quinta-feira, 17 de maio de 2012

"Relvados" alternativos nas Cidades

Não, não é mato e não é desleixo. 
Foram prados de sequeiro com uma variedade de espécies adaptadas que foi semeado junto ao Palácio da Justiça no Corredor Verde Monsanto - Parque Eduardo VII em Lisboa.

É possível e desejável aferir-se da necessidade de baixar a altura do coberto, ajustando-a mais às necessidades e requisitos do espaço urbano.
Mas as primeiras impressões que tenho é de que é possível ter em meio urbano extensas áreas herbáceas sem gastar 1 gota de água.
Porque o efeito estético é absolutamente excepcional.

Agora venham as ovelhas e o ciclo estaria completo.





quarta-feira, 9 de maio de 2012

Porque é que o pilarete, a seguir ao cão, talvez seja o melhor amigo do Homem


A propósito da infelicidade de uma pessoa conhecida minha ter caído por causa de um pilarete na ciclovia da Av. Duque d´Avila, com consequências felizmente não muito graves para a própria, mas com alguns danos físicos e materiais nada desprezáveis e muito de lamentar, e que geraram um post no "Facebook" onde a ira, talvez até compreensivelmente do seu ponto de vista, se vocacionou contra a existência de, no seu entender, "uma floresta de pilaretes".

Pois, este post e, sobretudo alguns comentários que se seguiram, mais uma vez comprovam duas coisas:

A primeira conclusão, especificamente sobre os pilaretes: o espaço pedonal que temos, o pouco que temos, está invariavelmente defendido "a ferros". E quando não o está...



Mercado da Encarnação, onde não há pilaretes a delimitar a área pedonal. Lisboa, 2011.



Praça de Londres, com os espaços pedonais "defendidos a pilaretes", Lisboa, 2011.

Os turistas costumam comentar que temos muitos pilaretes, mas a verdade é que quando não os temos, os carros não falham a sua presença e, com a argumentação mais variada, deixam "por dois minutinhos" o carro ali parado, vão entupindo e assassinando o usufruto pedonal. 

O que seria da Avenida Duque d´Ávila sem pilaretes? 




Fotos da Duque d´Ávila tiradas a 09/05/2012, cortesia JC.

Não tenho duvidas, seria um enorme parque de estacionamento. 
Os automobilistas estacionariam "à vez", não como as fotos que aqui coloco demonstram, mas invadiriam literalmente os espaços pedonais. Cada acesso de garagem seria uma via de acesso para depois estacionar na perpendicular. Seria possivel ter, pelo menos, 8 veículos estacionados em cada acesso, 4 de cada lado.
Então o que fazem os pilaretes neste projecto? 
Delimitam estritamente os acessos transversais a garagens ou lojas, cuja pré-existência a isso o obrigou em matéria de projecto.

A Avenida Duque d´Ávila é uma obra que impressiona pelas alterações que produziu neste arruamento, com claro benefício para os peões e ciclistas. 


Foto da Duque d´Ávila, 2011, cortesia AN.



Foto da Duque d´Ávila, 2011

Uma rua cheia de carros transformou-se num espaço de eleição para o peão, sem bem que só o é em boa medida porque está defendido "a ferros". A dinâmica que se gerou nos últimos meses em matéria de requalificação comercial, bem visível pelo número de esplanadas que já se instalou, mas pela quantidade de estabelecimentos que entretanto têm em curso obras de remodelação, vai mudar para sempre o uso da rua. Mas até lá, o estacionamento indevido, uma "fatalidade / impunidade" poderia comprometer a dinâmica em causa. Foi para mim uma boa aposta, sem bem que no troço poente da Avenida, a sucessão de entradas de garagem configure, à primeira vista, análises precipitadas das suas opções.



