Tinha-me escapado uma reportagem, já com uns meses, que agora, felizmente, a SIC Notícias repetiu.
Excelente trabalho jornalístico!
A vêr e meditar seriamente!
sábado, 9 de agosto de 2014
quarta-feira, 30 de julho de 2014
A percepção é tramada
O artigo da LUSA que foi partilhado por todos os principais meios de comunicação social (Público, Expresso, DN, JN, Destak, RR, etc, etc) e que inundou de fúria as redes sociais provocando a maior onda de contestação aos ciclistas de que me lembro, parece que se trata mesmo de uma ma (péssima) interpretação do conteúdo ou das intenções originais. Acontece aos melhores e aos piores.
Da próxima vez, os ciclistas terão ainda mais cuidado a transmitir as suas ideias, porque num país como o nosso tudo o que não seja a defesa do status quo tem que ser muito bem explicada, senão...
As duas Associações de Ciclistas visadas já fizeram publicar os seus esclarecimentos (FPCUB e MUBI).
Resta agora que a LUSA e todos os Media que fizeram a divulgação nos moldes originais da notícia possam retratar-se, a bem da desejável boa convivência entre veículos.
A percepção pública das reacções à notícia nos moldes em que saiu deixo-a acima caricaturada...
domingo, 6 de julho de 2014
E agora Professor?

Um dia iamos perder o Professor. Já o sabiamos. Foi hoje. E agora Professor? E agora? Quem é que nos orienta nos "seus" assuntos, que são os nossos do dia a dia?
Quem é que nos diz para não embarcarmos (era uma expressão sua) em tudo o que circule por aí, seja nos jornais, seja em movimentos de opinião, que é absolutamente fundamental ir buscar a informação às fontes e "fazer as contas".A quem é que podemos mandar um e-mail com uma dúvida, um problema, tantas vezes a exigir um aturado trabalho de verificação de dados, a quem o Professor nunca dizia que não. Dizia sempre "vou ver o que posso fazer". E lá vinham sempre as suas respostas claras, tudo claro e explicado em extensos mails, por vezes a altas horas da noite...É que o Professor nunca se chateava com as nossas dúvidas!
Não sou do tempo em que desmontou esse "grande" negócio do nuclear de Ferrel nos anos 70, mas vi-o há pouco tempo voltar à carga numa investida que aí houve mais recente. Mas lembro-me das suas viagens a Aveiro quando o Ministério Público o obrigou a perder milhares de horas em julgamentos a propósito da co-incineração... julgamento esse que, claro, o Professor ganhou! Tinha razão. Fez-nos um favor a todos nós.
E quando o CO2 apareceu como sendo a razão para todos os males e o Professor veio logo avisar-nos de que ir por aí não ia dar bom resultado, que alarmismos e catastrofismos exacerbados, ao mínimo falhanço, iam ser o descrédito total. E que fazendo as contas se via que o assunto estava a ser mal colocado. E que o problema seriam alterações climáticas, sobretudo pela alteração do uso do solo, má gestão da Paisagem. E cada dia que passava se via que estava com a razão do seu lado.
O Professor fechava o ciclo das coisas, tal como defendia que os materiais funcionavam neste mundo. Um assunto aparentemente estanque numa matéria específica acabava, nas suas mãos, interligado e lógico com outros saberes. E a sua capacidade de argumentar que nos deixava a todos a ouvi-lo se fosse preciso horas, sem pestanejar. Se a Ciência ficou indiscutivelmente mais pobre, ficámos todos muito mais pobres com a sua partida e com a falta que nos fará a sua capacidade de resposta e de proposta. E infelizmente, ficaremos certamente mais vulneráveis para o que aí vem!
Mas permita-me fechar também o ciclo das ideias. É que se o Professor era um grande cientista, era ainda
mais uma excelente pessoa e um grande amigo.
Foto AQUI
Publicado também AQUI
O Professor fechava o ciclo das coisas, tal como defendia que os materiais funcionavam neste mundo. Um assunto aparentemente estanque numa matéria específica acabava, nas suas mãos, interligado e lógico com outros saberes. E a sua capacidade de argumentar que nos deixava a todos a ouvi-lo se fosse preciso horas, sem pestanejar. Se a Ciência ficou indiscutivelmente mais pobre, ficámos todos muito mais pobres com a sua partida e com a falta que nos fará a sua capacidade de resposta e de proposta. E infelizmente, ficaremos certamente mais vulneráveis para o que aí vem!
Mas permita-me fechar também o ciclo das ideias. É que se o Professor era um grande cientista, era ainda
mais uma excelente pessoa e um grande amigo.
Foto AQUI
Publicado também AQUI
domingo, 29 de junho de 2014
Um Parque inacessivel e sem gente
O "Parque dos Poetas" em Oeiras está praticamente às moscas. O que é muito grave, já que só a última fase custou 7,0 milhões de euros...
Há variadas questões que levantam as maiores perplexidades, já para não questionar o conceito geral do parque, a escolha de materiais altamente dispendiosos e um conjunto de soluções construtivas de elevado custo:
- Como é possivel não ter sido sequer garantida, em várias das entradas, o acesso a cidadãos com mobilidade condicionada - cadeiras de rodas ou carrinhos e bebé?
- Como se explica um parque infantil vazio, sem equipamentos para além de meia dúzia de "molas" para 2 anos de idade, numa área de 7 milhões de euros?
- Como se justifica que haja uma fonte cibernética cuja localização adjacente ao limite sul significa que em funcionamento, normalmente projecta água para fora do parque, levada pelo vento, deixando a via e os passeios perigosamente escorregadios?
