quarta-feira, 26 de junho de 2013

8 verdades inconvenientes

Porque este é o meu blogue pessoal, onde escrevo sozinho e por mim só, sinto-me na necessidade de escrever este post, embora a propósito de algo onde estou envolvido profissionalmente, para além de emocionalmente.
O processo das hortas urbanas é demasiado virtuoso para ser alvo de tamanha campanha difamatória a propósito das Hortas da Cerca da Graça. Sou por isso contactado por amigos que me perguntam como é que não se falou com os hortelãos, como é que foi possivel destruir uma horta para construir outra.
Deixo aqui 8 pontos que esclarecem alguns dos receios daqueles que, lendo tanta informação nas redes sociais, começam a ter dúvidas sobre o que pensar: 

1 - A área alvo de limpeza durante o dia de ontem vão ser hortas urbanas públicas e todos os hortelãos que costumavam utilizar aquele terreno foram convidados a nelas participar;
2 - A empreeitada em curso insere-se na criação da maior zona verde do centro histórico de Lisboa, projecto que foi aprovado em reunião de Câmara e como tal esteve em consulta pública, e que garante em definitivo a perpetuação das hortas urbanas naquele espaço, integradas num miradouro de uso  público e que integra uma rede de água e abrigos comunitários para arrumos, tudo reivindicações de todos;
3 - O processo envolveu pelo menos 2 reuniões com todos os ocupantes, e o grupo que se queixa de não ter sido ouvido, veio a 2 reuniões, onde estavam todos os hortelãos que são, por isso mesmo, disso testemunhas; 
4 - A argumentação que gerou discórdia é simples: o grupo não aceita qualquer alteração daquele espaço que entendem ser deles. Daí em diante resolver faltar às reuniões convocadas pelo próprio Vereador Sá Fernandes. 
5 - A discussão do projecto envolve grandes talhões de hortas, com cerca de 90m2, em espaços terraceados de forma a contrariar o declive do terreno. É esta compartimentação do terreno que não cabe no conceito do grupo comunitário que entende ser direito seu a ocupação de terrenos municipais, vedá-los, enche-los de lixo e rejeitar toda a qualquer proposta de discussão. Sim, o espaço nos últimos tempos era uma lixeira e já não tinha culturas. Consulte-se as fotos e o abaixo-assinado de quase 500 pessoas circulava entre os moradores das redondezas. Dá-me ideia de que se prefere ouvir este grupo do que ouvir os moradores ou os outros hortelãos.
6 - À excepção deles, os outros hortelãos no local aderiram ao projecto, havendo uma pessoa que não quer continuar, por decisão própria;
7 - Com o diálogo extremado, notificaram-se todos os ocupantes para sairem do terreno. Essa notificação foi feita a este grupo que, a partir desse momento, preferiu agarrar-se a todas as questões legais como sejam considerar que a carta assinada não era "uma notificação como deve ser" ou que as reuniões que tiveram foi com pessoas que "não conheciam o processo". Este grupo, não sendo legalmente constituído e não tendo morada registada, foi também notificado por e-mail. 
8 - Ontem a empreeitada implicou a primeira tarefa: limpeza do terreno. Apesar disso o Vereador Sá Fernandes insiste em poder falar com o grupo e tentar uma solução de compromisso no novo espaço. 

Toda esta questão levanta algumas perplexidades:

a) Pode um grupo defender a vida comunitária e a liberdade e ao mesmo tempo recusar todas as regras da vida em comunidade, quando estas não lhes convêm?
b) Faz sentido que se defenda a ausência de regulamentação para os espaços, mas em seguida alegar que as notificações e outros passos processuais associados à limpeza do terreno não cumpram supostamente as regras legais?
c) Pode uma autarquia promover a qualificação de um espaço muito degradado, ainda para mais somando à legitimidade democrática, a vontade dos moradores e a concordância da Junta de Freguesia?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Hi-Tech Português na área das pastagens biodiversas de sequeiro

Vale a pena conhecer esta tecnologia campeã na fixação de CO2 no solo, aliada a uma espantosa Biodiversidade. O projecto está em votação AQUI

terça-feira, 11 de junho de 2013

Mais Hortas Urbanas em concurso

Tem sido uma aposta destes últimos anos. Depois dos Parques Hortícolas da Quinta da Granja, Jardins de Campolide, Telheiras Nascente, e dos concursos já concluídos para os quase prontos Parques Hortícolas da Quinta da Paz e do Parque Bensaúde, avançam os concursos para mais dois, sendo estes verdadeiros "pesos-pesados" dentro da Rede proposta: O Parque do Vale de Chelas e o Parque dos Olivais.