A segunda conclusão que tiro deste acontecimento, e de um conjunto de comentários que se lhe seguiram, vem comprovar algumas das teorias que tenho a propósito das incapacidade dos "ciclistas de Lisboa" gerarem o mínimo consenso em torno deste assunto e definirem uma estratégia coerente e exequível para a promoção da bicicleta. 
Um acontecimento, diria mesmo qualquer acontecimento menos positivo sobre o que se vai fazendo, e por vezes parecendo esquecer o muito que foi conseguido (como é aqui o caso da Av. Duque d´Ávila, também ela neste caso e a propósito deste primeiro caso de acidente que tenho conhecimento, alvo de muitas críticas, a maioria levianas e sem conhecimentos prévios que as suportem), constitui matéria de análise e crítica em detalhe para toda a estratégia em curso, passando uma ideia distorcida da realidade para quem esteja "fora" deste contexto muito próprio que é o que chamo de "a bicicleta".
Estes ciclistas, os que estão ou já estavam habituados a circular em Lisboa são, infelizmente, uma ínfima minoria que, não só não é representativa dos muitos potenciais ciclistas a quem se destina o investimento que, finalmente, se está a fazer em Lisboa pela bicicleta (e contra muitas vozes que, da esquerda à direita, ridicularizavam) como também não apresentam nenhuma estratégia alternativa credível. Apresentam soluções? Sim, algumas soluções sim, mas estratégias não. 
E é de estratégia que precisamos, porque de teorias, "power-points" e bibliografia de casos internacionais, todos lemos muito e há para todos os gostos! O que é preciso é agir e saber como agir. 

Então, estamos juntos contra o automóvel? É essa a estratégia? 
E onde é que isso foi feito só assim, para além de casos pontuais (e mesmo assim...)
O automóvel existe e vai continuar a existir, o que precisamos é de moderar o seu uso e equilibrar os outros meios de transporte, nomeadamente os modos suaves, peões e bicicleta, que em Lisboa, repito, são ainda residuais, apesar do crescimento notório da bicicleta nos últimos tempos.

O cidadão que ainda temos é o cidadão inseguro quanto ao uso da bicicleta, sem confiança, sem cultura "ciclista" e muitas vezes com um bom conjunto de motivos para não usar a bicicleta, como a falta de espaço de parqueamento em casa ou no local de trabalho, longos trajectos, etc. 
Seja a forma física, seja a falta de prática, sejam os trajectos em causa, seja o que for, os ciclistas, e há alguns que o fazem, devem concentrar-se em falar para quem não anda e compreender as razões porque não se anda e procurar invertê-la com medidas concretas.

"Ciclovias? Não é o caminho!" 
Disparate! Ciclovias podem também ser o caminho, mas não são a receita para tudo. 
Mas numa Cidade como Lisboa, sem tradição ciclista recente, sem cultura e prática ciclista e com algum relevo, há situações em que só a segregação pode conduzir ao uso da bicicleta.
Fico pasmado com a facilidade com que jovens de vinte e tal anos exigem publicamente em fóruns de cirsusão espaços partilhados para toda a gente em determinadas situações viárias! É caso para dizer que o "umbigo" por vezes tem muita força.

E talvez seja por isso que a Duque d´Ávila, ao contrário de todas as Avenidas paralelas naquela área, com o mesmo declive e ligando os mesmos pontos, tem mais ciclistas. 
No outro dia, da janela da sala de espera de um consultório médico a que fui nessa Avenida, enquanto esperava pela consulta, pelas 19h, ainda Inverno e de noite, passaram em cerca de 20 minutos 9 (nove) ciclistas. 
Gostava de saber quantos passaram nas ruas paralelas, mesmo aquelas que pouco ou nenhum tráfego têm...

"Ciclovias sim, mas não da forma como estão a ser feitas". 
Sim, há sempre melhorias a fazer, todos os sabemos. 
Mas como estamos cada vez mais rodeados de especialistas, não há motivo para não se ir melhorando. 
Pelo que até os técnicos que sabem desenhar espaço público em todas as suas vertentes, mas que "nunca andam de bicicleta na cidade" e que "gostam é de ciclovias" e que se calhar até "estão ligados aos vendedores de pilaretes" agradecem as chamadas de atenção e garantem que as vão incorporar, sempre que aplicáveis, nas tomadas de decisão e nos projectos.

