quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O ACP aplaude "a quente"



Hoje foram anunciadas algumas medidas para a Avenida da Liberdade no âmbito das alterações de tráfego. 

Desde cedo senti que as melhorias eram evidentes, no global. 
Ah, falo como peão, claro.
É que esta avaliação parece estar a ser feita unica e exclusivamente por automobilistas. 
Eu, como peão, nunca como nos últimos meses caminhei tanto na Avenida da Liberdade. O tráfego nas faixas laterais diminuiu estrondosamente e caminhar, quer junto às fachadas, quer ao longo das plataformas centrais, passou a ser muito mais fácil. Para quem gosta das esplanadas da Avenida, estes meses foram uma melhoria evidente. O comércio não se queixou das medidas. 
Como se espera, e ao contrário da percepção que se tem nestes assuntos, não devem ter perdido por estas alterações. O peão é quem mais ordena no comércio de rua. E quem faz do carro o seu modo de vida e que gere as asuas acções em função deste, há outros locais, como os Shoppings, feitos à medida do automóvel. 
Ganham-se uns, perdem-se outros.A Baixa e a Avenida da Liberdade não devem competir com os Shopings, até porque o que têm para oferecer não tem igual. Para mais, na Avenida o turista tem muita força e o turista ainda por cima não tem, em regra, carro.


Tinha tido essa percepção clara da potencialidade deste eixo para o peão em Junho de 2011, como se vê na foto inicial. Foi uma experiência, mas de repente a "Auto-Estrada" de 10 faixas de rodagem e 4 de estacionamento, de repente, calou-se e pudemos ver crianças a correr atrás de pombos, foi possivel estar sentado nos bancos, calmamente, a contemplar.

Também percebi, mais por relatos que por experiência, que a fluidez do tráfego tinha um ou outro ponto fraco. Demorava-se mais a subir a Avenida.  Mas a rotunda, caótica no 1º dia, respondeu muito bem daí em diante. Para quem circulava a pé ou de bicicleta experimentou uma mudança radical: é possivel  hoje ir-se à estátua em segurança, com passadeiras semaforizadas e as bicicletas tiveram direito a uma faixa ciclável. Há áreas enormes, como se vê na foto abaixo, de ex-espaço viário à espera de ser reconvertido em espaço pedonal. ou zonas verdes. Uma rotunda a tender para uma praça. 


As alterações  foram duramente criticadas pelo ACP. O mesmo ACP que foi contra a "supressão de faixas de rodagem para áreas pedonais" no Plano da Baixa há cerca de 3 anos atrás. 
O ACP é assim: em nome do seu serviço de seguro de assistência em viagem e do serviço de "desempanagem", a que milhares de pessoas aderem (eu já fui um deles mas vi-me obrigado a sair, por não me revêr nesta postura de ataque ao peão e ao ciclista), assume uma posição radical de defesa de mais espaço viário em qualquer circunstância, em desfavor dos outros utilizadores do espaço público.

Note-se que na Baixa o tráfego na Rua do Ouro baixou 49% com o Plano da Baixa e as reduções nas restantes ruas são aproximadamente da mesma ordem de grandeza. Basta ir à Baixa para perceber a quantidade de estabelecimentos que se renova. O Chiado é já a área comercial mais cara do País. 

Hoje, o ACP aplaude o chamado "recuo" da CML na Avenida da Liberdade.

Mas a vida tem destas coisas: o falado "recuo" hoje assim baptizado mais não é do que ajustes a coisas que, manifestamente, não satisfaziam. Os ciclistas estavam descontentes  e o confestionamento no sentido ascendente deveria ser resolvido.

Mas terá razão o ACP para lançar foguetes, quando o tráfego nas laterais nunca mais será de atravessamento total, quando se perdeu uma faixa de rodagem em definitivo no sentido descendentes ou quando o Marquês de Pombal ficará para sempre mais próximo de ser uma Praça?
Julgo que o ACP quis marcar pontos neste período de Pré-Campanha, onde assumirá novamente as suas posições a que nos habituou. 
No entanto, aplaudindo o resultado a que se chegou, o ACP está na verdade a perder a sua batalha pela motorização da Avenida. A Avenida da Liberdade estará em definitivo com menos tráfego e com mais espaço pedonal. São factos. E aos poucos Lisboa tem conseguido, em vários pontos, prosseguir esta estratégia. Se o ACP acha que mesmo assim conseguiu os seus objectivos, melhor ainda! Estamos todos satisfeitos, o que é excelente.

Conheço gente que preferia a Avenida como estava e alguns que defenderiam cortes mais profundos de tráfego. A vida são compromissos. Aliás, a vida são, sobretudo, compromissos.

Quanto à nossa imprensa, valia a pena entrevistar, também, a opinião dos peões. 
Não se avaliam projectos desta dimensão só ouvindo automobilistas. 
Porque os peões até somos... todos! Não é verdade?

