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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Frio em Lisboa, a 2 de Fevereiro de 1954

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Um Provedor de Justiça para o direito a estacionar muitos carros no espaço público

Imagem da internet AQUI

"O Provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa, considerou nesta segunda-feira que a EMEL (Empresa Pública Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa) está a cobrar "taxas abusivas" aos residentes na atribuição do segundo e terceiro dístico de estacionamento."


O 1º parágrafo da notícia do "Público" é, só por si, de arrepiar!
Um Provedor de Justiça vem defender que uma pessoa deve poder estacionar quantos veículos tenha no espaço público a preços módicos!
Que justiça é esta que defende o estacionamento na via pública, e nada diz sobre a falta de qualidade do espaço público para os peões em virtude do próprio espaço abusivamente ocupado pelas viaturas?
Quem é este Sr. para falar em "direito a estacionar" automóveis no espaço público que é de todos?
Como é possível suportar tamanha ingerência nas políticas municipais de gestão do espaço público?

Que dirá o Presidente da Câmara de Londres, Paris, Berlim ou Copenhaga a lêr uma notícia destas?
Alguém falou em emigrar recentemente?...
Deixo o resto do artigo, se ainda houver coragem para o continuar a lêr...


"Numa nota da Provedoria da Justiça, pode ler-se que o provedor recomendou à Câmara de Lisboa a "revisão dos regulamentos municipais de estacionamento, na parte em que agravam as despesas com a aquisição do dístico de residente quando, para um mesmo fogo, são declarados vários automóveis".

No seu entender, "
os habitantes da cidade de Lisboa têm direito a estacionar as viaturas de que são proprietários nas zonas de estacionamento tarifado à superfície e nas zonas de acesso condicionado, dentro do perímetro demarcado da sua residência".

Por isso, "o provedor de Justiça considera que as explicações prestadas pelo município de Lisboa não oferecem uma razão válida que justifique o agravamento" das taxas em caso de "pluralidade de automóveis por fogo habitacional -- por não ser tomado em linha de conta o número de membros do agregado familiar", indica a nota.

A Lusa tentou obter uma reacção da EMEL, mas até ao momento não foi possível."

in PUBLICO
http://www.publico.pt/Local/emel-cobra-taxas-abusivas-ao-2-e-3-disticos-de-estacionamento-diz-provedor-de-justica-1529344#

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Alegoria dos Jardineiros e dos Lenhadores



FOTO AQUI



Esta poderia ser a Alegoria da Caverna, mas não é.

Podia ser numa qualquer caverna! Mas não é.
Mas pode ser numa qualquer Cidade aí ao virar da esquina.



Esta é uma história de jardineiros, lenhadores e árvores.
De um lado, jardineiros. Do outro, lenhadores.
A tarefa: plantar árvores, ter mais árvores, numa terra despovoada e desertificada.

Nessa cidade, os jardineiros esperaram anos e anos para ver os lenhadores plantar árvores.
Mas os lenhadores não as plantavam e a Paisagem cada vez ficava mais deserta. Apenas as cortavam os lenhadores!
Nos seus discursos longos e empolgantes, nos seus estudos repletos de alto conhecimento, nas Universidades onde também lecionavam, os lenhadores nunca perdiam muito tempo a falar de florestas nem de árvores, apenas discutiam quais os melhores métodos para as cortarem.

E até publicavam muitas teses com isso!

Mas na Paisagem, cada vez menos árvores existiam...


Os jardineiros, ao fim de muito tempo, resolvem um dia assumir essa tarefa, até porque os jardineiros, de outra perspectiva, estudaram muito e já sabiam umas coisas sobre o assunto. Para além dos seus jardins e das suas flores, decidem então, com determinação e muita imaginação, começar a plantar árvores e a plantar florestas. Árvore após árvore, muitas vezes enfrentando difíceis contextos, as populações já viam e reconheciam o esforço do seu trabalho.

Finalmente, a Paisagem tinha mais árvores e não havia dúvida que o ar estava mais fresco, mais limpo.

Claro que para haver mais árvores, havia menos espaço para a terra aberta e os que estavam habituados a isso protestavam! "Gosto de árvores", diziam, "mas aqui?" Outros diziam "Árvores? Sim, claro, mas não da maneira como está a ser feito!"

