domingo, 29 de junho de 2014

Um Parque inacessivel e sem gente

O "Parque dos Poetas" em Oeiras está praticamente às moscas. O que é muito grave, já que só a última fase custou 7,0 milhões de euros...
Há variadas questões que levantam as maiores perplexidades, já para não questionar o conceito geral do parque, a escolha de materiais altamente dispendiosos e um conjunto de soluções construtivas de elevado custo: 
- Como é possivel não ter sido sequer garantida, em várias das entradas, o acesso a cidadãos com mobilidade condicionada - cadeiras de rodas ou carrinhos e bebé?
- Como se explica um parque infantil vazio, sem equipamentos para além de meia dúzia de "molas" para 2 anos de idade, numa área de 7 milhões de euros?
- Como se justifica que haja uma fonte cibernética cuja localização adjacente ao limite sul significa que em funcionamento, normalmente projecta água para fora do parque, levada pelo vento, deixando a via e os passeios perigosamente escorregadios?  
- Há alguma razão para ter sido construido um enorme edifício em betão armado adjacente para norte à área em funcionamento, travando a continuidade do parque, edificio esse que, caso seja inaugurado, serve para estacionamento.
- Como é possivel o parque ter sempre os seus portões fechados, à excepção do portão norte e do portão sul? Ninguém percebeu que, para os peões, trata-se de um desvio considerável, em tempo? Como é possivel negligenciar o potencial de atravessamento de um parque na direcção nascente-poente, como fomentador de viagens a pé, a ligar por exemplo às várias escolas e à estação da CP de Paço d´Arcos?
Isto é um parque ou uma intervenção artística? Para que serve tão cara obra e depois estar praticamente inacessivel?

Segue-se uma descrição breve de algumas das questões a que fiz referência:

A próxima fase do Parque dos Poetas começará com um bunker em betão para estacionamento, previsivelmente nem sequer activo. Um Parque precisa de um parque de estacionamento coberto?
7,0 Milhões de Euros custou só esta fase. Um monstro abandonado ou embargado, tira a maior das qualidades deste parque: A vista de rio

Completamente desproporcionado, este edíficio abandonado tira a vista do Parque. E tira-lhe a escala.
Haja esperança na sua demolição.



O edifício de estacionamento automóvel é a "porta de entrada" do parque dos poetas. A passagem pedonal desta via automóvel não é fácil. Será complicado passar de uma área do parque para outra em segurança. Là em cima um enorme edifício marcará o topo da nova área do Parque em construção, Claramente no melhor local para um espectacular miradouro surge um edifício. Mais uma estranha decisão.
Que edifício é este? É uma passagem aérea para ligar uma parte do parque à outra. Uma fortuna numa solução em escada, inacessivel a cidadãos com mobilidade reduzida e que ainda para mais ficou interrompido. Uma solução totalmente incompreensivel fazer-se esta passagem aérea, quando se trata de uma via local com 1+1 faixa...


O Parque Infantil é isto: uma mancha de borracha sem equipamentos... porquê?

Portões sempre fechados. A circulação pedonal de acesso e atravessamento do parque é uma impossibilidade.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Voltar às ruas também é isto




















A utilização de praças e avenidas para eventos públicos é uma nova forma de actuação das empresas nos seus processos de divulgação.
O espaço público é isso mesmo. Tem servido ao longo das últimas décadas sobretudo para circulação e estacionamento de viaturas, onde o peão perdeu quase todos os direitos a usufruir de um espaço que é realmente seu. A utilização do espaço público para manifestações, concertos, performances, demonstrações, é claramente uma boa notícia de um movimento de retorno à vida na Cidade.
Podemos gostar mais ou menos deste ou daquele evento, mas meio milhão de pessoas na Avenida da Liberdade é uma boa notícia para este objectivo macro que é viver o espaço público e para a generalidade do comércio que vive da rua e das pessoas que circulam na rua e se deslocam aos estabelecimentos a pé.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Quantos milhões?









No dia em que soube que vão ser investidos mais 1,2 milhões de dinheiro público na contenção das Torres de Ofir, para tentar salvá-las de uma localização completamente errada, é o mesmo dia em que a Tom-Tom divulga os seus dados do congestionamento anual em Lisboa e Porto. Em Lisboa perdem-se 3 dias parados no trânsito e no Porto é quase igual. A isto somem-se os muitos milhões em rodovias!
Estes dados são importantes para contrabalançar a ideia de que ordenamento territorial bem feito, com restrições à edificação de acordo com critérios de sustentabilidade ecológica, que não gerem tráfego automóvel, ocupação de bons solos e de solos sensíveis, em suma, que não provoquem desequilíbrios no território, só servem para consumir tempo e recursos ao Estado e às Empresas.
Aqueles que defendem um planeamento "flexível" e "ajustado às oportunidades" (quem não quer isto? Eu também quero) pensem que a balizar tudo isto têm que estar sempre os critérios de sustentabilidade.
Porque não os ter é que custa dinheiro. Muito dinheiro! E para o resto da vida.

