segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Quando a arquitectura é um perigo à solta

É verdade: mamarrachos há-os em todas as épocas mas temo que hoje os edifícios como se mostra na foto da direita sejam tudo menos considerados "mamarrachos e muito menos pelos seus autores que muito se orgulharão da "contemporaneidade" das suas linhas...
Hoje perderam-se completamente os contextos e as mínimas orientações quanto aos projectos de arquitectura. E por isso, é muito mais grave desenhar "mamarrachos" nos tempos actuais, mas muito mais quando se destrói um enorme pinhal em frente ao mar com um loteamento e, até ao momento, todos os edifícios nos lotes construídos são semelhantes aos que a foto mostra! E todos projectados por arquitectos diferentes, presume-se, já que após o loteamento aprovado, os lotes são adquiridos pelos proprietários que decidem, dentro dos limites de densidade aprovados, o que construir e quando.
Faz falta, muita falta, haver um código arquitectónico para todo o País. É polémico, mas é muito mais polémico que seja o RJUE a legislar em matéria urbanistica, com total ausência de código arquitectónico.
Os loteamentos e a ausência de código arquitectónico têm destruído as nossas Paisagens.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Transportes Públicos: Lisboa / Berlim

     Região de Berlim
 
      Área Metropolitana de Lisboa

Procurei uma comparação simples entre a Área Metropolitana de Lisboa e de Berlim, apresentando imagens com o mesmo grau de detalhe (a mesma escala). Note-se que os limites da região de Berlim ocupam a parte central da imagem, enquanto a área metropolitana de Lisboa servida por transportes estende-se sensivelmente na mesma proporção, mas devido ao relevo, com disposições diferentes.
Se a escala do mapa é a mesma, mais difícil é comparar a realidade dos transportes públicos das duas áreas metropolitanas. Nem vou falar da dimensão da rede, pois aí a dimensão é francamente subjectiva. Vou comparar alguns factos que me parecem interessantes:
1 - Em Berlim, um bilhete 30 dias custa 78,00EUR e permite viajar em toda a rede de transportes em toda a área Metropolitana. Experimente aqui tentar encontrar um bilhete único para toda a área de Lisboa...Valores combinados de apenas alguns dos operadores em Lisboa facilmente ultrapassam os 100,00EUR e não cobrem nem de perto nem de longe a mesma área geográfica... Não consigo perceber quanto custaria um bilhete completo de todos os operadores, mas julgo que ultrapassará sem problemas os 200EUR pelo menos.
2 - Em Berlim, a rede de transportes funciona 24h por dia nas vésperas de sábados ou domingos e ainda vésperas de feriado.
3 - Um bilhete simples para toda a rede custa 2,60EUR em Berlim e permite, durante 2h usar toda a rede. 
4 - Quem comprar o bilhete 30 dias, está autorizado a trabsportar consigo uma pessoa gratuitamente a partir das 20H todos os dias e durante todo o fim de semana.
Podia-me alongar sobre outros requisitos da qualidade de serviço, modernidade e conforto, mas aquilo que se demonstra com alguma facilidade é que por cá entende-se o Transporte Público como "despesa", enquanto em Berlim (e na Alemanha em geral) como investimento ao serviço de pessoas e empresas, com retorno em ganhos económicos.
O resultado em Lisboa é que o serviço é muito mais caro, muito pior e, diga-se, cada vez pior e menos frequente. É um ciclo vicioso que só se quebra com uma mudança ideológica, que permita que a estratégia seja a da motivação do uso e nunca o contrário, permitindo amortizar os ganhos de eficiência com ganhos económicos. Estamos muito longe desta visão e isso explica facilmente boa parte dos nossos atrasos estruturais. 
O nosso primeiro atraso é um défice de mentalidades e de liderança.