Os lenhadores, um dia perceberam que havia outros que resolveram fazer o trabalho que a eles cabia.
Ficaram furiosos!
Ao princípio barafustaram muito e puseram-se ao lado dos que criticavam as "árvores aqui" ou dos que se lamentavam sobre a forma como as árvores estavam a ser plantadas.
Que desespero, que agressividade, os lenhadores saíram depois para o terreno apressados, esses grandes especialistas em árvores, e logo agora os jardineiros as plantavam e, que desgraça, a floresta ganhava vida e já havia uma vida imensa associada à nova floresta, arbustos cresciam vigorosos por debaixo e animais nunca vistos circulavam alegremente por entre os troncos. Bem ou mal, a floresta lá estava, já se via, já se viam os resultados. E toda a gente só falava dos jardineiros, não podia ser.

Então, os lenhadores um dia resolveram anunciar que, naturalmente, iam assumir responsabilidades na criação de florestas. Sim, florestas é com os lenhadores!
Mas os dias passaram e continuavam a ser os jardineiros a plantar árvores e toda a gente ia perguntar aos jardineiros pelas árvores e pelo resultado das plantações e dos novos animais da floresta. E aos lenhadores ninguém perguntava nada! E os lenhadores que logo sabiam tanto de árvores! Nunca mais os lenhadores plantavam árvores e tanto tempo perdiam a criticar o trabalho dos jardineiros, a comentar, a explicar como fariam se fossem eles os lenhadores a plantar árvores.

Um dia, naquela caverna, naquela terra, saiu uma lei que dizia, mais ou menos isto, embora de forma genérica e sem especificar ao certo onde, nem como: cabia aos lenhadores plantar as árvores!


E então, logo os lenhadores anunciaram, com pompa e circunstância, que iam mesmo plantar as árvores por que sempre se esperou, mas que afinal todo o trabalho de plantação de árvores pelos jardineiros era meritório e logo descansaram toda a gente sobre o futuro desse trabalho: "está garantido", diziam, "vamos terminá-lo", "já estamos a pensar nisso", no fundo esse trabalho vistas bem as coisas sempre foi deles, dos lenhadores, nós sempre o soubemos, toda a gente o sabe, aliás eles é que sabem muito de árvores, até já tinhamos contado essa parte aqui na história, os lenhadores é que sabem de árvores, mesmo que até nunca as tenham plantado, eles é que sabem e toda a gente tem que perceber que são os lenhadores que percebem mesmo de árvores!
Ainda há dúvidas?

Não, já não há.

Claro está, que os jardineiros, que já tinham esperado tanto pelas árvores e pelas florestas, mesmo quando já se esperava que os lenhadores tratassem delas, que decidiram desde logo continuar com o seu trabalho, deixando claro que os lenhadores pudessem aplicar as medidas que tanto diziam saber fazer, até porque os lenhadores tinham algumas ferramentas imponentes que lhes permitiam fazer o trabalho em boas condições, e até tinham vontade, e diziam que queriam mesmo...

Os jardineiros dedicaram-se então à árdua tarefa de consolidar alguns dos trabalhos já executados nas suas florestas e, dentro dos seus jardins plantar também as árvores necessárias, até porque, claro está, todas juntas podem até fazer uma floresta e ligar às outras florestas, as que existem e as que os lenhadores seguramente vão plantar, porque eles dizem que sabem melhor que ninguém como se plantam...


E foi com descontracção, mas com a mesma determinação de sempre, que os jardineiros voltaram a sair à rua plantar mais árvores.
E, pelo menos à hora que saíram, e o sol já ia bem alto, os lenhadores, pelo menos aparentemente, ainda dormiam...


sábado, 30 de julho de 2011

Para a Caparica, de Bicla (na TV)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

"Estacionamento em Lisboa: o pau e a cenoura"





