terça-feira, 12 de junho de 2012

Claro que isto não vai lá com apelos nem com pedidos...


O comércio tradicional não pode nem deve optar por este caminho:
Apelos, pedidos?
Apelos a que se compre. A que não se deixe morrer? 

Em vez de se actualizar, de se modernizar, manter-se igual, e tantas vezes medíocre,
Em vez de vender melhor, com melhores horários, mais úteis às pessoas (fechar à hora de almoço? fechar às 19h?)
Em vez de vender igual mas mais caro, deveria vender diferente e vender melhor,
Em vez de ser alternativa, mantém-se a tentar copiar o que as grandes superfícies vendem, mas mais caro.

O comércio de rua tem que fazer opções. 
Tem que querer defender o espaço público e apostar na venda de proximidade para o comprador peão, o comprador ciclista, e não querer sempre estar na linha da frente dos que defendem mais carros, sempre mais carros, como se os carros fossem optar pelo comércio de rua em vez do Shopping onde têm, de certeza, lugar no Parque de Estacionamento.

O comércio de rua deve e pode ser um comércio especializado. 
Especializado em produtos de qualidade, em produtos locais, em produtos de proximidade.
Deve depois criar um segmento que, vendendo o mesmo que as grandes superfícies, apresenta vantagens porque garante o transporte dos produtos e, porque não, a montagem, quando se tratar de electrodomésticos, móveis e bricolage?



O comércio de rua vai mesmo ter que mudar. Para melhor.
Há muitos locais em que já mudou, para melhor, com sucesso, pelo que só podemos ter esperança que isto vá lá, mas não com apelos nem pedidos à nossa solidariedade...


Foto na Av. Duque d Ávila AQUI


Foto na Av. Duque d Ávila AQUI


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Educar para a bicicleta

Não há muitas dúvidas de que é fundamental educar as populações para o uso da bicicleta.

Para além de campanhas gerais para utilização da bicicleta, de promoção do acesso por bicicleta a locais, de incentivo específico em escolas (bike-to-school), de acesso a comércio (bike-to-shop) ou aos locais de trabalho (bike-to-office) há uma realidade em Portugal que não podemos ignorar quando planeamos "Bicicleta": 
Há uma generalizada falta de cultura ciclável, que afecta uma parte ainda não quantificada da Sociedade, mas certamente mais abrangente do que podíamos esperar, e que passa por pura e simplesmente as pessoas não saberem andar de bicicleta ou, sabendo andar, não o fazerem com a confiança e destreza necessárias. 
Querer ignorar isto seria, no mínimo, dramático ou inconsciente.
E é por isto que decalcar bibliografia internacional sobre a matéria requer uma interpretação da mesma rumo a uma estratégia. 

Muito se tem feito pela bicicleta em Lisboa, quer se goste, quer não, em vários domínios da colocação de estacionamentos, regulamentação, informação e campanhas de incentivo. 
Muito mais do que apenas construir "infra-estrutura"...
A educação para usar a bicicleta tem sido, desde 2008, uma constante. Mais uma vez haverá cursos de aprendizagem para o uso da bicicleta, numa parceria entre a CML e a FPCUB.

Mais informações aqui:
http://www.cm-lisboa.pt/archive/img/Curso_Conducao_de_bicicleta_em_meio_urbano_online.gif

Einstein-on-bike, foto AQUI

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Uma "ciclovida", mas sem consequências

É com alguma frequência que a CM Oeiras encerra temporariamente a marginal para actividades desportivas e de lazer.
É muito positivo que assim seja e em alguns casos bastante inovador.

Há aliás neste procedimento alguns aspectos que considero peculiares e dignos de reflexão. Uns positivos, outros nem tanto.

Por um lado encerra-se ao tráfego, não uma avenida qualquer, mas sim nada mais nada menos do que a EN9, de 4 faixas, com um traçado de distribuição muito acentuado e com alternativas suficientes, mas aos olhos do habitual utilizador consideradas reduzidas ou com recurso a pagamento de portagem, sem haver por isso lugar a qualquer protesto relevante. 
E quando digo relevante também incluo o ACP, que nunca nada disse (pelo menos a que tenha tido acesso).

Por outro lado, o fecho só acontece aos fins de semana ou feriados, pelo que aos olhos do automobilista comum, o "espaço" não está "em perigo"...

Os movimentos "ciclovida", comuns em muitos Países, são caracterizados por um corte cirúrgico de uma via para actividades recreativas a pé e de bicicleta, permitindo o desfrute de um espaço habitualmente para veículos, mas dotando essa acção de uma "experiência" que vise alguma consequência.