domingo, 28 de julho de 2013

A rápida evolução de um projecto de espaço verde


    2010
    2013
Quando em 2010 postei sobre o Parque Hortícola da Rebelva (Cascais), apenas na minha cabeça de projectista, e de quem igualmente acompanhou o projecto e a obra, estavam as imagens que três anos volvidos pude constatar "in loco".
Há uma evolução permanente neste espaço, mas as apostas que se fizeram para a qualificação de toda esta faixa para Norte da Quinta da Alagoa estão, a meu ver, conseguidas. 
O percurso, outrora pouco amistoso, está consolidado e serve hoje de atalho diário para ciclistas e peões, num ambiente cada vez mais colorido e frondoso. 
O Parque Hortícola resultou em pleno, está ocupado ao milimetro e tem potencialidade para crescer e ocupar algumas das áreas de enquadramento nas imediações. 
As pracetas funcionam bem em articulação com as habitações e os materiais estão intactos. 
As áreas de recreio activo em relva são apenas uma pequena parte de toda a área e estão concentradas sobretudo em duas únicas plataformas, com boa exposição solar e topografia adequada. 
Todos os espaços verdes são ocupados por revestimento arbustivo e sub-arbustivos de espécies autóctones ou adaptadas, de forma a que nesta altura uma falha de água ou mesmo de manutenção não as colocaria já em risco.
Ser arquitecto paisagista tem também estes momentos de satisfação: quando vemos evoluir no bom sentido os projectos que com tanto esforço desenvolvemos.


 
  
 
 
 
 


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Um compromisso de salvação, quem sabe mais simples...

Nem me interessa quem coloca os paineis eleitorais. Os resultados estão bem à vista no solo.
Há uma Lei em Portugal que permite a colocação de paineis onde se queira, com a excepção de haver protecção patrimonial consagrada.
É pouco. Muito pouco. Um outdoor é uma barreira opaca, os seus postes exigem fundações e a sua colocação, tantas vezes descuidada, destroi locais, corta vistas e altera profundamente a qualidade dos espaços.
Estava na hora de conseguir um amplo consenso sobre o equilibrio entre o direito à publicidade e o direito dos cidadãos a usufruirem dos seus espaços. Julgo que este consenso é tangível e também urgente.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Entrevista ao "Jornal do Pedal"

Fui entrevistado pelo Tiago Carvalho para o "Jornal do Pedal" sobre alguns aspectos da estratégia para as bicicletas em Lisboa.
O Jornal está aí disponivel, mas há uma versão online AQUI

domingo, 14 de julho de 2013

Vale tudo, menos piqueniques

Já tinha visto muita coisa, mas um jardim de Bairro repleto de placas de tamanho "XL" a proibir piqueniques, isso nunca tinha visto.
Isto num jardim cada vez mais descaracterizado, também por placas, e onde é possivel fazer-se de tudo com as devidas autorizações. O jardim tem durante largos meses contentores que servem grelhados e até serviu para uma gigantesca exposição de carros usados, que na altura fiz a devida referência.
Talvez ainda ninguém tenha olhado verdadeiramente para a degradação que se está a tranaformar o Jardim central de Paço d´Arcos, mas valia a pena...

segunda-feira, 8 de julho de 2013

A revolução da sobriedade


A imagem é de Leonardo Di Caprio a andar naturalmente de bicicleta em Nova Iorque, mas começo por citar de cor Helena Roseta relembrando parte do seu discurso este sábado em Lisboa: "Austeridade pela austeridade, não! Mas o que aprendemos com os ecologistas é que é preciso nos tempos que correm sermos capazes de optar pela sobriedade. O mundo não aguenta este nível de consumismo".
Lembro-me de um excelente artigo de Henrique Pereira dos Santos há uns meses atrás, em plena "crise Jonet", quando clarificava a provável falta de habilidade da Presidente do Banco Alimentar para tentar transmitir este conceito.
O que aspiramos hoje de facto tem que ser a um outro Mundo, menos consumista (muito menos), onde possamos ter acesso a serviços colectivos básicos de qualidade, em detrimento de uma Sociedade que aspire a ter tudo em grandes quantidades, normalmente gerando enormes assimetrias na distribuição da riqueza e para mais gerando uma vida de pouca qualidade sob vários pontos de vista.
Sobriedade, frugalidade, qualidade, proximidade, fraternidade, tempo, são alguns dos aspectos pelos quais devemos, colectiva e individualmente lutar, nesta altura de enorme encruzilhada civilizacional em que nos encontramos.

 
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