sábado, 11 de maio de 2013

A transferência da falta de confiança

Temos assistido nos últimos tempos em Lisboa a um estranho fenómeno: o de criticar toda e qualquer acção que envolva abate de árvores em meio urbano.
Esta situação é tanto mais grave quanto são públicas as responsabilidades civis e criminais sobre os responsáveis autárquicos nas situações em que o mau estado fitossanitário do arvoredo venha a configurar prejuízos a terceiros. Já houve no passado conhecidas sentenças judiciais sobre casos semelhantes.
Em Lisboa, fruto do seu mediatismo e do elevado grau de participação cívica, qualquer árvores abatida em resultado das suas detereoradas condições fitossanitárias, configura um motivo para rápidas especulações.
O Município de Lisboa tem conseguido divulgar estas situações através de relatórios online com fotos e detalhes técnicos das condições fitossanitárias do arvoredo, justificações e descrições. (CONSULTAR AQUI)
Fruto da natural discrepância entre quem conhece as patologias vegetais e o comum dos cidadãos que avalia mediante intuição, verificam-se incompreensões que culminam em campanhas públicas sobre os então denominados "arborícidios". Considero neste aspecto muito grave quando associações e movimentos, estando na posse de informação, nao a divulgam junto dos cidadãos preocupados e que buscam nestas auxílio para as suas dúvidas. Quem ganha com o perpetuar da dúvida?
É certo que décadas de "podas camarárias" não ajudam a fomentar a confiança entre os cidadãos e os poderes públicos responsáveis pela manutenção do arvoredo, mas o que tenho assistido em termos de campanha negativa nestes últimos anos é absolutamente lamentável para as associações em causa, demonstrando que a habitual falta de confiança ainda comum entre o cidadão e o município tenderá, por este andar, a transformar-se progressivamene numa falta de confiança entre o cidadão e algumas ONGAs.  

terça-feira, 30 de abril de 2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O Parque Periférico e o Vale da Ameixoeira de Ribeiro Telles


Atrás deste muro está para muitos o ainda desconhecido "Vale da Ameixoeira", parte integrante do Parque Periférico idealizado por Gonçalo Ribeiro Telles, que hoje venceu o Prémio "Nobel" da Arquitectura Paisagista. Parabéns Prof. Gonçalo Ribeiro Telles!
O Parque Periférico é uma das componentes mais extraordinárias da Estrutura Ecológica de Lisboa e do Plano Verde, ligando Monsanto às encostas do Vale do Trancão, em Odivelas/Loures. (album de fotos do Parque Periférico AQUI)
Com projecto aprovado, há um parque para todo este Vale. O projecto da CML recupera uma ribeira a céu aberto, restaura a galeria ripícola e incorpora um percurso naturalizado com hortas e planta árvores e arbustos autóctones.
Está tudo a postos para o início das obras. Resta-nos fazer figas. 
Nota: Também publicado no Blog Risco Contínuo

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O binómio comboio+bicicleta em Lisboa

Linha da Azambuja - Estação Alcântara-Terra
Linha de Sintra - Estação Benfica

Usei e abusei hoje da possibilidade de transporte de bicicletas no comboio.
Com 3 viagens de bicicleta e 2 viagens de comboio resolvi com simplicidade e toda a eficiência chegar onde tinha que ir. 
Alcântara-Terra - Sete-Rios (6 min) e Benfica-Rossio (7 min). Prático, confortável, útil.
A CP tem feito grandes melhorias nesta área do transporte de bicicletas e em Lisboa permite grandes atravessamentos, ultrapassando áreas de colinas e permitindo que a bicicleta circule até só em áreas planas, com todo o conforto.
A recente recomendação da Assembleia da República sugere a extensão aos serviços intercidades. Tenho esperança de que a CP agarre mais esta oportunidade.

terça-feira, 2 de abril de 2013

As renováveis abastecem Portugal

Fonte: AQUI
Até parece provocação. José Sócrates dá uma entrevista na 4ª feira à RTP e nos dias seguintes o País tem "superavit" de electricidade assente nas renováveis. Ouvi falar na exportação de 50 milhões de euros de energia nestes 5 dias.
E esta, ein?

quarta-feira, 27 de março de 2013

O "progresso" da Ponte Vasco da Gama


Imagem "Google Maps" no Concelho do Montijo
A minha opinião é de o verdadeiro objectivo foi sempre o de urbanizar Alcochete e o Montijo, gerando assim novo tráfego rodoviário. A Presidente da Câmara do Montijo ao "i" "admitiu que o desenvolvimento e progresso trouxeram também aspetos negativos, como o trânsito, "que aumentou significativamente, o ruído e alguma poluição"...
O processo não podia ser mais simples, próprio do paradigma e da equação milagrosa que nos tem governado: 
NOVA URBANIZAÇÃO = TERRENO RURAL + NOVA RODOVIA
Compraram-se terrenos agrícolas e nasceu em 10 anos um enorme subúrbio, hoje parcialmente deserto, dado o excesso de oferta de casas novas aliada à quebra do mercado imobiliário.
Com franqueza: Mas alguém alguma vez acreditou nos objectivos ambientais de uma nova ponte de 15km de tabuleiro, com 6 faixas de rodagem, que atravessou uma zona de protecção especial e aterrou em áreas agrícolas?

terça-feira, 26 de março de 2013

O astrólogo Marcelo


Foto AQUI
O aumento do número de ciclistas em Lisboa nos últimos anos, em linha com a generalidade das Cidades Europeias, com as pessoas a deslocarem-se para o trabalho e muitas empresas da Cidade já a criarem condições para se ir de bicicleta, lembra-me sempre os comentários semanais do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Em Junho de 2007 (em campanha autárquica), numa das suas análises "objectivas" sobre os mais diversos assuntos da actualidade, referiu-se a propósito da participação de António Costa num passeio de bicicleta em Lisboa que "se há cidade onde não faz sentido defender a bicicleta com as sete colinas é Lisboa. (...) Andar de bicicleta em Lisboa, teoricamente é impossível (...)".
Numa cidade em que mais de metade é um enorme planalto para norte do Saldanha e onde a zona ribeirinha tem só cerca de 15km, certezas destas lembram-me o pior da astrologia. A foto acima trata de uma concentração de bicicletas em 1911 na Praça do Comércio. A bicicleta era um veículo comum na Cidade de Lisboa para o dia a dia. As pessoas estão vestidas normalmente, não são desportistas. Alguma coisa mudou na Cidade para que a bicicleta tenha diminuido drasticamente. E não foram as 7 colinas. Foi outra coisa. E enquanto estas certezas vigoraram em Lisboa, essa "coisa" de que falo teve caminho aberto para prosperar, destruindo-se com isso o espaço público e consumindo-se muitos milhões em recursos financeiros que hoje nos fazem tanta falta em áreas básicas.
O carro tem importância no nosso quotidiano. A bicicleta sózinha nunca responderá a todas as necessidades. Mas se queremos falar de eficiência urbana e bom uso dos dinheiros públicos, mais espaço pedonal, mais bicicletas e melhores transportes públicos têm que estar, os três, no centro da nova agenda. Isto por mais que custe às certezas de alguns astrólogos. 
 
Site Meter