quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Porque eles estão à entrada das praças de touros


 
Experimente ir a um parque aquático. A troco de nada as atracções nestes espaços incluem "shows" de repteis, aves exóticas e claro os desgraçados leões marinhos, focas ou golfinhos. 
A que propósito tudo isto em parques aquáticos cuja razão de existir seria fundamentalmente escorregar em fato de banho até cair numa piscina? Porque é que uma ave é capturada e amestrada para servir de atracção num parque temático? Porque é que um animal aquático apanhado numa foto a encostar a face num visitante como se o tivesse a beijar é uma imagem "bonita" para o animal, que ninguém contesta, mesmo sabendo o esforço que está por trás do animal para que o comportamento seja esse? Porquê?
A verdade é que proliferam os "mini-zoos" um pouco por todo o lado. E se juntarmos a estes zoos as inúmeras explorações intensivas de "carne" verificamos que a crítica ou oposição a este tipo de acontecimentos é praticamente nula. E porquê? Porque os denominados grupos de defesa dos animais está totalmente focado nas corridas de touros! Curiosamente uma prática que utiliza animais em estado totalmente livre (o touro bravo ou de lide) cuja vida até à praça de touros é passada inteiramente num estado semi-selvagem em campo aberto.
Quando me falam em problemas dos animais penso sempre em tudo menos nas praças de touros. Mas é lá que se concentram todas as forças e todo o lobby, permitindo que cada vez mais, um pouco por todo o lado, os animais estejam realmente muito pouco defendidos. 

sábado, 9 de agosto de 2014

O perigo dos antibióticos no Ambiente (Video)

Tinha-me escapado uma reportagem, já com uns meses, que agora, felizmente, a SIC Notícias repetiu.
Excelente trabalho jornalístico!
A vêr e meditar seriamente!

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A percepção é tramada















O artigo da LUSA que foi partilhado por todos os principais meios de comunicação social (Público, Expresso, DN, JN, Destak, RR, etc, etc) e que inundou de fúria as redes sociais provocando a maior onda de contestação aos ciclistas de que me lembro, parece que se trata mesmo de uma ma (péssima) interpretação do conteúdo ou das intenções originais. Acontece aos melhores e aos piores. 
Da próxima vez, os ciclistas terão ainda mais cuidado a transmitir as suas ideias, porque num país como o nosso tudo o que não seja a defesa do status quo tem que ser muito bem explicada, senão...
As duas Associações de Ciclistas visadas já fizeram publicar os seus esclarecimentos (FPCUB e MUBI).
Resta agora que a LUSA e todos os Media que fizeram a divulgação nos moldes originais da notícia possam retratar-se, a bem da desejável boa convivência entre veículos.
A percepção pública das reacções à notícia nos moldes em que saiu deixo-a acima caricaturada...

domingo, 6 de julho de 2014

E agora Professor?


Um dia iamos perder o Professor. Já o sabiamos. Foi hoje. E agora Professor? E agora? Quem é que nos orienta nos "seus" assuntos, que são os nossos do dia a dia?
Quem é que nos diz para não embarcarmos (era uma expressão sua) em tudo o que circule por aí, seja nos jornais, seja em movimentos de opinião, que é absolutamente fundamental ir buscar a informação às fontes e "fazer as contas".A quem é que podemos mandar um e-mail com uma dúvida, um problema, tantas vezes a exigir um aturado trabalho de verificação de dados, a quem o Professor nunca dizia que não. Dizia sempre "vou ver o que posso fazer". E lá vinham sempre as suas respostas claras, tudo claro e explicado em extensos mails, por vezes a altas horas da noite...É que o Professor nunca se chateava com as nossas dúvidas!
Não sou do tempo em que desmontou esse "grande" negócio do nuclear de Ferrel nos anos 70, mas vi-o há pouco tempo voltar à carga numa investida que aí houve mais recente. Mas lembro-me das suas viagens a Aveiro quando o Ministério Público o obrigou a perder milhares de horas em julgamentos a propósito da co-incineração... julgamento esse que, claro, o Professor ganhou! Tinha razão. Fez-nos um favor a todos nós.
E quando o CO2 apareceu como sendo a razão para todos os males e o Professor veio logo avisar-nos de que ir por aí não ia dar bom resultado, que alarmismos e catastrofismos exacerbados, ao mínimo falhanço, iam ser o descrédito total. E que fazendo as contas se via que o assunto estava a ser mal colocado. E que o problema seriam alterações climáticas, sobretudo pela alteração do uso do solo, má gestão da Paisagem. E cada dia que passava se via que estava com a razão do seu lado.
O Professor fechava o ciclo das coisas, tal como defendia que os materiais funcionavam neste mundo. Um assunto aparentemente estanque numa matéria específica acabava, nas suas mãos, interligado e lógico com outros saberes. E a sua capacidade de argumentar que nos deixava a todos a ouvi-lo se fosse preciso horas, sem pestanejar. Se a Ciência ficou indiscutivelmente mais pobre, ficámos todos muito mais pobres com a sua partida e com a falta que nos fará a sua capacidade de resposta e de proposta. E infelizmente, ficaremos certamente mais vulneráveis para o que aí vem!
Mas permita-me fechar também o ciclo das ideias. É que se o Professor era um grande cientista, era ainda
mais uma excelente pessoa e um grande amigo.
Foto AQUI
Publicado também AQUI

