FIGURA CML (vídeo do projecto "Local Lisbon" online, aos 52´).
O Jornal "Público" notícía que estaria em curso uma "nova estratégia para as bicicletas em Lisboa". Nada mais estranho, sabendo-se ainda para mais que essa "nova estratégia" surgiria, imagine-se, após uma reunião entre associações de ciclistas com os dois Vereadores que têm trabalhado os assuntos relativos à bicicleta.
Basicamente, a CML, que implementa desde 2007 uma rede ciclável, tendo conseguido o feito de conseguir que, de forma decisiva, a bicicleta se tenha instalado substancialmente na Cidade, ligando inumeros espaços verdes existentes e construidos, bem como diversos equipamentos colectivos e interfaces, e gerando uma alteração de fundo na percepção que a Cidade e os Lisboetas têm das possibilidades reais da bicicleta como ferramenta de mobilidade, de repente, após uma reunião, decidia que iria mudar de estratégia?
Mas alguém acredita nisso?
Sem querer tirar demasiado partido do facto de ter estado na referida reunião, registei com alguma surpresa um Comunicado sobre a mesma, sem que os referidos Vereadores tivessem sido convidados a juntarem-se a um memorando sobre o que realmente teria sido discutido. As Associações pura e simplesmente lançaram o comunicado, informando ao mundo de que a CML, após uma reuião, teria mudado a sua estratégia, de anos, para as bicicletas. De facto, as estratégias não têm que ser imutáveis, mas convinhamos que não seria nunca numa reunião que a mesma seria alterada. E se por acaso o fosse, concerteza que os representantes do Município dariam, eles próprios, essa notícia.
Teriamos sido, portanto, informados por terceiros.
Mas este assunto é mais claro e simples do que o que parece:
A estratégia para a bicicleta desde 2007 foi sempre pensada como tendo 2 momentos: Um primeiro momento de arranque, onde o "Plano Verde" e os corredores verdes são o motivo principal para o delinear de trajectos. A segregação foi largamente feita em espaço retirado ao automóvel (no período 2007-2013, apenas 12% será em espaço misto anteriormente pedonal), mesmo que esse espaço tenha sido em alguns casos nivelado à altura do passeio. Foram feitas ligações contínuas, atractivas e seguras entre pontos potencialmente atractivos da Cidade, optando-se por procurar áreas planas da Cidade, bem como implementar pontes ciclopedonais sobre barreiras físicas e para resolver questões de declive.
Ao contrário do que é dito na notícia, os resultados têm sido satisfatórios. Pelo menos para a generalidade dos utilizadores que usam as infra-estruturas e que são substancialmente novos utilizadores. Os objectivos estão a ser largamente cumpridos e na infra-estrutura já executada não se prevê mais do que correcções pontuais de alguns ressaltos e um ou outro ponto já detectado.
Esta estratégia, nada inovadora em cidades ditas "principiantes" como refere o gráfico do projecto "PRESTO", vai-se ajustando à medida que as infra-estruturas são implementadas. Lisboa não tinha ciclistas e agora já tem. Ainda pouco significativo no que respeita à repartição modal, é certo, mas cada vez mais.
Há muito que se prevê a sobreposição desta estratégia "verde" com uma outra de consolidação, que na verdade já está a acontecer há tempo, parecendo pela leitura do comunicado que os signatários só agora se deram conta disso, na reunião.
Esta natural sobreposição de uma "rede verde" que estruturou a primeira rede com uma segunda que se ramifica nas Ruas e Avenidas, quer através de segregação, quer através de "Zonas 30", menos desde 2010 que está abertamente em curso. E desde essa altura que é divulgada pela CML em eventos, fóruns e nos seus documentos oficiais.
Quer no Velo-City de Sevilha em 2011, quer em Copenhaga no Comité das Regiões, onde a CML vou a Rede Ciclável escolhida como projecto relevante, esta questão foi igualmente amplamente discutida. Mas foi também durante todo o processo de Revisão do PDM e em inúmeros documentos e fóruns públicos.
A maioria dos documentos de referência é claro: Cidades sem bicicletas têm uma abordagem diferenciada de outras com contextos sedimentados de cultura da bicicleta.
Cabe às Associações saberem gerir os momentos e a forma de participação neste processo. Boa parte do comunicado que foi lançado não informa adequadamente o público e torna esta questão aparentemente volátil.
Mas a estratégia já delineada é para implementar e aquilo que foi combinado com as Associações de Ciclistas na reunião será, no referido âmbito, para ser cumprida.
Mas a estratégia já delineada é para implementar e aquilo que foi combinado com as Associações de Ciclistas na reunião será, no referido âmbito, para ser cumprida.