- Há alguma razão para ter sido construido um enorme edifício em betão armado adjacente para norte à área em funcionamento, travando a continuidade do parque, edificio esse que, caso seja inaugurado, serve para estacionamento.
- Como é possivel o parque ter sempre os seus portões fechados, à excepção do portão norte e do portão sul? Ninguém percebeu que, para os peões, trata-se de um desvio considerável, em tempo? Como é possivel negligenciar o potencial de atravessamento de um parque na direcção nascente-poente, como fomentador de viagens a pé, a ligar por exemplo às várias escolas e à estação da CP de Paço d´Arcos?
Isto é um parque ou uma intervenção artística? Para que serve tão cara obra e depois estar praticamente inacessivel?
Segue-se uma descrição breve de algumas das questões a que fiz referência:
![]() |
| A próxima fase do Parque dos Poetas começará com um bunker em betão para estacionamento, previsivelmente nem sequer activo. Um Parque precisa de um parque de estacionamento coberto? |
![]() |
| 7,0 Milhões de Euros custou só esta fase. Um monstro abandonado ou embargado, tira a maior das qualidades deste parque: A vista de rio |
![]() |
| Completamente desproporcionado, este edíficio abandonado tira a vista do Parque. E tira-lhe a escala. Haja esperança na sua demolição. |
![]() |
| O Parque Infantil é isto: uma mancha de borracha sem equipamentos... porquê? |
![]() |
| Portões sempre fechados. A circulação pedonal de acesso e atravessamento do parque é uma impossibilidade. |
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Voltar às ruas também é isto
A utilização de praças e avenidas para eventos públicos é uma nova forma de actuação das empresas nos seus processos de divulgação.
O espaço público é isso mesmo. Tem servido ao longo das últimas décadas sobretudo para circulação e estacionamento de viaturas, onde o peão perdeu quase todos os direitos a usufruir de um espaço que é realmente seu. A utilização do espaço público para manifestações, concertos, performances, demonstrações, é claramente uma boa notícia de um movimento de retorno à vida na Cidade.
Podemos gostar mais ou menos deste ou daquele evento, mas meio milhão de pessoas na Avenida da Liberdade é uma boa notícia para este objectivo macro que é viver o espaço público e para a generalidade do comércio que vive da rua e das pessoas que circulam na rua e se deslocam aos estabelecimentos a pé.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Quantos milhões?
No dia em que soube que vão ser investidos mais 1,2 milhões de dinheiro público na contenção das Torres de Ofir, para tentar salvá-las de uma localização completamente errada, é o mesmo dia em que a Tom-Tom divulga os seus dados do congestionamento anual em Lisboa e Porto. Em Lisboa perdem-se 3 dias parados no trânsito e no Porto é quase igual. A isto somem-se os muitos milhões em rodovias!
Estes dados são importantes para contrabalançar a ideia de que ordenamento territorial bem feito, com restrições à edificação de acordo com critérios de sustentabilidade ecológica, que não gerem tráfego automóvel, ocupação de bons solos e de solos sensíveis, em suma, que não provoquem desequilíbrios no território, só servem para consumir tempo e recursos ao Estado e às Empresas.
Aqueles que defendem um planeamento "flexível" e "ajustado às oportunidades" (quem não quer isto? Eu também quero) pensem que a balizar tudo isto têm que estar sempre os critérios de sustentabilidade.
Porque não os ter é que custa dinheiro. Muito dinheiro! E para o resto da vida.
(fonte: http://cdn.controlinveste.pt/Storage/JN/2014/big/ng3026486.jpg e http://www.destak.pt/edicao-dia)
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Os ZOOs do Séc XIX
Faz 130 anos. Se dúvidas houvesse, é do Séc XIX.
E faz sentido. Remete ao tempo em que os "Julios Vernes" descobriam o mundo científico e onde a sua divulgação correspondia a uma necessidade, compreensível, das populações das metrópoles da época.
Capturar um leão e trazer para Londres ou Nova Iorque fazia tanto sentido como hoje vermos excelentes fotos de leões em revistas de divulgação ou assistirmos no conforto dos nossos sofás a um programa da "National Geographic".
Em suma, não faz hoje sentido ir ver um leão enjaulado numa jaula quando temos tecnologia que nos permite vê-lo em liberdade e com muito maior qualidade para nós espectadores.
Hoje há tecnologias 3D e 4D, hoje há WebCams, hoje existe um gama de tecnologias digitais que deviam ser o futuro dos ZOOs. Verdadeiros espaços de divulgação científica. E para os ZOOs seria uma poupança de recursos considerável e creio que um aumento de receita.
Para mim, animais nos ZOOs seriam restringidos apenas a animais em perigo de extinção ou em programas de salvaguarda de fauna autóctone. As receitas deste novo espaço permitiriam inclusivé a sustentabilidade de diversos programas.
A ideia de que o ZOO é um espaço "amigo dos animais" porque lá podemos "ver animais" é a meu ver um conceito completamente desactualizado. Enquanto não mudarem, os ZOOs vão continuar sempre à procura de financiamento para se manterem, com as dificuldades que se conhecem, e vão adoptar para sobreviver cada vez mais a forma de um qualquer parque de diversões. Os ZOOs podem vir a ser um excelente espaço de divulgação científica, de protecção ambiental e sensibilização para a protecção animal. Hoje, peço desculpa, não o são.
Subscrever:
Mensagens (Atom)











