IMAGEM "Gato" RETIRADA DO SITE DO PAN
IMAGEM Lameiros: AQUI
Já aqui dei conta de que "os Verdes" não são e não servem como bandeira da ecologia política. Considero até que, o facto de nunca terem ido a votos sozinhos, fizeram um mau serviço à Ecologia Política em Portugal: desacreditaram-na, tornaram-na pequena e sectária, numa espécie de "satélite" que congrega apenas as sensibilidades do Ambiente, exactamente o problema que a Ecologia Política nunca pode fazer, já que ela própria deve e pode constituir doutrina política.
Falei no post anterior porque é que o MPT, ao migrar em definitivo para a direita do espectro político, não pode representar a ecologia política.
Agora apareceu o PAN, o Partido dos Animais e da Natureza.
Inicialmente dos animais, e depois também da Natureza, o PAN escolheu como centro do seu Programa a protecção animal. E só depois as pessoas...
A provar isso mesmo basta ler o Programa Político e contar as medidas de bem-estar animal (36) e as medidas de protecção social: apenas...7!
Sou a favor da protecção animal, e concordo com muitas das medidas anúnciadas pelo PAN, e até acrescento a colocação em causa de boa parte do triste espectáculo que nos é oferecido pelos animais em jaulas nos Zoos das nossas Cidades...curiosamente o PAN, nas suas 36 medidas, nada disse sobre isso! Os Zoos, em plano Século XXI, permitem aprisionar todo o tipo de animais selvagens e torná-los figurantes, normalmente com ar triste e muito abatido, para os urbanos verem!
Numa época de internet, plasmas, 3D, i-phones e visitas virtuais, os Zoos, mesmo para os defensores dos animais são, pelos vistos, aceitáveis? Regista-se!
(nota intercalar, para o papel excelente dos Zoos na recuperação de animais doentes ou feridos ou para auxiliar a salvaguarda das espécies em perigo de extinção. Para mim, o único critério admissível para um Zoo moderno.)
Mas os partidos ecologistas devem apresentar-se, acima de tudo, com uma preocupação Humanista. A espécie humana não está ao mesmo nível dos animais e as Paisagens que temos e que queremos ecológicas e em equilíbrio ecológico, só o podem fazer se estiverem assentes numa lógica agro-pecuária. A humanização das Paisagens, entendida infelizmente como a degradação das mesmas pela urbanização, sobre-exploração ou contaminação, deve ser sim entendida como o equilíbrio entre o Homem e o Meio.
Como se mantêm os nossos lameiros se não existirem animais? Cresce o mato? Corta-se com maquinaria a gasóleo?
E os montados? Servem só para a cortiça? E as bolotas não podem servir para o gado que pasta ao ar livre, de forma sustentável e que mantém um ecossistema único?
E o papel das raças autóctones de gado no moldar e conservar de forma eficiente as nossas Paisagens?
E o papel da actividade cinegética, quando devidamente regulamentada e, infelizmente, diria no contexto actual, mais "domesticada", na regulação das cadeias alimentares e da Biodiversidade?
Temos um problema hoje de excesso de carne, de uma alimentação excessivamente proteica, desequilibrada, do "bife com batatas" dia sim, dia não, do colestrol e da gordura. Mas, assim como um dono de um animal de estimação não pode ser confundido com alguém que permite que o seu animal suje a via pública, comer carne não pode significar apoiar os aviários industriais, o transporte de animais sem respeito, os antibióticos e rações sintéticas, as descargas sem lei.
O respeito pelos animais deve fazer-se dentro do contexto do respeito pela Paisagem, como Unidade macro de equilíbrio ecológico.
Só defender os animais e acrescentar depois "e da Natureza" é um passo em falso, e a meu ver não responde às questões que a Ecologia Política pode dar perante os problemas do dia-a-dia dos cidadãos, do País e rumo a um futuro melhor.
E tenho pena de, num mesmo post, ter que referir e logo três partidos, ditos "verdes" e não conseguir concordar com nenhum deles!
Nota: Lendo o Programa do PAN, medida a medida, muitas são as concordâncias.
Quem sabe se esta sensibilidade, que pela primeira vez se apresenta a eleições, é compatível com desafios de compromisso num âmbito de um campo ideológico ecologista.
Amar, por Agostinho Silva
Há 8 horas