência de funcionamento do AVAC.
Esta auditoria devia identificar e responsabilizar quem podia e não propôs, ou quem propôs e não foi aceite e porquê e quanto custa estas decisões. E não vale dizer "desenhei aquilo porque assim como assim a legislação obrigava ao AVAC".
Não serve de desculpa, antes pelo contrário.

No meio de tanta legislação, uma coisa é certa: o arquitecto tem muita manobra para aumentar a resiliência do edificado.
E tem que a explorar ao limite. Não é deve, tem mesmo.
 
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