Daniel Oliveira: Antes pelo contrário


05/07/2011 in EXPRESSO




O aumento das tarifas de estacionamento em Lisboa gerou grande indignação. Compreendo mas discordo. Porque este aumento foi feito exactamente como tem de ser: mais caro no centro, mais barato na periferia. Mais barato onde há mais espaço, mais residentes e menos transportes públicos; mais caro onde o trânsito é maior, onde há mais gente a trabalhar e mais transportes públicos. A mobilidade é um direito. Mas andar de carro no centro das cidades e estacionar nas artérias principais é um luxo. E basta conhecer várias cidades europeias para o saber.
Circulam em Lisboa cerca de 700 mil carros por dia. Não há espaço para todos estacionarem. Tão simples como isto. E a verdade é que os carros estacionados por todo o lado estão a destruir a qualidade de vida dos cidadãos. A cidade não pode continuar a ser colonizada por carros, usurpando todo o espaço público que deveria estar reservado a jardins, passeios, esplanadas.
Os cidadãos têm direito a bons transportes públicos, a preços económicos, confortáveis e pontuais. Não têm direito a ir de casa ao trabalho e do trabalho a casa no seu próprio carro e a ocupar os centros das cidades com o seu automóvel. Isso é um luxo. E os luxos pagam-se. E pagam-se caro. Na verdade, acho que o estacionamento no centro de Lisboa, para não moradores, continua a ser demasiado barato (e a fiscalização devia ser bem mais severa). Vão de carro pelas grandes artérias das principais cidades europeias. Tentem estacionar por lá e verão que vos passa logo a vontade.
Dito isto, esperava duas coisas da mesma autarquia que tomou esta decisão: que se tivesse manifestado ruidosamente contra o anúncio da privatização de rotas da Carris, Metropolitano de Lisboa e CP e contra o aumento previsto para as tarifas dos transportes públicos; e que se comprometesse destinar os rendimentos do estacionamento para o financiamento dos transportes coletivos, como acontece em algumas cidades europeias. Para exigir civismo é preciso dar alternativas. E para mudar comportamentos não basta punir ou cobrar. É preciso dar incentivos. A Câmara de Lisboa mostrou o pau. Falta mostrar a cenoura. A reação de quem viveu a anos a ocupar de borla um espaço que é de todos com o que apenas a si pertence criou esta ideia de que o estacionamento gratuito é um direito. Não é. E ainda virá o dia em que, como acontece em Londres, se paga para trazer um carro para a cidade e que esse dinheiro serve para financiar o transporte coletivo. Talvez aí se perceba que o transporte público, esse sim, é que é que é para todos. E talvez então o aumento das suas tarifas cause a revolta que merecia.




sexta-feira, 24 de junho de 2011

Quando a circulação automóvel fala mais alto, a cabeça é que paga!

IMAGEM AQUI

Vejo muita gente e muitos blogs "contra o automóvel" com discursos muito meritórios e empenhados na defesa do espaço pedonal.
Olham para uma qualquer rua e só vêm problemas e defeitos. Nada contra a crítica.
Mas pior, nunca há melhorias, mesmo quando existem...


Dizer mal em blogs é menos difícil do que corrigir comportamentos crónicos!

É que na prática temos que distinguir o bom do óptimo e saber procurar concensos, senão a crítica em "todas as direcções" não leva a nada. É pura perda de tempo e dinheiro!

O Blog "A nossa Terrinha" terá que descer literalmente " à terra" se não se quiser esgotar com críticas demolidoras inconsequentes. Solução não as avança, não diz quanto custam. Nem imaginam o que custa lutar contra o automóvel. Pensam que é simples?

Não acreditam? Ora vejam:
Só para terem uma noção, ponham os olhos nas reacções da Assembleia Municipal de Lisboa ao evento que devolveu a Avenida da Liberdade aos peões por 1 dia e que teve mais de meio milhão de pessoas a circular alegremente por onde, lembra-nos a história, foi o Passeio Público, e por onde se fazem inúmeras manifestações, que igualmente "cortam" o tráfego.

Vejam quem vota a favor do que aqui se diz...

O "Sr. Automóvel" é isto mesmo! Vejam as votações em sintonia para três moções diferentes, que une o PPM aos "Verdes", une o PSD ao BE.
Cada um tem os seus motivos para votar contra, mas o espaço automóvel livre para circular de carro é o motivo sempre presente!
Uns sugerem que fosse na Bela-Vista, outros lamentam que esta avenida "de passagem" fique interdita, outros lamentam que seja um supermercado a financiar a acção.
Mas, apesar de meio milhão de pessoas a pé, todos lamentam a tal "falta de mobilidade"!

Blog "A Nossa Terrinha": Sejam benvindos à "nossa" terrinha!

Se quiserem concentrar esforços e contribuir para a mudança a favor do peão, não mudem a essência dos vossos posts nem as críticas.
Mudem sim os objectivos porque o alvo não é, infelizmente, quem pensam...


(Nota: os negritos e sublinhados abaixo são da minha responsabilidade)



Moção do PPM: FECHO AVª DA LIBERDADE - MEGAPIQUENIQUE

A Avª da Liberdade é umas das artérias mais importantes da cidade de Lisboa, fundamental para a circulação de automóveis, transportes públicos e pessoas. Uma das Avenidas com mais turismo da cidade.

Considerando que:
1 - A realização do mega Piquenique Continente, nesta Avenida, foi autorizado pela Câmara Municipal de Lisboa.
2 – Desde dia 15 de Junho que só se circula pelas faixas laterais, causando enormes problemas de trânsito, prejudicando milhares de lisboetas.
3 - Foi vedado o corredor central aos Taxistas e só autorizado aos transportes da carris, causando um enorme transtorno a esta classe de trabalhadores.
4 – A realização deste evento na Avenida da Liberdade, por mais contrapartidas que ofereça não justifica os transtornos causados, pois Lisboa tem ao dispor outros locais mais apropriados para este tipo de acções.
5 – A Câmara Municipal de Lisboa, mais uma vez secundariza os interesses da cidade em prol de um impulso publicitário a uma marca.