O site da CML sintetiza os concursos da seguinte forma:

"Assim, de 11 a 28 de Junho decorrerá o prazo para apresentação de candidaturas ao concurso para o Parque Hortícola dos Olivais e para o Parque Hortícola do Vale de Chelas:

Parque Hortícola dos Olivais:

Candidatura para atribuição de 31 talhões de cultivo, entre os 80 e os 140 m2, para a prática de agricultura urbana, através do modo de produção biológico.

Parque Hortícola do Vale de Chelas:
Candidatura para atribuição de 80 a 100 talhões de cultivo, com 150 m2."

Também publicado AQUI

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Encaixotar a Paisagem

O que chamaria de ensaio vivo sobre a ineficiência energética dos edifícios, sob a capa do formalismo pós-moderno.
De facto, tenho-me cruzado com muitos estudantes de arquitectura na minha viagem diária de comboio. Julgo que são de arquitectura porque levam maquetes de edifícios que estão a trabalhar nas suas disciplinas, e é quase certo que são volumes do tipo "caixotes", quer de cartão, quer de madeira de balsa, quer de outros materiais.
Não nos espantemos pois se numa baía com tanto potencial como a de Cascais, se deite abaixo o obsoleto "Estoril-Sol" para erguer de imediato o já obsoleto edifício de metal e vidro que lá vemos, cujo resultado em matéria de ineficiência energética deve, certamente, bater todos os recordes. Haja dinheiro.

domingo, 26 de maio de 2013

Uma das Leis mais perigosas da nossa História

Ontem Lisboa juntou-se ao resto do mundo na sua luta contra a obrigatoriedade de patentear as sementes.
É um dos maiores ataques à nossa civilização este que estamos a assistir no que respeita à criminalização das variedades tradicionais, em detrimento de "sementes-marca".
Este artigo é rigorosamente verdade e destaco este parágrafo para que se perceba o enorme problema que temos em mãos: "Uma das consequências mais comprovadas da marcha da Monsanto é a irreversível contaminação genética dos ecossistemas pelos OGM, sendo que a presença desse código genético implica o pagamento das patentes desses genes cobrado pelas companhias."
Achei que ontem fomos muito poucos. Muito poucos perante a extrema gravidade do que está em causa. E é algo irreversível. As pessoas estão claramente a passar ao lado disto. E é muito grave, mas o Governo Português é claramente cúmplice, por que nada faz, nada diz, quando tudo tinha para se opôr a esta barbárie.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O que está afinal a fazer as pessoas andarem mais de bicicleta em Lisboa?