NOTA: Não participei profissionalmente, nem directa nem indirectamente, em nenhuma das alterações previstas para a Avenida da Liberdade ou para o Marquês de Pombal. 

sábado, 12 de janeiro de 2013

A culpa será sempre dos donos

Foto AQUI

Nestes tempos conturbados de crise, a semana passada foi particularmente focada no relatório do FMI e no acontecimento trágico da morte da criança de Beja de 18 meses por um cão de uma raça potencialmente perigosa.
O resumo desta situação leva-me a concluir várias coisas:
1 - Os cães de raça potencialmente perigosa são como armas. Só as podemos ter com licença e todos os cuidados. Se "dispararem" matam gente e os donos devem ser criminalizados por isso.
2 - Houve um movimento de mais de 30 mil pessoas em auxílio do cão, procurando evitar o seu abate. Não quero comentar mais a decisão ou não do abate, apenas constatar que o sentimento movimentos "pró-animal" está cada vez mais operativo em comparação com o movimento "pró" Humano. O cão chama-se "Zico". E a criança morta? Alguém sabe? (Chamava-se Dinis, já agora).
3 - Há definições de hierarquia entre Homem e Animal ainda pouco estabilizados na Sociedade Portuguesa. O Homem e o Animal não estão, nem estarão ao mesmo nível. Muitas das argumentações "contra" as touradas e outros movimentos "pró" animal geram sentimentos muito inflamados e provocam reacções que não se vê noutras questões cívicas. 
4 - Embora com muitas sobreposições em termos das pessoas envolvidas, considero a Defesa dos Animais uma causa diferenciada do Movimento Ambientalista. Sou um defensor dos Animais, colocando-os naturalmente num nível diferente do Homem. Os animais são o resultado do funcionamento dos Ecossistemas e das Paisagens. Dedico-me a defender os Ecossistemas de forma a que eles possam viver e considero-os parte das nossas Paisagens, como forças que as moldam, mantêm, cuidam e trabalham. 
6 - Há animais selvagens ou em estado natural ou de liberdade. Há animais domesticados. E  há animais de companhia. Vejo os movimentos pró-animal pouco ou nada empenhados na defesa dos 2 primeiros e em tudo o que isso significa e obriga, e cada vez mais envolvidos emocionalmente exclusivamente com o 3º grupo. A estabulação dos animais, o artificialismo extremo dos métodos de produção animal, a quantidade e qualidade da alimentação animal no nosso regime de alimentação, a defesa das Reservas Territoriais a todos os níveis como base de vida dos animais não tem, praticamente, qualqluer envolvimento das pessoas e da Sociedade. 
7 - Os donos dos animais de companhia, sejam eles potencialmente perigosos ou não, devem ser responsabilizados pelos seus actos. Hoje, infelizmente, os nossos cães, por culpa dos donos, sujam sem apelo os passeios e comprometem a utilização dos nossos jardins, Uma situação lamentável e que coloca em risco a saúde pública. As mordidas e os ataques vêm só depois. Se nem a higiene colectiva é garantida, como pensar que somos capazes de lidar com responsabilidades mais exigentes?
8 - Temo pelo próximo acontecimento. São recorrentes. A Lei não é cumprida, as pessoas desculpam-se com o "cão" e nada realmente acontece. Tem morrido gente! Basta.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Os "tontos" desta Terra

Foto: AQUI


Entrar a pé em plena boca da Marina do Lugar de Baixo na Ponta do Sol (Madeira) pelos vistos não é tão complicado como a persistência notável de Raimundo Quintal ao apontar o dedo aos inúmeros disparates paisagisticos e urbanisticos que se fazem por aqui. Quando digo por aqui, digo pela ilha da Madeira. Esta foto de 05.01.2013 que Raimundo Quintal publica no seu facebook é o culminar de muitos milhões já gastos.

Neste mesmo local, em 2011, Alberto João Jardim considerou pomposamente "um prazer" ser críticado "pelos tontos desta terra". 

...

(TEXTO COMPLETO AQUI

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Porque os ciclistas têm direito a estar vivos!


Já é tempo de mudarmos de vida. Não, não é preciso andarmos todos de bicicleta. 
É preciso que andemos todos menos de carro e que os que andem, respeitem os outros utilizadores do espaço público.
Tem havido um crescente de atropelamentos de ciclistas. Continua a haver um discurso de que a bicicleta é algo de lazer e que deve "ir para os passeios". Continua a haver tangentes aos ciclistas, muitas propositadas. 
A rede viária continua a ser fortemente desenhada para as altas velocidades, pouco amigável para a bicicleta.
As ciclovias vieram mostrar que havendo condições de segurança, as pessoas aderem. Porque maioritariamente têm medo dos carros, têm medo dos condutores que temos.
A bicicleta, como veículo, tem os mesmos direitos que uim automóvel. Também tem os mesmos deveres, mesmo tendo em conta que o incumprimento das regras por parte de um automóvel provoca muito mais danos do que um incumprimento por parte de um ciclista que, acaba por se colocar sobretudo a ele em risco.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Várias no cravo e apenas uma na ferradura