(fonte: http://cdn.controlinveste.pt/Storage/JN/2014/big/ng3026486.jpg e http://www.destak.pt/edicao-dia)

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Os ZOOs do Séc XIX

















Faz 130 anos. Se dúvidas houvesse, é do Séc XIX.
E faz sentido. Remete ao tempo em que os "Julios Vernes" descobriam o mundo científico e onde a sua divulgação correspondia a uma necessidade, compreensível, das populações das metrópoles da época.
Capturar um leão e trazer para Londres ou Nova Iorque fazia tanto sentido como hoje vermos excelentes fotos de leões em revistas de divulgação ou assistirmos no conforto dos nossos sofás a um programa da "National Geographic".
Em suma, não faz hoje sentido ir ver um leão enjaulado numa jaula quando temos tecnologia que nos permite vê-lo em liberdade e com muito maior qualidade para nós espectadores.
Hoje há tecnologias 3D e 4D, hoje há WebCams, hoje existe um gama de tecnologias digitais que deviam ser o futuro dos ZOOs. Verdadeiros espaços de divulgação científica. E para os ZOOs seria uma poupança de recursos considerável e creio que um aumento de receita.
Para mim, animais nos ZOOs seriam restringidos apenas a animais em perigo de extinção ou em programas de salvaguarda de fauna autóctone. As receitas deste novo espaço permitiriam inclusivé a sustentabilidade de diversos programas.
A ideia de que o ZOO é um espaço "amigo dos animais" porque lá podemos "ver animais" é a meu ver um conceito completamente desactualizado. Enquanto não mudarem, os ZOOs vão continuar sempre à procura de financiamento para se manterem, com as dificuldades que se conhecem, e vão adoptar para sobreviver cada vez mais a forma de um qualquer parque de diversões. Os ZOOs podem vir a ser um excelente espaço de divulgação científica, de protecção ambiental e sensibilização para a protecção animal. Hoje, peço desculpa, não o são.

sábado, 24 de maio de 2014

Marginal! Isto vai ter que mudar!






















FOTO PARA REFLECTIR! 
Paço d´Arcos, 24.05.2014, às 12:30h.
Uma mãe, de bicicleta com o seu filho, tentam sobreviver num micro-passeio de 1.00m de largura com todo o tipo de sinais, armários e avisos à mistura, enquanto todo o espaço da marginal é usado por carros que só com um radar cumprem os 70km/h.
Isto está errado e vai ter que mudar!
VOTE PROPOSTA 7 DO OP OEIRAS ATÉ AMANHÃ DIA 25.
VOTE 3 vezes: http://orcamentoparticipativo.cm-oeiras.pt/registo.aspx

terça-feira, 20 de maio de 2014

Para que serve afinal tanto Alqueva
















Há muitos que se dizem verdes e ficam vermelhos de raiva contra o TUA mas estiveram silenciosos contra o Alqueva. Uma barragem sobre-dimensionada que custou milhões e milhões em betão, desmatações, expropriações, deslocações, reconstruções, e cuja vocação começa a ser cada vez mais aquilo que se temia: Aldeamentos, Campos de Golfe e mais recentemente a ideia de irrigar eucaliptos numa bizarra solução de "regadio social".

Refere hoje o "Público" que "o presidente o conselho de administração da EDIA, José Pedro da Costa Salema, é favorável à plantação de eucaliptos em Alqueva, alegando que desta forma será possível garantir a sustentabilidade das pequenas explorações agrícolas, o chamado "regadio social". (sublinhado meu).

É claro que poderíamos ter tido um Alqueva equilibrado economicamente, bem como ambientalmente.
Nem a medida de minimização de só encher à cota 139m em vez da cota 152m foi na altura acatada. Temos hoje a maior albufeira artificial da Europa. E vamos acabar a regar campos de golfe e eucaliptos.
Foto AQUI

segunda-feira, 21 de abril de 2014

O imposto do açúcar e do sal


















Fala-se de poder vir a taxar produtos que comprovadamente contenham "... altos teores de açúcar, de sal, e alimentos vulgarmente considerados como “comida de plástico”, que podem provocar aumentos excessivos de peso", conforme é anunciado AQUI.

Parece-me bem que se equacione este imposto, da mesma forma como o tabaco é também altamente taxado, e pelos mesmos motivos: saúde.
A única questão é que esse imposto deveria reverter inteiramente para o Ministério da Saúde e nunca para o Orçamento do Estado. Sugiro que o mesmo seja utilizado em medidas de prevenção da obesidade, desde campanhas a rastreios.
Sugiro ainda que seja obrigatório todos os produtos que simplesmente contenham adição de açucar ou sal num valor a definir obrigem à identificação nos rótulos desse facto.

Mas, na mesma linha, começam a surgir evidências sobre o aspartame, ou os OGMs, que muito nos deviam preocupar. A rotulação deveria evoluir para simplesmente informar o consumidor de que contém estes produtos e, caso se venha a justificar, taxá-los igualmente.

Em todo o caso ninguém fica impedido de os comprar, pagando um imposto acrescido sobre os mesmos e contendo a informação necessária para uma decisão consciente.
 
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