Vem por isso o Grupo Municipal do PPM propor que a Assembleia Municipal, na sua reunião ordinária de 21 de Junho de 2011, delibere, criticar totalmente, junto do executivo camarário, o local onde foi realizado o Mega Piquenique Continente, prejudicando e desrespeitando, assim milhares de pessoas.


E a votação foi:

Moção nº 3 - Aprovada por Maioria na Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de Lisboa
realizada em 21 de Junho de 2011, com a seguinte votação:

Votos a Favor: PSD / PCP / CDS-PP / BE/ PPM /PEV
Votos Contra: PS / 3 IND
Abstenções: MPT/ 3 IND




Moção do BE: Contra privatização do Espaço Público em Lisboa
com "Mega Pic Nic" do Continente




Considerando que:

1. A Câmara Municipal de Lisboa decidiu arbitrariamente cortar o trânsito na Avenida da Liberdade durante 4 dias para a realização de "Um Mega-Picnic", um evento comercial que transforma uma das principais artérias da cidade num centro comercial a céu aberto
do Grupo Continente.
2. Não é aceitável que, sob um pretexto que ainda está por provar de que este evento promoveria a produção nacional -, se venha agrilhoar qualquer espaço público da cidade em geral e muito menos uma das suas principais artérias, a Avenida da Liberdade,
limitando o acesso ao espaço em causa e dificultando a mobilidade
de milhares de cidadãos ao local e zonas limítrofes
.
3. Esta iniciativa de privatização do espaço público é um atentado ao
interesse público de livre usufruto de uma zona nobre da cidade de
Lisboa

4. Infelizmente, esta situação não constitui nenhum precedente porque
ela encadeia-se já numa prática política frequente do executivo
liderado por António Costa, tal como já sucedeu com o Jardim
da Estrela, a Praça das Flores, alem da Praça do Comércio e do
largo Rossio a serem também cedidos a outras marcas para fins
meramente comerciais.
5. A gestão da Câmara Municipal de Lisboa no que toca a ocupação
do espaço público por iniciativas privadas revela uma falta de
respeito para com os cidadãos que são o seu dono e principal
utente.
6. A ideia de que as instituições podem decidir a ocupação do espaço
público por operadores privados sem ter em conta as expectativas,
a opinião e os direitos dos cidadãos é um atropelo à gestão
democrática do espaço público.
7. O que esta iniciativa demonstra é que o presidente da CML, Dr.
António Costa tem negligenciado por completo o princípio da
auscultação e da participação dos cidadãos que devem ser o traço
principal da governação municipal moderna.
8.É imperativo que a autarquia inverta esta prática autoritária
de decisão, e promover o debate com todos, de modo a que a
realização de iniciativas com vantagens mútuas e justificadas na
base do interesse público e colectivo seja o princípio norteador da
governação da cidade.

O Grupo Municipal do Bloco de Esquerda propõe à Assembleia
Municipal de Lisboa, reunida no dia 21 de Junho de 2011,
delibere:

Repudiar a politica de privatização do espaço público, nomeadamente,
as suas zonas mais nobres e censurar a Câmara Municipal de Lisboa
pela reincidência nesta estratégia política.


E a votação foi:


Moção nº 7 - Aprovada por Maioria na Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de
Lisboa realizada em 21 de Junho de 2011, com a seguinte votação:

Votos a Favor: PSD / PCP / CDS-PP / BE/ PPM / PEV/ 2 IND
Votos Contra: PS/ 3 IND
Abstenções: MPT/ 1 IND



MOÇÃO CDS/PP "Mega Piquenique na Avenida da Liberdade"

Realizou-se no passado Sábado, uma acção de marketing organizada pelos Hipermercados Continente (Grupo Sonae), Câmara Municipal de Lisboa e a Confederação de Agricultores de Portugal (CAP), intitulada "Mega Pic-Nic".
O evento consistiu numa mega-horta, com amostras de produtos hortícolas e de animais, todos eles portugueses, bem como espaços de lazer e um concerto.