Cuidado que esse argumento de que "as coisas não estão a ser bem feitas" foi usado à exaustão pelo Presidente da Junta de Freguesia de Carnide em Lisboa (eleito pelo PCP) no Verão de 2009 quando, à sua porta, a pretexto de se fazer uma ciclovia, se requalificou a Avenida do Colégio-Militar, passando de 4 para 2 faixas. Foi de tal forma a contestação que até uma providência cautelar foi por ele interposta, felizmente (e naturalmente diga-se) recusada pelo juiz como não tendo fundamento. 
A obra está lá, a Avenida do Colégio Militar está mais segura, mais arborizada, mais civilizada e, na mesma, muito funcional, e "apenas" com 2 faixas. 
"Vai ser o caos do tráfego" dizia o Presidente da Junta...Vão lá ver, nem à hora de ponta...
Há outros casos, como o Presidente do ACP, que escuso  de comentar.
E até neste caso da Duque d´Ávila, outro exemplo. Muita contestação, que tirava o estacionamento... Hoje, o orgulho de todos. 
Bem, de quase todos.

Sim, porque no meio de tudo isto também há alguma política. 
Já agora, quando é que em vez de perder tanto tempo a criticar a Lisboa que faz, não perdemos 10% das nossas forças a olhar aqui ao lado, veja-se Cascais, veja Oeiras (entre outros), em que nada se faz pela bicicleta? 
Parece que às vezes é melhor não fazer nada, vive-se melhor assim e, na verdade, o automóvel é a maioria. 
As bicicletas "dão votos"? Disparate! 
Os automóveis é que dão e toda a gente sabe isso. E porquê? 
Porque há poucos ciclistas e muitos automobilistas. 
E é por isso que o discurso "ciclista" negativista e elitista tem que mudar, tem que passar dos debates fechados "entre ciclistas" e "para ciclistas", para um discurso mobilizador "para fora", gerador e motivador de boas práticas e de mudanças concretas, que se vejam, e que as pessoas percebam "Sim, é possivel". 

É esse o discurso que procuro e quanto ao resto, cada vez me interessa menos. 
E não tenho problemas nenhuns em dizê-lo e muito menos em escrevê-lo. 
Quantas vezes for preciso. 


terça-feira, 1 de maio de 2012

Quando recuperar uma Aldeia do passado pode ser um projecto do futuro

Em Mafra, a 30 minutos de Lisboa, de repente o subúrbio acaba e começa o campo.
Bucólico? Também. 
Mas sobretudo integrado, equilibrado, limpo. 

A "Aldeia da Mata Pequena", sobranceira sobre encostas de carvalhais, agora transformada num projecto turistico, para se visitar, mas para se viver. Pode dormir-se lá e er uma experiência de aldeia.

http://www.aldeiadamatapequena.com/langPT/02casas/index.php 

A Arquitectura evolui. 
Esta aldeia restaura para manter intacta a Aldeia, na sua dimensão e com as suas características.
É possível aliar uma arquitectura contemporânea com arquitectura tradicional, de forma sustentável e equilibrada. 

Mas arquitectura contemporânea não pode ser entendida como a negação da arquitectura tradicional, como algo que surge como um novo "conceito" de arquitectura, como um desvario formalista massificado sem princípios funcionais e sem um fim em si. 

Arquitectura contemporânea tem que ser uma re-intepretação da arquitectura local, tornando-a ajustada às novas necessidades funcionais e respondendo às novas exigências da vida quotidiana, que anteriormente não faziam parte das necessidades dos edifícios e do urbanismo, bem como superar a dimensão da eficiência energética.

Como estou farto de ver "caixotes-brancos" de norte a sul do País, edifícios em betão armado, ineficiente energeticamente, sem termos a percepção se estamos no Norte ou no Sul, descontextualizados e não integrados no terreno, gerando muros de suporte desnecessários e outras fracturas, que diria serem "expostas". 
Tudo porque o Arquitecto quis marcar a sua posição e ..."deixar marca".