domingo, 29 de junho de 2014

Um Parque inacessivel e sem gente

O "Parque dos Poetas" em Oeiras está praticamente às moscas. O que é muito grave, já que só a última fase custou 7,0 milhões de euros...
Há variadas questões que levantam as maiores perplexidades, já para não questionar o conceito geral do parque, a escolha de materiais altamente dispendiosos e um conjunto de soluções construtivas de elevado custo: 
- Como é possivel não ter sido sequer garantida, em várias das entradas, o acesso a cidadãos com mobilidade condicionada - cadeiras de rodas ou carrinhos e bebé?
- Como se explica um parque infantil vazio, sem equipamentos para além de meia dúzia de "molas" para 2 anos de idade, numa área de 7 milhões de euros?
- Como se justifica que haja uma fonte cibernética cuja localização adjacente ao limite sul significa que em funcionamento, normalmente projecta água para fora do parque, levada pelo vento, deixando a via e os passeios perigosamente escorregadios?  
- Há alguma razão para ter sido construido um enorme edifício em betão armado adjacente para norte à área em funcionamento, travando a continuidade do parque, edificio esse que, caso seja inaugurado, serve para estacionamento.
- Como é possivel o parque ter sempre os seus portões fechados, à excepção do portão norte e do portão sul? Ninguém percebeu que, para os peões, trata-se de um desvio considerável, em tempo? Como é possivel negligenciar o potencial de atravessamento de um parque na direcção nascente-poente, como fomentador de viagens a pé, a ligar por exemplo às várias escolas e à estação da CP de Paço d´Arcos?
Isto é um parque ou uma intervenção artística? Para que serve tão cara obra e depois estar praticamente inacessivel?

Segue-se uma descrição breve de algumas das questões a que fiz referência:

A próxima fase do Parque dos Poetas começará com um bunker em betão para estacionamento, previsivelmente nem sequer activo. Um Parque precisa de um parque de estacionamento coberto?
7,0 Milhões de Euros custou só esta fase. Um monstro abandonado ou embargado, tira a maior das qualidades deste parque: A vista de rio

Completamente desproporcionado, este edíficio abandonado tira a vista do Parque. E tira-lhe a escala.
Haja esperança na sua demolição.



O edifício de estacionamento automóvel é a "porta de entrada" do parque dos poetas. A passagem pedonal desta via automóvel não é fácil. Será complicado passar de uma área do parque para outra em segurança. Là em cima um enorme edifício marcará o topo da nova área do Parque em construção, Claramente no melhor local para um espectacular miradouro surge um edifício. Mais uma estranha decisão.
Que edifício é este? É uma passagem aérea para ligar uma parte do parque à outra. Uma fortuna numa solução em escada, inacessivel a cidadãos com mobilidade reduzida e que ainda para mais ficou interrompido. Uma solução totalmente incompreensivel fazer-se esta passagem aérea, quando se trata de uma via local com 1+1 faixa...


O Parque Infantil é isto: uma mancha de borracha sem equipamentos... porquê?

Portões sempre fechados. A circulação pedonal de acesso e atravessamento do parque é uma impossibilidade.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Voltar às ruas também é isto




















A utilização de praças e avenidas para eventos públicos é uma nova forma de actuação das empresas nos seus processos de divulgação.
O espaço público é isso mesmo. Tem servido ao longo das últimas décadas sobretudo para circulação e estacionamento de viaturas, onde o peão perdeu quase todos os direitos a usufruir de um espaço que é realmente seu. A utilização do espaço público para manifestações, concertos, performances, demonstrações, é claramente uma boa notícia de um movimento de retorno à vida na Cidade.
Podemos gostar mais ou menos deste ou daquele evento, mas meio milhão de pessoas na Avenida da Liberdade é uma boa notícia para este objectivo macro que é viver o espaço público e para a generalidade do comércio que vive da rua e das pessoas que circulam na rua e se deslocam aos estabelecimentos a pé.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Quantos milhões?









No dia em que soube que vão ser investidos mais 1,2 milhões de dinheiro público na contenção das Torres de Ofir, para tentar salvá-las de uma localização completamente errada, é o mesmo dia em que a Tom-Tom divulga os seus dados do congestionamento anual em Lisboa e Porto. Em Lisboa perdem-se 3 dias parados no trânsito e no Porto é quase igual. A isto somem-se os muitos milhões em rodovias!
Estes dados são importantes para contrabalançar a ideia de que ordenamento territorial bem feito, com restrições à edificação de acordo com critérios de sustentabilidade ecológica, que não gerem tráfego automóvel, ocupação de bons solos e de solos sensíveis, em suma, que não provoquem desequilíbrios no território, só servem para consumir tempo e recursos ao Estado e às Empresas.
Aqueles que defendem um planeamento "flexível" e "ajustado às oportunidades" (quem não quer isto? Eu também quero) pensem que a balizar tudo isto têm que estar sempre os critérios de sustentabilidade.
Porque não os ter é que custa dinheiro. Muito dinheiro! E para o resto da vida.

(fonte: http://cdn.controlinveste.pt/Storage/JN/2014/big/ng3026486.jpg e http://www.destak.pt/edicao-dia)
 
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