A cedência da Avenida da Liberdade, uma das zonas mais nobres da Cidade, é um desrespeito do Município pela História e pela Cultura, fazendo de uma artéria que é espaço público uma cedência a privados para uma acção de marketing.
O trânsito esteve condicionado durante 5 dias, provocando o caos a todos aqueles que utilizam esta passagem.
Aos moradores, os lugares de estacionamento foram sonegados sem aviso e apresentação de alternativas; aos comerciantes tornou-se quase impossível efectuar receitas nestes dias dadas as dificuldades de acesso a muitos dos estabelecimentos.
O Município defende a importância do evento com as contrapartidas do Continente ao
Município, através do arranjo dos espaços verdes da Avenida da Liberdade, espaço esse já em manutenção através de concurso promovido pela Câmara Municipal, e da criação de uma horta comunitária em Campolide.
A opção mediática de ocupar a Avenida da Liberdade é irresponsável e inaceitável, ainda mais tendo em conta que o Município votou o Parque da Bela Vista a um espaço de espectáculos, fechado ao público e que já foi palco não só de eventos musicais mas também de um piquenique organizado pelo Modelo, também pertencente ao Grupo Sonae.
A acrescentar a este desrespeito pelo Património, a organização montou um mega-palco junto ao Monumento de Homenagem à Restauração da Independência Portuguesa, na Praça dos Restauradores, violando a legislação de protecção do património classificado.

Face ao exposto, a Assembleia Municipal de Lisboa, reunida a 21 de Junho de 2011,
delibera:
1. Protestar contra a iniciativa da Câmara Municipal, de utilização da Avenida
da Liberdade, área em vias de classificação pelo IGESPAR, para acções de
marketing que não dignificam o seu património cultural e histórico, que
procedem a constrangimentos graves na mobilidade e que desrespeitam
moradores e comerciantes desta zona de Lisboa;

2. Exigir que a Câmara Municipal de Lisboa informe esta Assembleia do valor real
das contrapartidas, em que moldes foram negociadas e a estimativa de valores
de receitas para o Município taxas e licenças, em particular as respeitantes à
ocupação de via pública, publicidade e de ruído.


E a votação foi:


Moção nº 9 - Aprovada por Maioria na Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de
Lisboa realizada em 21 de Junho de 2011, com a seguinte votação:
Votos a Favor: PSD / PCP / CDS-PP / BE/ PPM / MPT / PEV / 2 IND
Votos Contra: PS / 3 IND
Abstenções: 1 IND


Pronto, e a vida é assim!...

sábado, 18 de junho de 2011

A "privatização" do espaço público

"(...) Bloco de Esquerda está contra a “privatização” do espaço público (...)"

(Excerto retirado AQUI )

As críticas parecem-me saídas de pessoas que, mais do que serem ou não de esquerda, são automobilistas crónicos. Daí provavelmente a sua relutância em que a Avenida da Liberdade não seja para os carros, mas para pessoas.
O BE nada disse sobre os quiosques recém-inaugurados, talvez porque os mesmos foram instalados sobre espaço pedonal, e não sobre espaço viário...espaço viário esse que conta só com 10 faixas de rodagem e 4 de estacionamento!

Fico absolutamente atónito com estas afirmações que, à partida e vindas do BE, tudo teriam para ser a favor o corte de espaço viário para dar lugar a milhares de pessoas a circular.
Assim se passa nas manifestações do 25 de Abril e espero que se continue a passar.

Há um conjunto de pessoas e entidades muito progressistas, que defendem os ideais do espaço público e que concordam sempre com tudo o que vá nesse sentido, "mas não aqui", "não da forma como está a ser feito" ou "não nesta altura" ou "não com esta dimensão". Falha-se nos momentos decisivos.

A autarquia não teve custos e, antes pelo contrário, viu a Avenida requalificada e um conjunto de contrapartidas muito relevantes na consolidação de espaços verdes no corredor verde que liga a Monsanto.

Também António Eloy, no seu blog, ao contrário dos excelentes posts que nos habituou sobre o nuclear, deixou que os seus desgostos toldassem as mais-valias da iniciativa.
Naturalmente, sem carros, não terá passado por lá. É pena, com carros já poderá decerto voltar, mas as esplanadas não terão o mesmo encanto. (digo eu, por experiência própria).

Ficam algumas fotos da dita "privatização" do espaço público da Avenida da Liberdade, pelas pessoas!
Era tão bom que em breve, com o apoio de todos quantos gostem MESMO do espaço público, fosse possível privatizá-lo em pról dos cidadãos, do transporte público, dos peões, das bicicletas, do comércio de rua, todos os dias do ano.




terça-feira, 19 de abril de 2011

Era uma vez uma Avenida que perdeu 2 faixas de rodagem


Once upon a time...


Era uma vez uma Avenida que, até 2009, tinha 4 faixas de rodagem, muito estacionamento e muito, mas muito pouco espaço pedonal. (foto aqui). A Avenida, de tão larga que era, permitia velocidades de via rápida e os peões atravessam enormes passadeiras que, de tão largas tão largas que eram, mais pareciam pontes de aventura sobre rios caudalosos...