Créditos da Foto: AQUI


Várias no cravo:

O início do ano na CP começou com greve total. 
Dia 01 de Janeiro, feriado, não houve comboios e não se cumpriram, uma vez mais, os serviços alternativos decretados pelo Tribunal Arbitral. 
A greve dos maquinistas sà horas extraordinárias e ao trabalho em dias feriados é, para mim, totalmente justa, já que o que se oferece como remuneração em dias feriados é absoltuamente imoral. De facto, mais vale ficar em casa.
Já o incumprimento das deliberações do Tribunal Arbitral me parece mais grave. É sistemátiva, aconteceu por 4 vezes em Dezembro e não teve, pelo menos que se saiba, consequências.
Acontece porém que as greves na CP não têm dias específicos. São permanentes.
O site da CP informa, com naturalidade, que há greves previstas durante o período de 02 de janeiro a 31 de janeiro, ou seja, o mês ineiro! A grave como norma e não como excepção.

A supressão de comboios que assim permite o habitual "ping-pong" entre a Administração e os Sindicatos. Por um lado a Adminstração justifica-os com a greve dos maquinistas. Os Sindicatos falam de material obsoleto, permanentemente avariado. 
O mais grave é que ambos têm razão.
O Presidente da CP ainda há pouco tempo assumiu que o material circulante não está em condições e está permanentemente avariado. 
Aliás, o PEC1 anulou logo o orçamento de 300 Milhões de Euros previstos para a necessária revisão do material circulante na Linha de Cascais. Apesar das espantosas subidas de preços da bilhética e de passes, o serviço degrada-se diariamente e as expectativas começam a virar-se para a Privatização ou Concessão da Linha...

E apenas uma na ferradura:

O novo tarifário da CP na área urbana de Lisboa parece-me muito positivo.
Haja notícias boas. A tarifação por zonas permite a utilização de várias linhas dentro da mesma zona.
Por exemplo, isto permite circular nos comboios dentro da Cidade de Lisboa. A Rede Ferroviária dentro de Lisboa é muito razoável e tem estado sub-valorizada como solução de mobilidade pelos utentes, sobretudo devido ao preço dos bilhetes.
Acrescente-se que esta solução permite o transporte de bicicletas a quaqluer hora, situação que não acontece no metropolitano. Boas notícias também para os ciclistas que pretendam usar a bicicleta em articulação com um transporte pesado.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2013 e a Ecologia Política




Comecei a colaborar desde 01 de Janeiro de 2013 no Blog "Risco Contínuo", aceitando o simpático convite que me fez o Pedro Quartin Graça.

Esta minha colaboração serve-me como incentivo a contribuir,  com as minhas ideias na área ambiental, para um público mais vasto. 

Em matéria de conteúdos tentarei mostrar que o "Ambiente e a Ecologia" são e serão bons motivos para termos esperança num futuro melhor. O Ambiente e a Ecologia e a solidariedade social, em conjunto, podem contribuir para uma nova ordem económica e para uma vida melhor. 

Manterei inalterada a minha actividade neste blog, até porque neste âmbito permite-me expressar outras ideias para além das que trata o "Risco Contínuo".

Cada Post que publicar no "Risco Contínuo" terá aqui a respectiva referência e link directo, para quem quiser seguir.

O primeiro post é "A Caixa de Pandora de Leal da Costa" , tentando mostrar que os apelos à prevenção das doenças não podem estar afastadas das políticas consequentes...

Os meus votos de um bom 2013.


sábado, 29 de dezembro de 2012

Por um novo Mundo Rural

No meio desta crise, começa a ser novamente debatido o regresso às actividades produtivas.
Boa parte das nossas potencialidades passa, necessariamente, pelo "regresso" ao mundo rural. 


O conceito de mundo rural foi nas últimas décadas desconsiderado. É fundamental que se perceba que boa parte das nossas potencialidades produtivas estão associadas à Agro-Indústria e à Silvo-Pastorícia. É na agricultura de qualidade, na produção silvícola, na pecuária DOP e depois nas actividades relacionadas (agro-industrias associadas - vinhos, sumos, conservas, etc) e ainda o Eco-Turismo, que nos é possivel reconstruir uma sociedade produtiva e equilibrada.




Com a internet e com as novas infra-estruturas, a própria ruralidade está hoje muito mais ajustada a ser um bom investimento, gerador de emprego e de riqueza.
Há que apostar na qualificação, na definição de objectivos tangíveis em matéria de qualidade e de exigência e legislar para permitir voltar às aldeias. 
As aldeias portuguesas, hoje ainda semi-abandonadas, são claramente o sinal de que ainda não começámos a retoma. A retoma passa inevitavelmente por esse regresso, sustentável, a um novo mundo rural.




 
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