São muito poucos os arquitectos que conseguem articular arquitectura tradicional e contemporânea, criando uma leitura dinâmica da nossa cultura. Mas existem. 
Sim, é possível.

Esta Aldeia da Mata Pequena tem muita graça pela sua micro-escala e quase se torna um "case-study" de uma aldeia saloia totalmente preservada. 
Vale a pena conhecer.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A caminho do fim da Biodiversidade

Esta imagem é brutal. 
Em menos de 100 anos perdemos a grande maioria das variedades de cultivares. E continua a decrescer.

Discute-se e atribui-se patentes de sementes. 
Manipula-se o património genético de uma variedade e dá-se-lhe o nome de uma marca, dá-se a uma empresa. 
A variabilidade genética é sinónimo de "vida". É sinónimo de resiliência. É sinónimo de diversidade.

Estamos a caminhar para uma Sociedade "de plástico", formatada, estereotipada. 
E nunca assim foi na História da Humanidade. 
Um dia, quando só existir uma variedade de tomate e a mesma for ameaçada por algum agente. 
Acabou-se?

Os políticos não deviam discutir isto, a nível global, nas conferências e nas cimeiras?

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Cidade Sustentável pode ser de todos, da Esquerda e da Direita

Imagem do SITE

A campanha autárquica em Londres está aí.

Ao contrário de cá, em que os políticos na generalidade tratam o Ambiente como um assunto de "2ª linha" após satisfação de "outras" questões consideradas prioritárias, comprometendo-se apenas o essencial para não se prejudicarem, em Londres até a questão específica da bicicleta é incontornável.

Há sempre no ar a questão: "e a bicicleta, é uma cauda da esquerda ou da direita"?

Quando pensamos em ideologias, e se tentarmos encaixar o Ambiente, o direito ao Espaço Público em detrimento do predomínio do automóvel, parece-me sensato dizer que é de esquerda. No entanto, é claro que em Portugal as grandes medidas progressistas em matéria ambiental foram tomadas por Governos de Direita, só para me lembrar de Gonçalo Ribeiro Telles, Carlos Pimenta ou Macário Correia.

Num contexto de poupança e racionalidade nos recursos, numa estratégia de promoção da reabilitação urbana, de optimização do sistema de transportes, na promoção da eficiência energética, na qualificação do comércio de proximidade, estas causas da sustentabilidade só não são de direita se a direita não quiser. Ou não souber.

quarta-feira, 28 de março de 2012

"detido e acusado de ser mau pai por levar as filhas à escola de bicicleta"

Este artigo é pungente.
"Espanha: detido e acusado de ser mau pai por levar as filhas à escola de bicicleta"

São várias as soluções para levar os míudos à escola.
Uma delas, muito popular, são estes "triciclos" que circulam em vários formatos e adaptações pelas ruas da Cidade.


Em Copenhaga até visitei recentemente esta oficina da Nihola Bikes.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Previsão de tráfego superada

Esta ponte pedonal e ciclável em Copenhaga, inaugurada em 2006, previa 5.000 ciclistas por dia.
 
O número em 2011 é de...15.000 ciclistas por dia. 3 vezes mais!
 
Temo-nos habituado a assistir em Portugal ao investimento em infra-estruturas rodoviárias sobredimensionadas, assentes em cálculos de tráfego rodoviário sobrestimado, que depois não chega a acontecer. Um desperdício de recursos financeiros e com grandes impactes ambientais.
 
Em Portugal construir-se infra-estruturas dedicadas para peões e bicicletas é visto sempre no campo do "lazer", depois de satisfeitas as outras necessidades...
 
Este exemplo de Copenhaga, com 36% de viagens em bicicleta todos os dias mostra que para se obterem resultados é preciso investir. A Cidade é a mesma há décadas, mas o número de viagens não pára de aumentar.


 
 
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