Então, em 2009 a Câmara Municipal local achou que talvez fosse demasiado espaço para tanto carro e tão pouco para peões, árvores e ciclistas e decidiu intervir, reduzindo faixas de rodagem, plantando árvores, fazendo os autocarros estacionar na via e requalificando e disciplinando o estacionamento.



Mas, eis que o problema do estacionamento, muito apregoado em falta no local, e a fluidez de tráfego, esse conceito tão decisivo no nosso País de rotunda e que tanto alcatrão move (o dia-a-dia de tantos e tantos cidadãos que precisavam daquela pequena via rápida como alternativa à 2ª circular), eis que preocupou tanta e tanta gente que, logo se insurgiu contra a obra e pôs mesmo "mãos-à-obra", que em ano eleitoral não havia tempo a perder...


Havia até uns que, até eram a favor de tudo o que estava a ser feito, mas mesmo esses eram a favor de tudo o que era feito, desabafavam que eram contra a forma como estava a ser feito...


Eis que a obra se fez, com algumas peripécias e entrevistas de quem programou o caos e a desordem, agora que os carros iriam fazer filas intermináveis, de horas e horas...


Juntamente com a obra, entrou em funcionamento o sistema de tarifação do estacionamento à superfície, incluindo a criação de zonas de estacionamento só para residentes...




E, eis que, a fluidez do tráfego se resolveu pelas vias rápidas existentes em toda a envolvente!

E o estacionamento em falta, afinal, se tratava de quem, querendo ir ao Centro Comercial ou ao futebol, achava que seria mais simples e mais barato parquear por aqui...


Como por magia, os moradores estacionam dentro do bairro e na avenida os lugares se encontram afinal...vazios!?


Mas, surpresa! Mesmo ao lado destes lugares vazios, onde em tempos houve um campo de jogos e as crianças brincavam e jogavam à bola, a Junta de Freguesia proporciona agora um Parque de Estacionamento privativo (não tarifado!...), que faz lembrar o que foram muitas e muitas Praças da nossa Cidade, algumas emblemáticas, como a Praça do Comércio!

E de repente, a Avenida de 4 faixas, agora só de 2 faixas, flui normalmente, há estacionamento disponível para quem precise, as árvores ainda pequenas crescem e a ciclovia lá vai, aos poucos, servindo curiosos e novos utilizadores, ligando já Benfica até ao Parque das Nações.

E como acabará esta História da Avenida do Colégio Militar?

domingo, 20 de março de 2011

Playtimes - Jacques Tati, em Lisboa






Quando vejo o que fizeram na Avenida Fontes Pereira de Melo, entre o Marquês de Pombal e o Saldanha, como este edifício o demonstra (será em Lisboa? Será noutro sítio qualquer?), para não chorar de tristeza lembro-me sempre de Playtimes - Jacques Tati (1967) onde uma feroz e hilariante crítica ao Modernismo saiu de um dos melhores filmes que alguma vez vi.

domingo, 5 de dezembro de 2010

TVI: Lisboa e a bicicleta "em alta" na Cidade




Em Lisboa muito se fez já desde os tempos em que a bicicleta na cidade era uma miragem "impossivel", coisa de utópicos sonhadores, numa cidade de "colinas" ao contrário das cidades planas como Amesterdão, onde "aí sim faz sentido".

A bicicleta entrou na Cidade. Entrou, deixando as pantufas à porta e calçando as botas de biqueira de aço.
Não porque tenha destruído algo, mas porque não perguntou aos automobilistas, mais uma vez, se eram "eles" ou "nós" na Cidade. Exigiu o seu espaço e consegui-o.
Em 2007 avisou que ia mesmo entrar. E entrou.

Apresentou a sua estratégia: fazer rapidamente uma Rede de Percursos que seja compreendida pelos Lisboetas como útil, confortável e apelativa, centrada em ligações nas zonas planas da Cidade e ligando os principais equipamentos colectivos e interfaces de transportes. Uma rede para terminar com a desconfiança e com o preconceito. O Mapa é claro: Fez-se parcialmente a rede. Uma parte ainda falta terminar.

Quase 6 MEuros de investimento, boa parte recorrendo a financiamentos europeus e contrapartidas de empresas e instituições.
No final desta fase haverá uma Rede de Percursos dedicada "verde",porque também eles ligam zonas verdes - Monsanto ao Parque da Bela-Vista, Corredor Verde Monsanto Parque Eduardo VII, a espinha do Parque Periférico com a Quinta da Granja, dos Parques dos Olivais ao Parque da Bela-Vista, dos Olivais ao Rio, do Estádio Universitário ao Campo Grande e do Campo Grande à Mata de Alvalade e daí ao Parque da Bela-Vista e ao Rio.