No Velo-City 2011 em Sevilha, Peñalosa referiu-se a esta medida sistematicamente perante cidades que, da plateia se levantavam e diziam: "não somos Amesterdão, quase não temos ciclistas, como começamos?". 
Resposta de Peñalosa: "Ciclovida, Ciclovida". 

O que acontece aqui na marginal é bom, mas já se faz há pelo menos 5 anos sem daqui ter havido qualquer consequência para a melhoria da circulação pedonal e de bicicleta neste traçado. Corta-se, abre-se. Corta-se, abre-se. Tudo na mesma.
Não, o passeio marítimo não é solução para as bicicletas, já que está interdito entre as 08h e as 20h, o que se compreende dada a necessidade de assegurar a segurança de peões, que são muitos por lá.

Daqui resulta que é essencial melhorar a circulação de bicicletas entre Algés e Cascais. 
Alguém percebe que em 2012 não seja possível circular entre Lisboa e Cascais de bicicleta?

Não vejo outra alternativa do que olhar para o espaço viário da marginal e assumir que de todo aquele espaço viário, algum terá mesmo que ser afecto à bicicleta.
Há várias soluções de tipologias, mas uma coisa é certa: qualquer delas requer retirada de espaço automóvel. 
É uma decisão que não é pacífica mas as muitas dezenas de milhares de pessoas que usufruem da marginal a pé e de bicicleta através destas "ciclovidas" são os principais cidadãos potencialmente defensores desta medida.

Haja consequência!





sábado, 2 de junho de 2012

Remove from bicicletada_lx

É preciso muito para mim para desistir de receber mails de uma lista aberta de mails em torno da bicicleta em Lisboa.

Mas de facto, enquanto há anos atrás a lista debatia, com frontalidade, diversos aspectos da política da bicicleta, colocando em confronto aberto diferentes opiniões, há meses para cá que está tomada por meia dúzia de "activistas" do chamado "bota-baixismo", ou seja, pessoas que só contribuem com opiniões pouco fundamentadas, baseadas em falta de informação, falta de conhecimento do que se discute e sobretudo munidas de grande agressividade. 

Opiniões que, em vez de contribuírem para melhorar a qualidade da circulação da bicicleta, para enriquecer a discussão em torno do que se faz pela bicicleta, só procuram denegrir o que se faz. 
Se estiver bem feito, não se fala, pura e simplesmente.
Se houver alguma dúvida, algum problema, alguma questão, a dúvida assume de imediato a forma de acusação! Acusação puxa acusação e, de acusação em acusação, transforma-se uma comunidade inteira que lê estes e-mails em potenciais perdedores de tempo. 

Este é o maior problema desta lista e é a única razão porque saio.

Algumas das pessoas que se movem nestas acusações e neste "bota-baixismo" terão concerteza motivações que transcendem por vezes a bicicleta e que acontecem naturalmente em todos os movimentos ditos "de massa". Há aproveitamentos políticos, há interesses próprios e há sempre inerente uma enorme capacidade de tentar comandar estes movimentos, mais do que aproveitá-los para melhorar a vida da Cidade. 
Há também invejas de protagonismo. O costume. Não é por aí. E desde o início que se sente isso.

Mas qual é a diferença agora? 
É que no início, e mesmo com opiniões contrárias ao que eu penso ou defendo, sempre achei útil porque sempre que participei julgo que contribuí para o debate, muitas vezes trazendo "inside information, e apesar de alguns terem-se por vezes apressado logo a dizer que eu era "político" ou "assessor" e que por isso não tinha uma opinião "imparcial"... Imparcial? 
Pois é...falemos de imparcialidade na maioria das opiniões que se lêem...

Hoje em dia há já, felizmente, outros palcos para discutir os assuntos que nos movem, que nos motivam, com os quais lidamos e que nos ajudam a melhorar o trabalho que se faz ou simplesmente a enriquecer o nosso conhecimento. 

Seguindo a tendência da maioria de pessoas que conheço, também eu abandono por fim a lista da "bicicletada_lx", tendo esperança que um dia alguém me diga como no início "anda para a lista, inscreve-te, é uma lista aberta de discussão, vale a pena". 
Fi-lo na altura com entusiasmo e agora, com a mesma postura, abandono-a.
É da vida!





terça-feira, 29 de maio de 2012

Reflexões de asfalto e betão

O Post de hoje é só isto, porque a minha tarde foi a trabalhar por estes sítios...
 Umas fotos de "não lugares", talhados pela força do petróleo, formalizados num mau urbanismo: rodovias sobredimensionadas, ausência do layer pedonal, ausência de vegetação.