Que o número de ciclistas aumenta de forma visível em Lisboa, isso não há grandes dúvidas. E que aumenta de forma mais considerável do que em concelhos limítrofes, também me parece óbvio.
A cidade de Lisboa, a mesma onde a bicicleta era "impossível" transformou-se afinal numa cidade onde é hoje impossível sim não se ver diariamente ciclistas que usam a bicicleta para o trabalho.
No meu "facebook" e não só discuto abertamernte estas questões com muita gente.
Da minha parte considero que se trata de um conjunto variado de razões, mas que o papel que o Município teve com a introdução de uma rede de ciclovias de quase 50km, a construção de 5 pontes ciclopedonais para ultrapassar obstáculos físicos penalizantes, a colocação de dezenas de pontos de estacionamento de bicicletas e com acções diversas de promoção e sensibilização tem uma importância decisiva para que as pessoas saiam para a rua todos os dias.
Numa cidade altamente motorizada, onde a redução de tráfego e de espaço automóvel que se tem conseguido em vários locais (Baixa, Avenida da Liberdade, Marquês de Pombal, Avenida Duque d´Ávila, etc), numa atitude sem precedentes na Cidade, em caso algum retira o carácter altamente motorizado que está instalado há décadas, é óbvio que a criação de percursos cicláveis teve e continua a ter um papel fundamental.
Fico portanto preocupado com comentários de pessoas com responsabilidade no acompanhamento destas matérias expressem a convicção de que terá sido apenas a crise e o papel das ONGs ligadas à bicicleta a conseguir estes resultados, ignorando por completo tudo o resto. 
Preocupado porque denota uma enorme dificuldade em aceitar que não há importação de receitas fixas para atingir uma cidade ciclável. 
Preocupado porque outras cidades em situações semelhantes, como Sevilha, estão hoje cotados internacionalmente pelos seus excelentes resultados, após actuações em boa parte semelhantes. 
Preocupado porque esta análise denota que não se compara sequer o que se passa, por exemplo na Duque d´Ávila com as Avenidas que lhe estão adjacentes em matéria de fluxo ciclável, o que considero grave pois demonstra uma rigidez na apreciação da realidade que em nada abona a favor de soluções de consenso nestas matérias.
Por fim, o seguinte: entre a teoria e a concretização há uma estratégia, um caminho a percorrer e em boa parte as estratégias assumem um carácter de tomadas de decisão política. E esse caminho que está a ser percorrido deve ser ajustado passo a passo, com todos os envolvidos.
Não me parece que o balanço do que tem sido feito em matéria de bicicletas seja negativo, antes pelo contrário, mas se o trabalho do Município é visto simplificada e rigidamente desta forma por alguns actores relevantes do chamado "movimento ciclista", teremos um trabalho bem mais complexo pela frente do que eu alguma vez pensei, pelo menos no que a este aspecto de avaliação e diagnóstico diz respeito. 
Isto porque o trabalho do Município não é satisfazer nenhum "lobby" ciclista em particular, mas sim a população em geral (em geral avessa à ideia da bicicleta de uso quotidiano), cativando-a independentemente da  sua classe etária, classe social ou actuais hábitos, de que a bicicleta é um meio de transporte válido e útil para elas e para uma melhor cidade, sozinha ou em articulação com o transporte público.

sábado, 11 de maio de 2013

A transferência da falta de confiança

Temos assistido nos últimos tempos em Lisboa a um estranho fenómeno: o de criticar toda e qualquer acção que envolva abate de árvores em meio urbano.
Esta situação é tanto mais grave quanto são públicas as responsabilidades civis e criminais sobre os responsáveis autárquicos nas situações em que o mau estado fitossanitário do arvoredo venha a configurar prejuízos a terceiros. Já houve no passado conhecidas sentenças judiciais sobre casos semelhantes.
Em Lisboa, fruto do seu mediatismo e do elevado grau de participação cívica, qualquer árvores abatida em resultado das suas detereoradas condições fitossanitárias, configura um motivo para rápidas especulações.
O Município de Lisboa tem conseguido divulgar estas situações através de relatórios online com fotos e detalhes técnicos das condições fitossanitárias do arvoredo, justificações e descrições. (CONSULTAR AQUI)
Fruto da natural discrepância entre quem conhece as patologias vegetais e o comum dos cidadãos que avalia mediante intuição, verificam-se incompreensões que culminam em campanhas públicas sobre os então denominados "arborícidios". Considero neste aspecto muito grave quando associações e movimentos, estando na posse de informação, nao a divulgam junto dos cidadãos preocupados e que buscam nestas auxílio para as suas dúvidas. Quem ganha com o perpetuar da dúvida?
É certo que décadas de "podas camarárias" não ajudam a fomentar a confiança entre os cidadãos e os poderes públicos responsáveis pela manutenção do arvoredo, mas o que tenho assistido em termos de campanha negativa nestes últimos anos é absolutamente lamentável para as associações em causa, demonstrando que a habitual falta de confiança ainda comum entre o cidadão e o município tenderá, por este andar, a transformar-se progressivamene numa falta de confiança entre o cidadão e algumas ONGAs.  
 
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