E é já notório o aumento dos ciclistas de uso quotidiano. Utilizadores que aproveitam esta rede "verde" para se deslocar para os empregos.

Mas sejamos claros: para que a bicicleta se afirme de forma duradoira, há outros trabalhos que precisam de ser feitos.
A porta, essa, está escancarada.
A bicicleta tem futuro, tem cidadania, tem gente! Há "Lobby" agora!
Há compreensão da opinião pública para a bicicleta.
A bicicleta é aceite pelos planeadores, pelos projectistas, pelas empresas, pelos transportadores e pela opinião pública.

O trabalho que falta fazer, e para o qual não há tempo a perder são as Zonas 30km/h nos Bairros, colocando a bicicleta a partilhar o espaço com os automóveis, são as faixas BUS+BIKE - espaços partilhados pelos ciclistas e o transporte público em espaços bem dimensionados para que caibam ambos - são as "Bike-Box" nos cruzamentos semaforizados para a bicicleta partir à frente dos carros, são as medidas de acalmia de tráfego um pouco por toda a Cidade e são todas as medidas que directa e directamente retirem tráfego da Cidade.

A bicicleta agradece as pistas de bicicleta para "sair da garagem" mas o futuro será sempre na estrada.
Muitos perdem o seu precioso tempo a criticar o que se fez em Lisboa pela bicicleta até agora, mas parecem esquecer o que ainda falta fazer e exigir que se faça ou, por vezes, quando até lhes cabe o papel de poder vestir o fato-de-macaco e pôr "mãos-à-obra", torná-lo efectivo!

Já aqui há muito tempo afirmei-me esperançado sobre o que falta fazer-se pela bicicleta realmente se faça.
Continuo esperançado, apesar de nada ter mudado desde aí.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Lisbon Cycle Chic

foto: LISBON CYCLE CHIC:

http://www.lisboncyclechic.com/?p=424

Andar de bicicleta no quotidiano é uma mudança de atitude, para muitos, quase impossivel. Lisboa sempre foi motivo de discussão sobre a possiblidade ou não de usar a bicicleta. Em 2007 decidiu-se avançar com uma forte política para o uso da bicicleta.
Muito se discute sobre as decisões mais adequadas para aumentar o uso de ciclistas, e para os fazer circular em segurança.

Sempre defendi uma rede fundamental de Percursos Cicláveis dedicados (em espaço próprio), ganhando espaço de cidadania e fazendo massa crítica.
A bicicleta passou em Lisboa de utopia a uma possibilidade real. De possibilidade a realidade falta ainda outro tanto.
Mas já se fez metade do caminho!

Eu acredito que a bicicleta será uma realidade. Esta senhora prova isso mesmo! A FOTO mostra a utilização de uma das recentes ciclovias de Lisboa (Benfica - Telheiras), onde ainda ontem, em menos de 5 minutos, vi 5 ciclistas, e nenhum deles a fazer desporto. Quando foi inaugurada tenho zero ciclistas. É natural, embora muitos tenham denegrido a importância desta opção, que passou ainda por reduzir de 4 para 2 faixas de rodagem o tráfego nesta via.
Para esta senhora, a decisão de andar de bicicleta fez-se, quase de certeza, pela possibilidade que este percurso lhe proporcionou.
Mas esta senhora não tem, nem terá, pistas cicláveis para chegar a todo o lado. Terá pois que andar com os carros em muitas situações. Para isso, restringir o tráfego é fundamental e, muito importante, reduzir-lhe a velocidade.
E depois educação e civismo.
É importante que as pessoas percebam que podem andar na estrada, em condições de pouco tráfego e velocidades reduzidas.

Em paralelo ao trabalho das ciclovias, tem que ser feito o trabalho de compatibilização dos ciclistas na estrada. É urgente que se faça!
As zonas 30 e a circulação na faixa BUS podem ser impulsos decisivos e têm que acontecer.
Não há tempo a perder. De que estamos à espera?

domingo, 19 de setembro de 2010

5 Estrelas - Flamenco em Lisboa

Foto e detalhes AQUI

Atenção a este Miguel de Tena, a quem o PUBLICO dá 5 estrelas.
Arrebatador, fantástica voz.
Fechamos os olhos e lá estamos a deslizar pelas planícies Espanholas, avistando ao fundo cidades de côr clara, sobressaindo o seu pináculo de uma catedral "Mudejar".
O Festival de Flamenco em Lisboa, ao que parece, foi todo muito bom. Este último dia, a que tive a sorte de assistir, foi de se lhe tirar o chapéu. Isso garanto.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A grande barreira