É um grande desafio tentar mudar um pouco este contexto, nem que seja mesmo só um pouco.
É nestas alturas que me agrada mesmo o curso que tirei: arquitectura paisagista


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Um estacionamento que vale por 1000 palavras

Ninguém poderá dizer, e eu concordo, que a Junta de Freguesia de Carnide não é uma excelente Junta de Freguesia e que o seu Presidente não é um dos melhores desta Cidade (corrijo: deste País). 
Paulo Quaresma (PCP) é efectivamente um excelente Presidente de Junta de Freguesia, por todos os motivos, mas sobretudo porque não há assunto que tenha a ver com a vida da Freguesia que ele não se enquadre, não se empenhe e sobre o qual não consiga resultados.

Fala por isto um trabalho de muitos anos à frente da Freguesia de Carnide e que leva a que pessoas de todos os quadrantes políticos, quando chega a hora de votar para a Freguesia, lá desviem o voto do seu partido habitual e continuem a dar a confiança ao Paulo Quaresma e à Maria Vilar.

Se hoje formos a Carnide, esta é uma Freguesia em obras, apesar do contexto de restrições financeiras. 
Obras municipais, é certo, mas sobre as quais houve um envolvimento profundo da Freguesia pela sua reivindicação e mesmo pela sua concretização, como nos casos em que a mobilização das pessoas da freguesia para o orçamento participativo chegou a bom-porto. 
Jardim da Luz, Quinta do Bom-Nome, Largo do Coreto, Bairro Padre Cruz, são inúmeras as obras de requalificação em curso, em todas garantindo melhor espaço público e maior controlo do automóvel. 
A Freguesia de Carnide, aos poucos, começa a adquirir uma qualidade de espaço público, aliada à já conhecida qualidade e riqueza patrimonial.

Então, como é possível neste contexto de empenho e competência, vermos que a Junta de Freguesia, num espaço que é seu, ter transformado um antigo campo de jogos num parque de estacionamento ao mais comum estilo de "supermercado", enchendo de veículos uma área com forte potencial de praça de lazer e recreio, encostando veículos às paredes de um edifício patrimonial?

Isto obriga-nos a lembrar que o automóvel, o "direito" ao estacionamento, o "direito" a ter o "carro à porta" são capazes de ser sentimentos transversais à Sociedade que não encontramos paralelo em mais nenhum aspecto da nossa vida. 
Perdão, talvez à excepção do gosto pela nossa gastronomia e da loucura pela praia no Verão ou pelos "Shoppings" na restante época do ano ou desde que o sol falte, estes últimos tão associados ao dito carro...). 

Cheguei a lançar o desafio de construir um glossário para perceber melhor como funciona este mundo do "carro", com as suas linguagens e rituais tão próprios, que nos tolda por vezes o discernimento quanto a decisões mais importantes que temos que conseguir tomar...

Este deslumbramento pelo automóvel pôde ser facilmente constatado em 2009 quando a Avenida que passa em frente viu a redução de 4 para 2 faixas de rodagem e na altura a " Junta de Carnide entregou (...) uma providência cautelar para parar as obras de construção da ciclovia junto à Avenida Colégio Militar, e exigir a reposição das quatro faixas de rodagem e um período de discussão pública sobre a matéria.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Junta de Freguesia, Paulo Quaresma, explicou que, "a pretexto da construção da ciclovia, a Câmara de Lisboa iniciou obras que vão reduzir de quatro para duas as faixas de rodagem da Avenida Colégio Militar, sem fazer estudos de tráfego nem falar com a freguesia (...)"
. Mais detalhes desta questão AQUI

Ora, volvidos quase 3 anos de funcionamento, e afastados todos os cenários de maior congestionamento do tráfego vaticinados por muitos, com a Avenida com passeios muito mais largos, mais arborização, mais estacionamento e maior segurança nos atravessamentos pedonais e ainda com a ciclovia que liga Benfica ao Parque das Nações, Carnide tem hoje na sua Escola Secundária Virgílio Ferreira aquele que é seguramente o Parque de Estacionamento de Bicicletas maior da Cidade de Lisboa.

Mas será que esta "sala de estar" da Freguesia, a área em frente ao seu edifício patrimonial sede da Junta de Freguesia, outrora espaços de jogos e área recreativa, vai manter-se neste estado, com tanta coisa a ser feita no sentido correcto nas imediações?
É capaz de ser um detalhe esta situação, mas merece a meu ver a referência.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Gonçalo Ribeiro Telles: 90 anos


Gonçalo Ribeiro Telles

Um Homem de serviço.

O futuro, para ser melhor, terá que passar por muito do que diz, Professor.

Parabéns!


 
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