Créditos da Foto: http://www.construir.pt/2009/06/16/refer-investe-45-me-em-sistema-de-controlo-e-sinalizao-da-linha-de-cascais/

Porque não é fissicamente possivel passar-se de um lado para o outro da linha férrea entre o Cais do Sodré e Algés 8,5km) em cadeira de rodas ou com carrinhos de bebé, numa zona nobre da cidade, repleta de equipamentos, serviços, interfaces de transporte, e tudo porque todas as passagens são em escadas, elaborei e levo à Assembleia Municipal de Lisboa esta Moção que abaixo se descreve:

Moção "Mobilidade para todos na Frente Ribeirinha Ocidental"

Considerando que:

A frente ribeirinha entre Algés e o Cais do Sodré com cerca de 8,5 km, configura actualmente uma barreira física praticamente intransponível para pessoas com mobilidade reduzida em virtude da presença da linha-férrea;

À excepção do próprio Cais do Sodré e através da Estação da CP de Algés (já no Município de Oeiras), a transposição entre a Cidade e o Rio para pessoas com mobilidade reduzida, designadamente em cadeira de rodas, só se pode efectuar através da passagem de nível sem guarda ainda existente em frente ao museu de Arte Antiga ou em frente à Docapesca, ambas situações que configuram níveis de perigosidade por demais conhecidos;

À semelhança da passagem de nível encerrada em Santos, também a passagem de nível em frente ao Museu de Arte Antiga configura o seu encerramento e substituição por uma solução aérea;

Excluindo o Cais do Sodré e Algés, uma pessoa com mobilidade reduzida não pode, pura e simplesmente, aceder ao rio, nem em Santos, nem em Alcântara, nem em frente à Antiga FIL, nem na Estação de Belém, nem em frente ao Centro Cultural de Belém nem em frente à Torre de Belém, consistindo no impedimento de acesso a todo um conjunto de equipamentos que se encontram nessa área, incluindo-se nestes o acesso a Estações de Comboio, à Estação Fluvial de Belém mas também a Áreas de Embarque de Cruzeiros e ainda várias zonas comerciais e de serviços;

As passagens aéreas e subterrâneas descritas no ponto anterior são da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa, mas também de outras Entidades, no caso a REFER, e envolvem o acesso directo a áreas geridas pela APL;

Apesar de terem sido conhecidas algumas soluções prévias para discussão, no âmbito de Planos de Requalificação da frente ribeirinha, que previam discutir o enterramento de alguns troços de linha férrea, e dessa forma resolver parcialmente a questão central desta Moção, a situação em presença não pode esperar mais, sob pena de se manter esta situação de exclusão;

A intervenção no rampeamento de algumas das passagens aéreas ou subterrâneas envolve pouco investimento e reduzida dificuldade técnica

O Grupo Municipal do Partido Socialista vem propôr que a Assembleia Municipal de Lisboa reunida em Plenário no dia 13 de Abril de 2010 delibere:

Manifestar a sua preocupação e consequente intenção de que a actual situação de impossibilidade de acesso para pessoas com mobilidade reduzida, designadamente em cadeiras de rodas, que se verifica entre a Cidade e a sua Frente Ribeirinha no troço compreendido entre o Cais do Sodré e Algés, seja rapidamente alvo de uma intervenção de requalificação nas suas passagens aéreas e subterrâneas visando mobilidade e acesso para todos, sendo dinamizada pela Câmara Municipal de Lisboa mas envolvendo sempre que aplicável outras entidades com responsabilidade na área.

quarta-feira, 31 de março de 2010

O Orçamento da CML

Sobre o chumbo do OM2010 da CML, veja-se esta extraordinária notícia do PUBLICO em:

http://jornal.publico.pt/noticia/31-03-2010/orcamento-2010-de-antonio-costa-chumbado--pela-oposicao-19101846.htm


Estive lá e as coisas não se passaram assim!
Esta jornalista, Ana Henriques, continua absolutamente regular na sua habilidade em distorcer os factos, empolar o acessório e esquecer o essencial.
Até arrepia..

No essencial, resumem-se bem as virtudes do orçamento a uma intervenção no mínimo histórica de António Costa ontem, que conto que seja divulgada online e que aqui darei feed-back.

A CML tem agora um orçamento de 700 milhões de despesa em vez dos 600 milhões que ontem se propunha aprovar.
No tempo do PSD/CDS, eram 800 milhões!
 
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